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[:pt]Enquanto a Catalunha quer se separar, o Chipre deseja se unir[:]

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Na última sexta-feira, dia 16 de dezembro, a Presidenta do Parlamento da Catalunha, Carme Forcadell, foi acompanhada de centenas de militantes para depor no Tribunal Superior de Justiça da Catalunha em Barcelona.

Carme Forcadell foi acusada de prevaricação e desobediência, por permitir que no dia 27 de julho de 2016, o Parlamento catalão colocasse em pauta a votação para o processo constituinte da nova República da Catalunha, sendo este o início do procedimento de separação com a Espanha.

Durante sua defesa, Carme Forcadell declarou que a principal função do Parlamento é colocar em pauta os temas que preocupam a população e que é um direito da região debater sobre seu futuro e sobre os desejos do povo, sendo este um direito também reconhecido nas esferas internacionais.

A Espanha tentou por diversas vezes impedir o andamento do processo e jamais permitiu a realização de um referendum oficial, ainda que tenha havido um Referendum organizado pelo Governo da Catalunha e outro atrelado às votações do Parlamento. O Tribunal Constitucional da Espanha instou Carme Forcadell a retirar da pauta qualquer votação referente ao processo de cisão, considerando que a mesma desobedeceu a máxima autoridade judicial espanhola e feriu cláusulas importantes da Constituição em relação à coesão territorial e indivisibilidade do país.

Ainda que a Catalunha continue com o processo de separação e já trabalhe em sua Constituição, a Espanha ainda possui soberania na região e pode – segundo a Carta Magna espanhola – destituir todo o Governo Catalão ou até mesmo fazer o uso da força para coagir o mesmo, embora saiba que o processo possui forte apoio público e que cada ano aumenta o número de cidadãos catalães que se manifestam a favor da separação nas comemorações no dia nacional da Catalunha.

Já do outro lado do mediterrâneo o clima parece ser bastante diferente. A Ilha de Chipre, que atualmente se divide em 3 territórios (uma parte cipriota grega, outra cipriota turca e outra ocupada por bases britânicas) esteve durante 42 anos fragmentada, mas, recentemente, aumentou o número de manifestações a favor da reunificação, promovendo o começo das negociações com os governos dos dois territórios que entram na negociação: o lado grego e o lado turco.   

Autoridades de ambos se reunirão no dia 9 de janeiro em Genebra (Suíça) para negociar o processo de reunificação do território, colocando fim há anos de tensões políticas e sociais. A possível reunificação do Chipre também será benéfica para a relação da Turquia com a União Europeia (EU), já que a região turca da Ilha não era reconhecida pela UE, mas apenas pela Turquia.

A Europa foi o continente que mais sofreu alterações em seus territórios. A visão que compartilha o resto do mundo com nações europeias, tais como Alemanha, França e Espanha são, na verdade, construções recentes que surgiram no século XIX e se fortaleceram após a II Guerra Mundial, e alguns países chegaram a desaparecer dos mapas em determinados períodos, como a Polônia. O passado dessas nações é composto por invasões, separações, cisões, unificações e reunificações territoriais que se refletem em determinados pontos da geografia europeia e que futuramente podem ser foco de novas modificações.

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ImagemPresidenta do Parlamento da Catalunha Carme Forcadell” (Fonte):

http://estaticos.elperiodico.com/resources/jpg/9/5/presidenta-del-parlament-catalunya-carme-forcadell-acudido-esta-manana-tsjc-1481883758859.jpg

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About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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