fbpx
NOTAS ANALÍTICAS

Egito corre risco de nova “Ditadura Militar”

A expectativa assumida pela população egípcia era de que o anúncio do vencedor das “Eleições Presidenciais” correria hoje, quinta-feira, dia 21 de junho. No entanto, em nota divulga à imprensa a data da divulgação foi adiada sem apresentar previsões de quando ocorrerá. A nota informa: “A comissão eleitoral do Egito, presidida pelo juiz Faruq Sultan…decidiu adiar o anúncio do segundo turno da eleição presidencial”*.

 

As razões alegadas foram de que não poderiam apresentar qualquer resultado sem antes analisar todos os requerimentos, reclamações eleitorais, vindas dos partidários e “comitês eleitorais” dos dois candidatos, que se auto-intitulam vencedores e acusam o adversário de fraudes, ou de quererem burlar os resultados, quando não impor uma vitória por intimidação e/ou criação instabilidade no país.

As autoridades alegam que o painel de juízes terá de verificar as reivindicações para ter condições de legitimar qualquer resultado, mesmo que observadores internacionais aleguem não ter ocorrido violações suficientes, ou com gravidade em nível que exigisse a paralisação do processo.

O anúncio trouxe tensão, novas manifestações e indicações de que a violência em alto grau poderá voltar a qualquer momento no país. A declarações dos setores populares, de membros da irmandade muçulmana e de lideranças do país é de que um “golpe de estado branco” está sendo dado, ou em vias de preparação no país.

Segundo alegam, os passos definitivos começaram na semana anterior, quando a “Suprema Corte” do Egito ordenou a dissolução do Parlamento** eleito no final do ano passado (2011) e início deste ano (2012), argumentando que ela foi inconstitucional, restaurando imediatamente o “poder legislativo” ao “Conselho Supremo das Forças Armadas” (CSFA) e impingindo uma dura derrota à “Irmandade Muçulmana” que havia conquistado quase a metade das cadeiras deste poder do Estado egípcio.

Além disso, enquanto eram fechadas as urnas eleitorais, no dia 17 de junho (domingo), o que encerrava o “segundo turno”, a mesma Junta divulgou comunicado*** (1) “garantindo os seus poderes”, (2) “atribuindo-se capacidade legislativa”, (3) “possibilitando-se decidir sobre o Orçamento”, (4) “retirando do futuro Presidente qualquer ascensão sobre as Forças Armadas” e (5) “estabelecendo que não poderá ocorrer qualquer eleição geral no país enquanto não for apresentada uma Constituição” permanente que determinará as instituições políticas e jurídicas que organizarão o Egito.

A “Junta Militar” também terá poderes para indicar uma nova “Assembleia Constituinte”, já que a atual poderá ser invalidade, uma vez que ela foi escolhida a partir do Parlamento que acabou de ser dissolvido pela “Suprema Corte”, graças a alegada inconstitucionalidade de sua eleição e esta nova Assembleia terá três meses para completar o trabalho, o qual será submetido a Referendo 15 dias depois.

Diante das incertezas do resultado eleitoral deste último fim de semana e dos argumentos usados para adiar a nomeação do novo “Chefe de Estado”, analistas apontam que as “Forças Armadas” construíram uma estratégia de realizar a transição política pelos seus instrumentos e pelas suas lideranças, temerosas dos riscos da instauração de uma concreta “Guerra Civil” e fragmentação do país, principalmente devido aos anúncios de que a “Irmandade Muçulmana” vem perdendo a credibilidade perante a população que começa a avaliar os seus candidatos como indiferentes aos interesses do povo.

Acreditam os observadores que certamente serão adiados os resultados até a Junta chegar a um Acordo interno sobre a melhor forma de fazer o esvaziamento completo do “Poder Presidencial” neste momento e chegar à “definição de instituições políticas” que organizem as próximas ações políticas no Egito, algo possível de ocorrer em breve devido a quase certa dissolução da “Assembléia Constituinte” atual e a nomeação de uma nova, ou, numa hipótese mais difícil, pelo controle total sobre esta que foi escolhida pelo Parlamento dissolvido (caso ela seja mantida), por meio da construção de instrumentos que garantam que ela seguirá os parâmetros ditados pelas “Forças Armadas”.

O problema, da perspectiva dos observadores internacionais está no comportamento da população neste momento. Independente dos reais resultados eleitorais, os dois lados alegam que sua vitória se deu com uma margem próxima de 51,5% (ou 52%) contra 48,5% (ou 48%), indicando que, mesmo sendo os dados apenas próximos do que alegam, o país está dividido entre dois grupos que, pela configuração geral de suas expectativas, são capazes de chegar até a extremidade lógica de um embate bélico, exceto se os militares tomarem as rédeas do processo e impuserem uma nova ditadura.

——————————

Fontes Consultadas:

* Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,adiada-divulgacao-de-resultado-eleitoral-no-egito,888993,0.htm

** Ver:

http://ultimosegundo.ig.com.br/revoltamundoarabe/2012-06-14/suprema-corte-do-egito-ordena-dissolucao-do-parlamento.html

*** Ver:

http://ultimosegundo.ig.com.br/revoltamundoarabe/2012-06-18/junta-militar-egipcia-mantem-poderes-apesar-de-eleicao-presidencial.html

——————-

Ver também:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE85I05A20120619 

Ver também:

http://ultimosegundo.ig.com.br/revoltamundoarabe/2012-06-20/egito-adia-anuncio-de-resultado-da-eleicao-presidencial.html

Ver também:

http://ultimosegundo.ig.com.br/revoltamundoarabe/2012-06-20/silencio-de-junta-militar-sobre-estado-de-mubarak-aumenta-tensao-no-egito.html

Ver também:

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2012-06-18/candidato-islamita-diz-que-venceu-eleicoes-no-egito.html

Ver também:

http://ultimosegundo.ig.com.br/revoltamundoarabe/2012-06-19/milhares-de-egipcios-protestam-apos-convocacao-da-irmandade-muculmana.html

About author

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.
Related posts
ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Fundo Monetário Internacional estima crescimento da economia chinesa em quase 2%, contrariando tendência mundial

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Conselho Europeu se reúne para tratar de ação conjunta europeia para combater a COVID-19

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

As cidades mais caras da América Latina

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Resposta à COVID-19 nas Américas pode sofrer transformação a partir de novos testes rápidos

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!