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Egito: tiroteio com militantes mata cinco policiais em Marsa Matrouh

Na última terça-feira, dia 5 de agosto, um tiroteio entre militantes islâmicos e policiais egípcios na província mediterrânea de Marsa Matrouh matou ao menos cinco oficiais e quatro supostos contrabandistas[1]. O tiroteio ocorreu depois que as forças de segurança tentaram parar um veículo suspeito de transportar armas e explosivos[1]. As fontes de segurança disseram que os traficantes abriram fogo contra a polícia depois de serem parados em um posto de controle e que as forças de segurança revidaram. A origem e o destino do veículo não estavam imediatamente claras[1]. O Egito tem registrado um aumento nos ataques de militantes desde a queda de seu presidente islamita Mohamed Mursi, em julho de 2013, e a consequente repressão a seus partidários[2].

A cidade costeira de Marsa Matrouh, popular entre os banhistas a procura de luxuosos resorts, é situada a cerca de 180 km a oeste de Alexandria e cerca de 400 kms à leste da fronteira com a Líbia[1]. No mês passado (julho), homens armados mataram 21 guardas fronteiriços egípcios perto da fronteira com a Líbia. Autoridades de segurança afirmam que “militantes que operam no país vizinho estão tentando forjar laços com os islâmicos no Sinai[1]. Oficiais declaram que os militantes líbios pagam contrabandistas para transportar armas, incluindo metralhadoras e lança-granadas, aos companheiros no Egito[1].

Uma fonte de segurança afirmou que os atacantes vivem em Arish, no Sinai, e que as forças de segurança estão coletando provas e investigando o incidente. O Ministro do Interior, Mohamed Ibrahim, disse ao jornal Al-Masry Al-Youm na terça-feira quetais atos não vão parar as forças policiais nem do exército de combaterem o terrorismo e os focos de crime[3]. O ataque ocorreu em meio a repetidas advertências das autoridades egípcias de um possível transbordamento da violência do outro lado da fronteira com a Líbia, onde o incessante derramamento de sangue ao longo dos últimos meses provocou temores de uma guerra civil[4].

Na quarta-feira, dia 6, um juiz egípcio confirmou as sentenças de morte de 12 supostos membros da Irmandade Muçulmana que teriam matado um oficial da polícia no ano passado (2013). O caso tem suas raízes na operação policial em setembro de 2013 em um reduto islâmico perto das Pirâmides de Gizé, onde os militantes mataram a tiros o general Nabil Farrag. Um mês antes, na mesma aldeia, Kerdasa, uma multidão atacou uma delegacia de polícia, matando 15 policiais e mutilando seus corpos[2].

A Irmandade foi designada uma organização terrorista no ano passado e o grupo era a força política mais bem organizada do Egito até a repressão do Estado contra seus partidários e líderes. Centenas de supostos simpatizantes de Mursi foram condenados e centenas de outros estão à espera de decisões finais. Os casos provocaram indignação entre grupos de Direitos Humanos e Governos ocidentais[5].

A onda de insurgência islâmica que tem atingido o Egito tem se baseado principalmente na península do Sinai, perto de Israel, desde que o Exército derrubou Mohamed Mursi, presidente eleito pela Irmandade Muçulmana, em julho do ano passado[1][6].

O ataque em Marsa Matrouh ocorreu em retaliação a uma ofensiva pesada das forças de segurança sobre partidários de Mursi, que deixaram centenas de mortos[2]. Apoiadores do ex-presidente deposto pelo Conselho Militar continuam a protestar nas ruas do Egito e a polícia responde com violência, com registros de mortes de manifestantes[7]. A insurgência islâmica, que reforçou seus ataques no último ano, já matou dezenas de soldados e policiais e contesta a sangrenta repressão por parte das autoridades egípcias[4].

Muitos desses ataques abalaram não apenas o Sinai e incluíram atentados e assassinatos de altos oficiais. Desde a remoção de Mursi pelo Exército, a repressão policial contra os seus apoiadores já deixou mais de 1.400 mortos em confrontos de rua, mais de 15 mil presos e cerca de 200 condenados à morte. O próprio Mursi e diversos líderes de seu movimento também estão sendo julgados[4].

O atual Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, tem repetidamente manifestado preocupações quanto aos militantes domésticos que capitalizam sobre o caos na Líbia e estabelecem operações ao longo da fronteira. O que acrescenta uma fonte adicional de instabilidade à economia egípcia, que luta para se recuperar de mais de três anos de turbulência política[1][6].

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Imagem Troca de tiros entre policiais e militantes egípcios na estrada deserta que liga Alexandria à Matrouhem 5 de Agosto” (Fonte):

http://www.arabtoday.net/geygef-geyqhk/2%20militants%20killed%20officer%20injured%20in%20Matrouh%20fire%20exchange.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/08/05/us-egypt-security-idUSKBN0G528T20140805

[2] Ver:

http://www.washingtonpost.com/world/middle_east/egypt-militants-attack-checkpoint-kill-5-police/2014/08/06/df26bc66-1d3d-11e4-9b6c-12e30cbe86a3_story.html

Ver também:

http://www.springfieldnewssun.com/ap/ap/top-news/egypt-militants-attack-checkpoint-kill-5-police/ngwcS/

[3] Ver:

http://thecairopost.com/news/120916/news/five-policemen-killed-in-armed-attack-in-matrouh

[4] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/egypt/10978528/Eyptian-troops-killed-with-rocket-propelled-grenades-at-checkpoint.html

[5] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/egypt-sentences-12-brotherhood-supporters-convicted-murder

[6] Ver:

http://english.alarabiya.net/en/News/middle-east/2014/08/06/At-least-nine-killed-in-shootout-in-Egyptian-coastal-town-sources-say.html

[7] Para mais informações sobre as atuais violações de Direitos Humanos pelo governo egípcio ver:

https://ceiri.news/egito-forte-alta-nos-precos-dos-combustiveis-e-eletricidade/

 

About author

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).
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