NOTAS ANALÍTICAS

Entre o “sonho olímpico” e a Fé

Para três mil atletas que estarão nos “Jogos Olímpicos de Londres”, que começarão dia 27 de julho, o sonho de participar do maior evento esportivo do mundo pode ser prejudicado por uma “questão de fé”. Uma semana antes do início da competição começa o Ramadã, o mês sagrado dos mulçumanos. Durante os trinta dias do “período de renovação da fé” e de maior contato com a religião, os mulçumanos jejuam entre o nascer do sol e o pôr do sol. Para um atleta, isso significa comprometer sua performance e todo o trabalho que foi realizado nos últimos anos para que sua participação nos Jogos fosse conquistada.

 

A coincidência de datas já era conhecida por atletas, pelo “Comitê Olímpico Internacional” (COI) e pelos “Comitês Olímpicos” nacionais de todos os países mulçumanos que terão participantes na competição e isso levou à permissão aos atletas para que adiassem o “período de jejum”, entretanto há quem se posicione contra essa atitude e afirme que os “Jogos Olímpicos” não são desculpa para que a tradição islâmica seja quebrada. Além disso, desde que o assunto se tornou de conhecimento geral, o COI encomendou diversas pesquisas para entender quais os efeitos que o jejum pode vir a causar nos atletas que estarão disputando os Jogos. Chegou-se a conclusão de que todos sofreriam com a falta de alimento e líquidos, especialmente porque a grande maioria das competições ocorrerão durante o dia, ou seja, no mesmo período do Jejum determinado pelos preceitos religiosos e também o momento de maior desidratação.

Alguns atletas, contudo, sofreriam mais do que os outros, como é o caso do ciclista malaio, Azizulhasni Awang, que já disse à impressa que irá adiar o seu período de Jejum para não prejudicar a busca pela medalha de ouro. Vários desportistas, entretanto, acreditam que o período do Ramadã pode ajudá-los, mesmo em jejum, por causa do nível de concentração e de sua disciplina mental e espiritual, típicas do mês sagrado.

Enquanto os estudiosos da religião discutem se a atitude de adiar o Jejum deve ser tomada ou não pelos atletas, estes também se dividem quanto atitude que devem tomar durante o período da competição. Por mais que exista essa possibilidade de adiamento, a forte cultura e o respeito às tradições fazem com que uma parte dos competidores abram mão do condicionamento físico pleno e cumpram com os ensinamentos da religião. Independentemente da escolha que eles fizerem, o espaço de congraçamento das Olimpíadas terá instalações especiais para os mulçumanos, que também contarão com 150 clérigos para auxiliá-los, além de kits de alimentação e hidratação especiais.

Assim, qualquer que seja a decisão tomada pelos inúmeros atletas que estão classificados para as Olimpíadas, o COI tem uma maior preocupação neste curto período de pouco mais de um mês para o início da Competição. Dentro deste cenário, conforme se pode inferir de várias posições de observadores, não cabe julgar os atletas ou a organização, mas destacar que existem detalhes religiosos e místicos que fogem ao controle e devem ser respeitados. Se a intenção dos “Jogos Olímpicos” é unir os grandes atletas do mundo neste momento, torna-se necessário considerar as crenças e as religiões disseminadas pelo mundo antes de se montar o calendário das competições.

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Fontes:

Ver:

http://esporte.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2012/05/22/ramada-e-desafio-extra-para-atletas-muculmanos-na-olimpiada.htm

Ver:

http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2012/06/08/mes-sagrado-dos-muculmanos-divide-atletas-que-terao-de-jejuar-nas-olimpiadas.htm

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