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Eleições Gerais na Espanha e o desafio Ibérico

A Espanha voltou às urnas no dia 26 de junho para escolher novamente quem será o líder do Governo nos próximos quatro anos. Na eleições gerais ocorridas no dia 20 de dezembro de 2015, o país já havia escolhido Mariano Rajoy – líder de direita do Partido Popular –, mas o candidato eleito não conseguiu convencer as demais lideranças do Parlamento e, após sucessivos fracassos nas negociações, o Rei da Espanha – autoridade representativa máxima do Estado – teve que dissolver o Parlamento e convocar essas novas eleições que foram realizadas no dia 26.

Pesquisas de opinião, analistas e meios de comunicação indicavam um avanço constante dos novos Partidos – tanto de direita (Partido Cidadãos) como de esquerda (Partido Podemos) – frente ao detrimento das forças políticas já estabelecidas na Espanha.

Dias antes das eleições, o Podemos já se posicionava como segunda maior força política, frente a uma queda da popularidade do Partido Popular, devido a uma série de áudios do Ministro do Interior, Jorge Fernandez Díaz, que vazaram, relacionando o mesmo aos esquemas de corrupção, nos quais está envolvida grande parte da cúpula partidária, havendo apreensão de documentos na sede do mesmo, semanas antes das eleições.

As questões principais do debate político foram o desemprego (superior a 22%) e o combate a corrupção. Ainda assim, os resultados eleitorais surpreenderam e o partido de Mariano Rajoy voltou a ganhar o pleito, e com maior número de votos.

Um dos fatores que afetou a formulação de poder na Espanha e finalmente o voto dos eleitores foi a realização do Referendum no Reino Unido. A Espanha possui uma considerável colônia de imigrantes nos países britânicos, além da delicada relação entre o Estado espanhol e o território de Gibraltar, que permanece sob domínio do Reino Unido, embora seja historicamente reivindicado pela Espanha. Com a vitória do Brexit, os espanhóis votaram em massa nos conservadores que se caracterizam por sua campanha de maior integração com a União Europeia e fortalecimento da Espanha dentro do Bloco.

Outro fator de peso nas eleições foi a questão da Venezuela e o fato de tanto o representante da nova direita como da nova esquerda espanhola terem visitado o país, havendo o crescente temor de uma súbita mudança do alinhamento geopolítico do Estado espanhol em direção à América Latina e aos seus ideais, aumentando, assim, os votos dos partidos tradicionais de direita e de esquerda. O resultado chegou a ser questionado e uma série de notícias denunciavam fraude nas eleições, embora não tenha havido, até o momento, nenhum recurso oficial ao órgão responsável pelas eleições.

Com a vitória, Mariano Rajoy volta ao olho do furacão e novamente deverá negociar sua posse dentro do Parlamento, mas sob a ameaça de uma sociedade fragmentada e de um crescente movimento nacionalista na Catalunha, que deseja fortalecer suas reivindicações por separar-se da Espanha, mas permanecer na União Europeia, igualando-se às reivindicações da Escócia em relação a sua independência do Reino Unido, ou seja, igualando-se nas reinvindicações para obter maior autonomia.

A União Europeia trabalha para minimizar os efeitos do Brexit no Bloco, porém um novo cenário político começa a ser desenhado e, sem dúvidas, a Espanha, como quarta economia do Bloco europeu, deverá se posicionar frente ao desafio interno e externo que o país enfrenta.

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Imagem (Fonte):

http://www.zoomnews.es/sites/default/files/images/201312/votantes1_pp_getty221213.jpg

About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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