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NOTAS ANALÍTICAS

Dia do Trabalho violento na Turquia

Tropa de choque da polícia turca dispara gás lacrimogênio contra manifestantes em 01/05/13 (foto: IHA, Anatolia, Cihan)Desde 1º de maio de 1977, data que passou para a história turca como “O Dia de Maio Sangrento”, quando 34 pessoas que participavam de passeata na praça Taksim* foram mortas por desconhecidos que abriram fogo contra o público, as comemorações do “Dia do Trabalho” são fonte de tensão para o governo da Turquia. Em virtude do incidente histórico, a praça Taksim e suas redondezas foram mantida sem acesso para comemorações e atos alusivos ao “1º de maio” até 2009.

Este ano (2013), o Governo determinou novamente o fechamento da Praça, atraindo o descontentamento de partidos políticos e organizações sindicais. Alegou que a região estaria sem condições de receber atos públicos de grande escala, devido a obras de infraestrutura que estão sendo realizadas, temendo que o material de construção ali estocado pela construtora pudesse ser utilizado em confrontos[1].

Houve escalada das tensões quando manifestantes integrantes do “Partido Comunista Turco” (TKP), do “Partido dos Trabalhadores” (IP), e da “Associação Halkevleri” se uniram em frente à sede do “Partido do Povo Republicano” (CHP), nas imediações da praça Taksim, e então decidiram forçar passagem em direção à região que já estava ocupada previamente por milhares de policiais.

Tentando controlar a multidão, a força policial disparou granadas de gás lacrimogênio para dispersá-la e teve como resposta o lançamento de coquetéis molotov e pedras por parte de manifestantes, alguns dos quais, com os rostos cobertos, gritavam slogans de apoio ao “Partido da Libertação Popular Revolucionário” (DHKP/C), agremiação considerada como grupo terrorista de extrema-esquerda, que tem intensificado suas atividades com ataques contra agentes e prédios públicos, desde o ano passado (2012).

Os choques podem ser considerados indícios da piora relativa das condições econômicas na Turquia, até então um dos grandes motores do desenvolvimento regional, o que chegou a provocar até mesmo temores de países vizinhos sobre possíveis pretensões expansionistas do país.

Há que se considerar, entretanto, a realidade tensa da política turca, em que se envolvem questões de natureza religiosa, étnica (Curdistão) e, mais recentemente, a proximidade do conflito civil na vizinha Síria, vista por alguns como estimulada pelo governo turco[2].

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* Região mais movimentada da capital Istambul.

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.todayszaman.com/news-314166-violent-groups-clash-with-police-amid-may-day-celebrations.html

[2] Ver:

http://www.hurriyetdailynews.com/erdogan-shooting-himself-in-the-foot.aspx?pageID=238&nID=46000&NewsCatID=409

 

About author

Doutor em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (2012), Mestre em Direito pela Universidade Bandeirante de São Paulo (2006), Especialista em Direito Penal e Processual Penal pela Escola Superior do Ministério Público de São Paulo (2000), e Graduado em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (1999). Advogado da União na Advocacia-Geral da União. Pesquisador nos temas de Direito Internacional Público e Privado, Relações Internacionais, Direito Penal e Processual Penal, e Direitos Humanos.
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