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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Em meio à pandemia global, exportações chinesas apresentam aumento inesperado no mês de julho

Impulsionado pela crescente demanda no exterior por eletrônicos, suprimentos médicos e outros bens a serem usados em quarentenas em todo o mundo, o crescimento das exportações da China ultrapassou as expectativas para julho (2020), com as vendas para o exterior 7,2% maiores em relação a 2019. Por outro lado, as importações chinesas contraíram 1,4% em relação ao ano anterior (2019), pior do que as previsões dos analistas em termos de dólares, informa o jornal South China Morning Post.

Um grupo de economistas consultados pela empresa de consultoria americana Bloomberg havia previsto que as exportações cairiam 0,7% em dólares americanos, enquanto as importações deveriam aumentar 0,8%. O aumento nas exportações ocorre depois de um mês melhor do que o esperado em junho (2020), quando as exportações demonstraram um crescimento de 0,5%. No entanto, as importações caíram após um crescimento de 2,7% em junho (2020). A balança comercial da China em julho (2020) ficou em 62,3 bilhões de dólares (aproximadamente 338,4 bilhões de reais, segundo a cotação de 7 de agosto de 2020) e superou os 46,2 bilhões de dólares em junho (2020) (aproximadamente 251,2 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 7 de agosto de 2020). 

Os analistas apontaram os grandes envios de suprimentos médicos e “equipamentos para trabalho em casa” como razões por trás do aumento nas exportações. Na verdade, como outras economias ao redor do mundo entraram e saíram de quarentenas diversas vezes, os exportadores chineses parecem ter sido os beneficiários. Além disso, a China não experimentou o colapso das exportações devido à queda na demanda nos mercados desenvolvidos que muitos temiam no início da pandemia. O país também pode ter se beneficiado por ter sido a primeira economia industrial a entrar em operação, com seus exportadores preparados para capitalizar a ausência de concorrência estrangeira.      

Ministro da Defesa indonésio, Prabowo Subianto, recebe equipamento médico chinês exportado para a Indonésia (março de 2020)

Louis Kuijs, analista da Ásia-Pacífico na Oxford Economics, observou: “Em julho, a força das exportações foi em grande parte impulsionada por eletrônicos – especialmente ‘equipamentos de processamento automático de dados’, telefones celulares, eletrodomésticos, dispositivos de áudio e vídeo – e produtos de alta tecnologia, com categorias tradicionais como plástico e têxteis também contribuindo bem”.

As exportações chinesas superaram o comércio global e as expectativas deste analista em 20% a 25% no segundo trimestre”, afirmou Tomas Gatley, da consultoria britânica Gavekal Dragonomics, acrescentando que grande parte do crescimento foi devido à fraqueza nas exportações de outros países, bem como demandas relacionadas à COVID-19.

De março a junho de 2020, o comércio da China foi alimentado por grandes vendas de equipamentos médicos e de proteção. Isso continuou a contribuir para o crescimento em julho (2020), com a análise dos dados alfandegários chineses mostrando um aumento de 78% em relação a 2019 nas vendas internacionais de equipamentos médicos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Exportações chinesas apresentam aumento inesperado no mês de julho” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:YM_Orchid_(ship,_2000)_002.jpg

Imagem 2 Ministro da Defesa indonésio, Prabowo Subianto, recebe equipamento médico chinês exportado para a Indonésia (março de 2020)”(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/79/Serah_terima_peralatan_medis_dari_Republik_Rakyat_Tiongkok_atas_pandemi_COVID-19.jpg

About author

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Durante a graduação, foi bolsista do Programa Santander Universidades na Universidade de Coimbra, em Portugal. Integra o Grupo de Pesquisa Pensamento e Política no Brasil da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase nas linhas de pesquisa de Pensamento Político Brasileiro e de Relações Internacionais, atuando principalmente nos estudos sobre Política Doméstica e Externa da China, Segurança Internacional, Diplomacia e Diásporas Asiáticas. Associado à Midwest Political Science Association (MPSA).
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