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Desafios dos aplicativos de transporte de passageiros na América Latina

Com a chegada da Easy Taxi em 2011 e da Uber, em 2013, a América Latina (AL) passou a contar com um meio alternativo de mobilidade. Principal concorrente do táxi tradicional, os serviços de transporte por aplicativo estão prestes a completar 10 anos na região, com alguns desafios pela frente.

A entrada do serviço, sobretudo do Uber, causou desconforto, rejeição e conflito com taxistas, a exemplo dos registrados no Brasil, no Chile, na Colômbia e no México.  Desde críticas moderadas a agressões físicas, os taxistas se manifestaram contra o que alegavam ser um serviço ilegal e não sujeito às mesmas exigências, taxas e impostos que eles. Os motoristas de Uber se defendiam dizendo se tratar de um serviço de transporte particular e não público, e não beneficiado pelas isenções e facilidades desfrutadas pelos taxistas.

Essa disputa deu sequência à discussão sobre a regulamentação do serviço por parte do governo. Passaram a ser uma preocupação das autoridades as questões relativas à segurança, os impactos na economia e os efeitos na arrecadação tributária. Nesse aspecto, a Cidade do México é tida como a primeira capital latino-americana a implantar um arcabouço regulatório.

A região passou a ser percebida como um mercado promissor com enorme potencial de crescimento, até mesmo por pequenas empresas. A grega Beat, depois de começar pelo Peru e Chile, agora opera também na Colômbia, México e Argentina. Fundada em Toronto, a Nekso, antes mesmo de explorar o Canadá, fez sua estreia na Venezuela, em 2016, e em seguida chegou ao Equador, Panamá e República Dominicana. Atualmente, a empresa atua também na Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, México e Peru.

Desde então o mercado vem se ampliando e apresentando mudanças decorrentes da livre concorrência. A espanhola Cabify e a brasileira Easy (que era Easy Taxi) se uniram na AL formando uma holding, em meados de 2017. Atualmente, ambas as empresas são propriedade da Maxi Mobility, presente em diversos mercados latino-americanos, tais como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, México, Panamá e Peru.

Protesto contra a chegada do Uber na cidade do Rio de Janeiro em 2014

Em janeiro de 2018 a chinesa Didi Chuxing investiu US$ 100 milhões na 99 (ex 99 Taxi),  adquirindo-a meses depois  por cerca de US$ 1 bilhão de dólares.  A Uber já alcançou mais de 16 países da AL, sendo o México o seu maior mercado na região. Sua principal concorrente, a Didi, adquiriu ativos e ações da ordem de US$ 1 bilhão da Uber na China, mas disputa palmo a palmo o restante do mundo.

Entre as duas empresas, o campo de batalha” mais acirrado na América Latina é o México, onde a Didi tem sua maior participação fora da China. Depois de se instalar no Brasil e no México, a Didi anunciou no segundo semestre de 2019 que passaria a operar também na Colômbia e no Chile.

Voltando às questões regulatórias, o Chile se tornou o primeiro país, em janeiro de 2020, a ter acesso ao segredo bancário da Uber. Na mesma semana, a empresa anunciou o encerramento de suas operações na Colômbia, depois de ter sido proibida de atuar sob acusação de práticas comerciais ilegais por parte do Governo colombiano.

Em março de 2018 foi lançado no Brasil o Ubus, primeiro aplicativo para transporte coletivo da AL. Tal iniciativa, ao melhorar as condições de uso do transporte coletivo, pode se tornar um concorrente dos serviços prestados pela Uber e Didi, por exemplo. Em que pese os “aplicativos de táxi” estarem há quase 10 anos no mercado, os fatos recentes indicam um cenário ainda instável, sujeito a oscilações e ameaças que dificultam se fazer prognósticos precisos para o futuro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Motorista de aplicativo em Bogotá, Colômbia” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Uber#/media/File:Uber_ride_Bogota_(10277864666).jpg

Imagem 2 Protesto contra a chegada do Uber na cidade do Rio de Janeiro em 2014” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Uber#/media/Ficheiro:Protesto_contra_o_Uber_no_Rio_02.jpg

About author

Mestre e especialista em relações internacionais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em Política e Estratégia pelo programa da ESG (UNEB, ADESG/BA), bacharel em Administração pela Universidade Católica do Salvador (UCSal). Consultor e palestrante de Comércio Exterior.
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