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Donald Trump e sua influência na sociedade estadunidense

As primárias presidenciais ainda não começaram, mas o excêntrico bilionário Donald John Trump vem se destacando entre os homônimos republicanos por declarações ousadas e polêmicas, fundamentadas por uma clara tendência interpretativa de absorver o discurso da extrema-direita norte-americana, que, conforme vem sendo disseminado por observadores,  introduz precedentes perigosos e ao mesmo tempo interessantes, pois explicita o velado modelo de pensamento de alguns cidadãos, principalmente o branco, anglo-saxão e protestante (WASP, na sigla em inglês), ainda em ligeira maioria nos Estados Unidos.

Em pesquisas recentes, compiladas pelo portal Real Clear Politics, o caucus em Iowa coloca Trump em primeiro lugar nas pesquisas, com 27% das intenções de voto, seguido por Ben Carson, com 21%. Em outra pesquisa, esta encomendada em conjunto por CNN/ORC, o cenário é mais abrangente e modela o embate entre Hillary Clinton (Democrata) e Donald Trump (Republicano), resultando em empate, com 48% para cada um.

Seu desempenho surpreendente é fruto do incessante interesse da mídia estadunidense (FOX e CNN) que já o colocam como potencial candidato. Apesar de defender uma agenda abrasiva e ser um candidato fugaz que não se enquadra mais na equação, seu comprometimento e popularidade tem demonstrado que pode incomodar o Partido Republicano durante as prévias e criar a possibilidade de comprometer a imagem dos correligionários com mais chances, frente a uma disputa com os democratas no sufrágio presidencial.

Entretanto, para os experientes especialistas em política, não faz sentido algum o bilionário que apresenta o slogan “Make America great again” (“Fazer a América grande novamente”, em tradução livre) e vem cumprindo uma agenda que configura a imagem de um candidato antiWashington e antiEstablishment. Além disso, a influência crescente de grupos ultrarradicais de direita, como o White Nacionalist, denunciado em artigo de Evan Osnos, da New Yorker Maganize, intitulado “The Fearful and the Frustrated”, posiciona o candidato numa esfera de atrevimento que reabilitou um segmento da sociedade que repudia a igualdade e os direitos civis das minorias.

De forma mais alusiva que demonstre a sua percepção da atual conjuntura política está seu Programa de Reforma Imigratória, uma interpretação pessoal, que é considerada por observadores como de cunho segregacionista, oposta a sugerida como Projeto pelo atual presidente Barack Obama. Segundo o pré-candidato republicano, quando os atuais gestores da nação falam sobre reforma imigratória eles querem na verdade implementar anistia, mão-de-obra barata e fronteiras abertas, porém, a verdadeira reforma, de acordo com Trump, é promover as necessidades de seus nacionais primeiro.

Sua crítica e projeto são de evitar o que hoje o país faz, ou seja, colocar as necessidades de outros indivíduos de outras nações em igualdade com a dos estadunidenses e, para isso, prescreve como sendo os três princípios fundamentais dessa reforma:

  1. Haver um muro na fronteira sul que separe os Estados Unidos do México;
  2. Que as Leis em conformidade com o sistema constitucional devem ser executadas;
  3. Que uma nação que não serve os seus próprios cidadãos não é uma nação. Assim, qualquer plano de imigração deve melhorar empregos, salários e segurança para todos os americanos.

Além desses três pilares, o Plano prevê que o pagamento do muro deva ser de responsabilidade do Governo Federal Mexicano; que haja o aumento dos agentes de fronteira; que seja executado o regresso de todos os estrangeiros criminosos; que ocorram as suas detenções e não o princípio de “pegar e soltar” (“Detentionnot catchandrelease”). Ele considera que esses requisitos darão prioridade para cidadãos nascidos nos Estados Unidos[1].

As excentricidades nas propostas, principalmente no âmbito social, não inibem o magnata de acreditar que é o único preparado para devolver a força da marca USA. Todavia, discursos como os já proferidos em ocasiões distintas e para públicos diversos deixam a clara noção de que Donald Trump é o candidato a ser evitado, pois, beligerante, isolacionista e hegemônico, adjetivos que vem sendo aplicados a ele, são alguns dos predicados que não devem acompanhar o futuro presidente dos Estados Unidos da América, principalmente em um contexto internacional de extremo desequilíbrio político, econômico, social, cultural e militar. Como apontam vários analistas, uma personagem ultraconservadora, que privilegia o hard power, não é o que se está precisando atualmente.

Eventualmente, se seguir a linha de outros bilionários que se aventuraram em cargos públicos, como Silvio Berlusconi, na Itália;Petro Poroshenko, o presidente da Ucrânia; Thakin Shinawatra, exprimeiroministro da Tailândia; e Rafiq Hariri, ex-primeiroministro do Líbano, antes de ser assassinado, ele abre a possibilidade para mais surpresas, assim como tem sido surpresa sua liderança nas primárias.

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Imagem (Fonte):

http://www.newyorker.com/wp-content/uploads/2015/08/150831_r26907-863.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://www.donaldjtrump.com/positions/immigration-reform

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Ver Também:

http://www.politico.com/blogs/media/2015/09/trump-will-be-center-stage-at-cnn-debate-213534

Ver Também:

http://www.newyorker.com/magazine/2015/08/31/the-fearful-and-the-frustrated

Ver Também:

http://www.politico.com/magazine/story/2015/09/the-2016-ideas-guide-213108

Ver Também:

http://www.politico.com/story/2015/09/donald-trump-lobbyists-washington-insider-213466

Ver Também:

http://www.politico.com/story/2015/09/donald-trump-iran-deal-washington-rally-213451

Ver Também:

http://www.cfr.org/elections/presidential-candidates-their-own-words/p36633#p1

Ver Também:

http://www.brookings.edu/blogs/fixgov/posts/2015/06/16-donald-trump-president-candidate-west

Ver Também:

http://www.brookings.edu/blogs/fixgov/posts/2015/08/27-dumbing-down-american-politics-mann

Ver Também:

http://www.brookings.edu/research/flash-topics/flash-topic-folder/2016-election-research-behind-the-race

Ver Também:

http://www.realclearpolitics.com/

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Foi Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP e atualmente é Analista de Foreign Trade e Customer Care na Novus International Inc. Escreve sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.
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