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Declaração do “Presidente da Comissão Europeia” causa mal-estar na França

O “Presidente da Comissão Europeia (CE)”, o português José Manuel Barroso, fora duramente criticado por ter declarado na última segunda-feira dia 17 de Junho que a França havia tomado uma atitude “reacionária” ao propor a exclusão do setor audiovisual das negociações comerciais da União Europeia com os Estados Unidos[1].

Barroso afirmou em uma entrevista ao jornal International Herald Tribune” que tal atitude “faz parte deste programa antiglobalização que considero totalmente reacionário[1]. Ademais, afirmou acreditar na proteção da diversidade cultural da Europa, mas rejeita a ideia de isolar a mesma. Classifica também tal medo como uma “incompreensão dos benefícios da globalização, incluindo do ponto de vista cultural, para alargar as nossas perspectivas e ter o sentimento de pertencer a mesma humanidade[2].

Em reação a estas declarações o Presidente da francês, François Hollande, afirmou não crer que o Presidente da CE fosse capaz de fazer tal tipo de declaração a respeito da França.[3] Hollande ainda afirmou que o princípio de exceção cultural sempre fora evocado durante negociações comerciais e não seria diferente nas negociações com os Estados Unidos, este ainda acrescentou que isso ficou provado pelo fato dos demais ministros terem aceito essa proposta durante a última reunião do Conselho de Ministros da União Europeia[3].

No entanto a crítica mais dura veio do jornal francês Le Monde: “Hoje, aos 57 anos, este camaleão [uma referência à Barroso] procura um futuro. A procura de um belo posto na NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN) ou na ONU (Organização das Nações Unidas) – quem sabe? – ele escolheu lisonjear seus parceiros anglo-saxões, o Primeiro-Ministro britânico e o Presidente americano. A cabeça da Comissão, o Sr. Barroso foi um bom reflexo da Europa – uma década de recessão[4].

Após receber inúmeras críticas, o porta-voz da CE se pronunciou a respeito e observou que durante a entrevista, Barroso não se referia à França e às autoridades francesas e sim às pessoas que “lançam ataques pessoais contra o Presidente, muitas vezes violentos e injustificados[2]. Tal declaração se referia então às publicações e afirmações de personalidades políticas e culturais que estão mais interessadas em criticar a pessoa do Presidente da CE do que o que está sendo discutido[2].

O “Comissário Europeu” responsável pelo Comércio, o belga Karel De Gucht, é a favor de incluir o setor audiovisual nas negociações com os Estados Unidos, pois não gostaria de dar pretexto a este país para manter fechados alguns setores econômicos às empresas europeias[4]. Por consequência esse setor só poderá entrar novamente nas discussões a partir de um acordo por unanimidade dos Estados Membros da “União Europeia”.

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Imagem “François Hollande e José Manuel Barroso” (Fonte):

http://sicnoticias.sapo.pt/incoming/2013/06/18/rtr3aj58.jpg/ALTERNATES/w960/RTR3AJ58.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2013/06/17/interna_internacional,406853/barroso-chama-franca-de-reacionaria-por-defender-a-excecao-cultural.shtml

[2] Ver:

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/socialistas_franceses_pedem_demissao_de_durao_barroso.html

[3] Ver:

http://www.liberation.fr/monde/2013/06/17/hollande-incredule-face-aux-propos-de-barroso-sur-une-france-reactionnaire_911503

[4] Ver:

http://expresso.sapo.pt/le-monde-diz-que-barroso-e-um-camaleao=f814620

About author

Mestre em Estudos Europeus pela Universidade Católica de Louvain e Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade da Amazônia - UNAMA. Estagiou durante um ano na Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia onde atuou na área de promoção do Comércio Exterior do Estado do Pará e, ao mesmo tempo, trabalhou como voluntario no GADE, grupo interessado em promover o voluntariado no Estado do Pará. Sempre interessado por integração europeia, realizou pesquisas envolvendo temáticas sobre a Política Agrícola Comum Europeia e sua relação com o livre-comércio e também sobre a evolução do Mercado Único e do setor de serviços da União Europeia. Morou seis meses em Varsóvia onde foi estudante Erasmus na Warsaw School of Economics.
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