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Economia russa no cenário mundial atual

Para entender a economia russa dos dias atuais é necessário revisitar o passado e observar como esta nação apresentou um desenvolvimento surpreendente durante as duas últimas décadas, resultado de práticas austeras, no âmbito político-econômico, efetivadas pelo atual presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, que desde 1999 tem governado, direta ou indiretamente, tendo como principal objetivo colocar novamente o país dentro dos preceitos hegemônicos mundiais, iguais aos que possuía quando formava a extinta União Soviética.

Gráfico do PIB da Rússia em US$ Bilhões

O período pós-Guerra Fria foi extremamente difícil economicamente para a Rússia, que presenciou uma retração em torno de 40% de sua economia na década de 1990. Tal crise foi resultante de um massivo processo de privatizações empreendido pelo governo de Boris Yeltsin, além do fechamento de inúmeras estatais consideradas improdutivas, o que gerou uma enorme onda de desemprego e a redução do mercado consumidor. Para agravar essa situação, em 1998, ocorreu uma forte crise financeira que acarretou na desvalorização do Rublo (moeda local), aliada a uma declaração de moratória (interrupção dos pagamentos externos), ocasionando uma fuga de capitais nacionais e internacionais.

Em agosto de 1999, Vladimir Putin tornou-se Primeiro-Ministro da Rússia e, logo depois, em maio de 2000, substituiria Boris Yeltsin na Presidência do país, tendo como principal promessa, o crescimento econômico da Federação Russa. Os seus dois primeiros mandatos, de 2000 até 2007, foram marcados por uma curva de crescimento real em seu Produto Interno Bruto (PIB), na média de 7% ao ano, fazendo da Rússia a 7ª maior economia mundial em poder de compra, conseguindo mostrar sua capacidade de superar os efeitos devastadores da recessão dos anos 1990, com políticas econômicas liberais e a integração de companhias estratégicas na busca do avanço nacional, como foram os casos da Gazprom (maior exportadora de gás natural do mundo) e a Rosneft (uma das maiores empresas petrolíferas do mundo).

Máquina de Extração de Petróleo da Rússia

Em 2012, Putin assume seu terceiro mandato como Presidente e tem a responsabilidade de reerguer uma Rússia ainda cambaleante pelos efeitos da crise mundial de 2008, fazendo com que todas as previsões de analistas ocidentais, a respeito da real capacidade econômica do país, caíssem por terra quando foram apresentados altos índices de crescimento industrial nacional, em grande parte pelo efeito da política de substituição de importações. Em 2014, com a anexação do território da Crimeia (área cedida à Ucrânia em 1954), o país sofreu um dos seus maiores golpes em termos econômicos com a efetivação de sanções por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, causando uma guerra comercial sem precedentes entre os lados e acarretando um crescimento negativo no PIB russo nos dois anos subsequentes, -3,7% em 2015 e -0,8% em 2016.

Em 2017, apesar das fortes sanções econômicas e do baixo preço do petróleo, que é o principal produto de exportação, a Rússia teve crescimento de 1,5%, segundo o Rosstat (Serviço Federal de Estatística da Rússia), consolidando, assim, sua recuperação após dois anos de recessão. Observadores apontam que a previsão de crescimento para 2018 e próximos anos irá se manter no mesmo patamar de 2017 se o país não realizar, no curto prazo, reformas significativas que atentem para a diminuição do impacto das sanções internacionais e das tensões geopolíticas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Banco Central da Rússia” (Fonte):

http://user.vse42.ru/files/P_S1280x852q80/Wnone/ui-56b169487dfca7.55047544.jpeg

Imagem 2 Gráfico do PIB da Rússia em US$ Bilhões” (Fonte):

https://tradingeconomics.com/russia/gdp

Imagem 3 Máquina de Extração de Petróleo da Rússia ” (Fonte):

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/upload/conteudo/images/Petroleo-da-Russia.jpg

About author

Mestrando no programa de Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais (PUC-SP) na linha de pesquisa em Cooperação Internacional. Especialista em Política e Relações Internacionais (FESPSP) e habilitado em Iniciação Científica em Defesa, pela Escola Superior de Guerra (ESG-RJ). Cursou MBA em Economia de Empresas (FEA-USP) e graduou-se como Bacharel em Ciências Econômicas (CUFSA). Especialista em Docência no Ensino Superior (SENAC) atuou durante 7 anos como educador voluntário no Projeto Formare da Fundação Iochpe, ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Como articulista no Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) escreve sobre política e economia da Eurásia.
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