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Em desafio à Rússia, EUA aumentam número de tropas militares na Polônia

Desde 2017, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) vem aumentando de forma significante suas tropas no leste europeu. Isso faz parte de um movimento de reforço denominado de eFP (do inglês “enhanced Forward Presence” – “reforço de Presença Avançada”), com o intuito de demonstrar uma postura militar de dissuasão na Europa Oriental e agir como uma primeira linha de defesa, no caso de um possível ataque ou invasão por parte da Rússia, que, segundo autoridades da Organização, vem demonstrando “comportamento agressivo” desde que se envolveu em conflitos militares com a Ucrânia e anexou a península da Crimeia como parte de seu território.

Localização territorial do exclave russo Kaliningrado

Os grupos de batalha multinacionais desse reforço, compostos por aproximadamente 4 mil combatentes, estão estacionados nos países bálticos da Estônia, Letônia e Lituânia, além da Polônia, que, particularmente, receberá mais 1.000 militares norte-americanos, proposta essa anunciada em 2 de setembro (2019) pelo Vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, juntamente com Presidente polonês, Andrzej Duda, quando esteve em visita à Varsóvia, capital da Polônia, para o encontro bilateral em lembrança dos 80 anos do início da Segunda Guerra Mundial.

Localização territorial do exclave russo Kaliningrado

Para analistas militares, o pequeno número de combatentes da OTAN que atualmente estão de prontidão nas proximidades das fronteiras denominadas como “linhas vermelhas”* não significa uma falta de capacidade militar, pois, poderão servir como “detonadores”, em caso de agressão, sendo capazes de iniciar uma reação massiva da OTAN, que já tinha como plano o aumento de até 40 mil soldados como nova força de reação rápida, além da construção de um escudo anti-mísseis e a criação de uma divisão específica de inteligência e segurança conjunta.

Para especialistas, os movimentos militares no leste europeu por parte não só da OTAN, como também da Rússia, fazem parte do que foi chamado o ressurgimento de uma nova Guerra Fria entre antigos rivais ideológicos. A Rússia, por sua vez, também executou manobras que, segundo o Ministro da Defesa da Federação Russa, Serguei Choigu, foram medidas amplas para frustrar ameaças emergentes à soberania russa, dentre elas estão o reforço de tropas militares nas fronteiras dos países bálticos e a especulação de transferência efetiva de ogivas nucleares para a região de Kaliningrado, exclave europeu da Federação Russa localizado entre a Polônia e a Lituânia.

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Nota:

* Por estarem próximos da Rússia e de territórios de países considerados anteparos estratégicos, como Bielorússia (aliado da Federação Russa) e Ucrânia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tropas militares norteamericanas” (Fonte): https://www.brookings.edu/wp-content/uploads/2017/02/us_military_poland001.jpg

Imagem 2 reforço de Presença Avançada – OTAN” / “enhanced Forward Presence – NATO”  (Fonte): https://www.nato.int/nato_static_fl2014/assets/pdf/pdf_2017_03/20170315_170314-eFP-map.pdf

Imagem 3 Localização territorial do exclave russo Kaliningrado” (Fonte): https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Kaliningrado#/media/Ficheiro%3AKaliningrad_map.PNG

About author

Mestrando no programa de Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais (PUC-SP) na linha de pesquisa em Cooperação Internacional. Especialista em Política e Relações Internacionais (FESPSP) e habilitado em Iniciação Científica em Defesa, pela Escola Superior de Guerra (ESG-RJ). Cursou MBA em Economia de Empresas (FEA-USP) e graduou-se como Bacharel em Ciências Econômicas (CUFSA). Especialista em Docência no Ensino Superior (SENAC) atuou durante 7 anos como educador voluntário no Projeto Formare da Fundação Iochpe, ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Como articulista no Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) escreve sobre política e economia da Eurásia.
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