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Empresas automobilísticas chinesas levam IED para nações estrangeiras

Nos últimos anos, as empresas automobilísticas chinesas vem investindo, algumas vezes de forma agressiva, nos mercados emergentes, dentre eles o Brasil. Mas, além desses mercados, essas empresas também voltam suas atenções para a África, partindo de Moçambique. A nação africana passará a ser um produtor e exportador de automóveis após a conclusão de investimentos que estão sendo feitos neste setor.

A empresa “China Tong Jian Investiment” já anunciou que pretende construir uma fábrica em Moçambique, com um aporte de recursos que vai superar os 200 milhões de dólares norte-americanos e já estava sendo negociado desde o ano de 2010. O empreendimento espera ter 30% de sua produção para o mercado consumidor moçambicano e 70% dela voltada para as exportações. Esta iniciativa já mobiliza outros setores da economia local e desperta interesse de outras corporações asiáticas e do “Oriente Médio”.

Muitas empresas estão estudando a entrada no mercado de componentes, como peças mecânicas, pneus e outros produtos para atender às necessidades da fábrica chinesa, num movimento semelhante ao que ocorreu no Brasil, quando a empresa Chery anunciou a construção de uma fábrica no país. No país africano existem pequenas empresas do setor que estão falindo, o que pode proporcionar uma nova gama de investimentos asiáticos, os quais terão algumas facilidades para entrar no mercado local.

A “China Tong Jian” tem como maior acionista a empresa neozelandesa “Morgan Fundation”, que concentra suas atividades em promover as relações China-África e vem obtendo resultados positivos em suas ações. Moçambique é um dos focos deste grupo, o qual se tornou especialista em captar financiamento para investir na região, trabalhando com constantes rodadas de negócios e “Feiras Comerciais” que estão tornando esta nação africana uma plataforma de produção e exportação de seus produtos para toda o continente.

Os acionistas do grupo agora deverão acompanhar com mais atenção tanto o mercado local moçambicano, quanto os demais mercados do continente africano, pois as projeções de consumo na região podem gerar mais negócios em todo o continente. Em Moçambique, o “Programa Econômico e Social 2013” anunciado pelo Governo prevê crescimento acima de 17% no setor financeiro e na casa dos 14% nos transportes e em outros setores, o que poderá facilitar a venda de automóveis particulares, de utilitários, ou seja, de veículos destinados ao cotidiano dos trabalhadores e empresários africanos.

O investimento chinês na África pode ganhar boa parte do mercado local, assim como vem ocorrendo no Brasil. Um exemplo do que ocorre em solo brasileiro, respaldando esta afirmação, se dá na inauguração da fábrica da montadora Chery na cidade de Salto, interior do estado de “São Paulo”. Após a abertura da unidade e com a publicidade e a propaganda realizadas, a empresa vem ganhando espaço no mercado nacional.

Esta é uma empresa que investe no mercado brasileiro neste período em que as vendas de automóveis não param de crescer, conforme os dados apresentados nesta semana pelo anuário da “Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores” (Anfavea), onde consta que a venda de veículos subiu 16,1% quando comparada ao mesmo período do ano passado (2012).

Com o aquecimento no setor, embalado pela redução do “Imposto de Produtos Industrializados” (IPI), pelo aumento dos créditos para alavancar o consumo e com um certo aumento da renda dos brasileiros, a produção de automóveis, de caminhões e de outros veículos manteve o crescimento, justificando os investimentos realizados pelas empresas do seguimento no Brasil. Neste cenário, as corporações asiáticas, como a sul-coreana Hyundai e as chinesas “Jac Motors” e a já citada Chery, passaram de meras coadjuvantes a competidoras fortes com as já tradicionais empresas instaladas no Brasil.

No entanto, o movimento dos chineses em investir no estrangeiro reflete um ponto interessante do mercado e da economia da China, que, enquanto abre espaço em seu território para receber empresas estrangeiras, vê as corporações nacionais investirem fora do território chinês. Isso ocorre pelo fato de as empresas chinesas fabricarem veículos baratos e populares, algo que tem agradado os mercados dos países emergentes, como é o caso brasileiro, e de Moçambique, enquanto na China os consumidores com melhores condições financeiras demandam por marcas importadas de origem européia e japonesa.

Assim, a tendência é de que as firmas chinesas que já tem a sua parte do mercado doméstico consolidado busquem outros países onde há potencial de venda. Por isso, mantém-se no cenário econômico global uma expressiva gama de investimentos disponíveis que poderão ser bem aproveitados por países que já detém operações físicas dessas gigantes chinesas, como é o caso do Brasil, que também é visto como uma plataforma de entrada para a “América do Sul”, significando, portanto, mais possibilidades de captação de recursos internacionais para os brasileiros.

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Fonte consultadas:

VerSeminário de oportunidades em Moçambique”:

http://www.chinatongjian.com/En/yantaohuiDiv/index.html

Ver China Tong Jian Investment Co.”:

http://www.chinatongjian.com/En/news_show.asp?id=876

VerANFAVEA”:

http://www.anfavea.com.br/anuario.html

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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