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Departamento de Justiça dos EUA acusa empresa de tecnologia chinesa de roubo de segredos comerciais

No dia 1o de novembro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou a empresa chinesa Fujian Jinhua e mais três indivíduos de conspiração para roubo de segredos da companhia estadunidense de semicondutores Micron Technology. De acordo com o Procurador Geral norte-americano, Jeff Sessions: “a espionagem chinesa contra os Estados Unidos está aumentando rapidamente. Nós estamos aqui hoje para dizer basta. Não aceitaremos mais”.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, durante reunião no G20 de 2017

A Fujian Jinhua é estratégica para o plano de desenvolvimento industrial “Made in China 2025”, anunciado pelo Partido Comunista Chinês em 2015. Especialistas consideram que o setor de semicondutores está no centro do gap tecnológico que a China busca diminuir em relação aos EUA na próxima década. Assim, em resposta à acusação do Departamento de Justiça estadunidense, a Fujian publicou oficialmente que “sempre atribuiu grande importância à proteção de direitos de propriedade”, bem como que “a Micron percebe o crescimento da Fujian Jinhua como uma ameaça e, por conta disso, utiliza todos os meios disponíveis para destrui-la”.  

A medida ocorre em uma conjuntura de recrudescimento dos atritos comerciais entre as duas grandes potencias econômicas do sistema internacional contemporâneo. No dia 17 setembro de 2018, o presidente Donald Trump anunciou a imposição de tarifas no valor US$ 200 bilhões (aproximadamente 747,5 bilhões de reais, de acordo com cotação de 9 de novembro de 2018) para as importações chinesas. Beijing, por sua vez, retaliou elevando os tributos aos bens estadunidenses em US$ 60 bilhões (aproximadamente 224,2 bilhões de reais, de acordo com cotação de 9 de novembro de 2018).

Nesse contexto, nota-se que, além da esfera comercial, a dinâmica competitiva entre os dois países envolve também o comando do processo de inovação na economia mundial. Conforme explicita o think thank estadunidense Council of Foreign Relations, “o plano Made in China 2015 representa uma ameaça existencial para a liderança tecnológica dos Estados Unidos”. Em perspectiva semelhante, o empresário chinês Jack Ma, fundador da companhia de e-commerce Alibaba, considera que este tipo de conflito “deverá permanecer pelos próximos 20 anos. Não se trata apenas de uma guerra comercial, mas da competição entre duas grandes nações”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Jeff Sessions, Procurador Geral dos Estados Unidos” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:DOJ_50th_Anniversary_of_the_Fair_Housing_Act_of_1968_Ceremony_(27563934588).jpg

Imagem 2Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, durante reunião no G20 de 2017” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:President_Donald_J._Trump_and_President_Xi_Jinping_at_G20,_July_8,_2017.jpg

About author

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.
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