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Em nome do Rei e da Espanha

Desde as eleições presidências, no dia 20 de dezembro do ano passado (2015), a Espanha continua sem um Presidente instituído. O candidato à reeleição, Mariano Rajoy, do Partido Popular, venceu as eleições, mas não conseguiu formar Governo, após diversas tentativas de estabelecer alianças políticas capazes de lhe fornecer a necessária maioria no plenário.

O Partido sofreu com os reflexos da já superada crise econômica e por uma série de escândalos políticos comparáveis ao Mensalão Brasileiro, onde até mesmo a ex-princesa Cristiana – pois seu irmão, o atual rei Felipe VI lhe retirou o título – se viu implicada em uma trama de desvios e tráfico de influências.

O Monarca espanhol, reforçando seu papel na Monarquia Parlamentar espanhola, teve que interferir no processo presidencial e indicar um candidato para formar o novo Governo. Seu escolhido foi o representante de esquerda, Pedro Sanchez, do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), que já presidiu o país antes do início da crise financeira. A Pedro Sachez lhe foi imbuída esta árdua tarefa. E, para isso, teve que se reunir com todos os líderes dos Partidos que compõe a Câmara espanhola, sendo o mais cotado para uma coalizão o líder do novo partido de esquerda: o Podemos.

Para formar tal aliança é necessário existir sinergia dos diferentes planos de Governo de cada agremiação partidária em prol de um plano comum, sendo o mesmo pautado nas questões que mais preocupam a sociedade espanhola, as quais são: o desemprego, que ainda supera 20%, e persiste, mesmo o país superando a crise; a questão da Catalunha e o impacto do processo separatista; o alinhamento Europeu e o papel da Espanha dentro da União Europeia; as políticas para reduzir a crescente desigualdade social e recuperar o estado de bem-estar; o combate à corrupção; por último, mas relacionado aos anteriores, uma possível mudança na formação política e tributária espanhola, sem descartar uma provável mudança na Constituição.

As negociações com o líder do Podemos, Pablo Iglesias, não foram frutíferas o bastante para estabelecer um pacto, já que não houve consenso em relação à possível divisão de cargos e à formação da equipe de Governo, além das políticas orçamentárias. O novo Partido de centro-direita, o Cidadãos, liderado por Albert Rivera, por outro lado, se mostrou disponível a negociar, chegando a um acordo histórico na Espanha.

A Espanha, assim como a grande maioria dos países desenvolvidos, sempre se caracterizou por um panorama bipartidário e pendular, com o revezamento entre a esquerda e a direita, no comando do país. Esta, por sua vez, será a primeira situação em que uma aliança central tenta governar o país Ibérico.

Apesar da aliança, a Espanha continua em um turbilhão político. Este novo pacto não compõe maioria absoluta no plenário, pelo que o candidato Pedro Sanchez deve negociar com parcelas de políticos dos demais partidos, buscando apoio na votação, ou, ao menos, abstenção de votos e, dessa forma, ser instituído como Presidente do Reino da Espanha.

Com essa aliança estratégica, o Partido Socialista Obreiro Espanhol deseja atrair um número de políticos frustrados após os escândalos que enfrentam o Partido Popular e, ao mesmo tempo, atrair parte dos votos da nova esquerda espanhola – Podemos – e dos partidos nacionalistas que veem no candidato um caminho para o diálogo regional.

O candidato do Partido Popular e vencedor das eleições, Mariano Rajoy, ofereceu seu apoio a Albert Rivera, ainda que seu papel no Governo irá oscilar, pois o mesmo não compactua com o Plano de Governo do PSOE. Ainda assim, a Espanha parece, aos poucos, encontrar uma solução para o impasse presidencial e Pedro Sanchez, nomeado pelo Rei, para a formação do Governo, pode ser transformar em uma espécie de Artur com seus cavaleiros da Távola Redonda, unindo a Espanha em um complexo pacto em nome do Rei e da Coroa.

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Imagem (Fonte):                                                                                                                      

http://www.periodistadigital.com/imagenes/2015/12/01/albert-rivera-ciudadanos-pedro-sanchez-psoe-y-pablo-iglesias-podemos.jpg

About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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