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Equador e a Política Externa para a Paz

A política externa equatoriana na administração Lenín Moreno volta-se à edificação da paz. No dia 18 de julho de 2017 ocorreu a segunda mesa redonda que promove as formulações ao plano Nacional de Desenvolvimento de políticas públicas, intitulada a “Construção da Paz”.

Neste evento, a chanceler Maria Fernanda Espinosa afirmou que são os princípios constitucionais os responsáveis pelo Equador ser um espaço de paz. Ao mencionar que seu país proibiu a instalação de bases estrangeiras em seu território, referia-se às ações que permitiram ao Equador recuperar o controle total sobre a Base Aérea de Manta, o que obrigou os militares estadunidenses a deixarem o país.

Em sua fala, Espinosa ratificou também os esforços em intermediar os acordos de paz entre o Exército de Libertação Nacional e o Governo da Colômbia e destacou a postura positiva de seu país ao aderir ao Tratado de não Proliferação Nuclear (TNP).

A chanceler equatoriana Maria Fernanda Espinosa

A visita à Nicarágua foi uma das primeiras viagens da chanceler equatoriana e, em Manágua, participou da celebração do 38° aniversário da Revolução Sandinista. Diante de inúmeras bandeiras das forças sandinistas, afirmou: “Esta referência é exemplo de que é possível construir um país próspero, igualitário e democrático na Revolução; esse é o exemplo, essa é a lição que deixa a nós a Nicarágua”. Em seu twitter a chanceler escreveu: “Regressamos ao Equador com o compromisso de voltar”.

A História demonstra que a relação do Equador com seus vizinhos nem sempre foi calma. Existem algumas ocorrências nos últimos nove anos. Em 2008 ocorreu uma crise entre Colômbia, Equador e Venezuela, quando o número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Raul Reyes, foi morto pelo Exército Colombiano em território equatoriano, sendo uma violação da sua soberania. Na ocasião, a Venezuela de Hugo Chaves interferiu em apoio ao Equador e os dois países anunciaram a retirada imediata de seus embaixadores em Bogotá. O fato resultou no pedido de desculpas do então chanceler colombiano Fernando Araújo.

Em 2013, as forças equatorianas abateram cinco membros de um grupo armado colombiano, não identificado. O confronto ocorreu na região do Rio São Miguel, em Putumayo, área de fronteira com a Colômbia. Na ocasião, o chanceler Ricardo Patiño solicitou ao Governo da Colômbia o reforço dos controles sobre a área de fronteira entre os dois países.

Diante destes fatos, identifica-se que o quadro político da região melhorou nos últimos anos. O papel de mediador exercido pela Equador e o avanço representado pela sua política externa de paz são notícias importantes para a estabilidade política sul-americana. A atual situação na Venezuela tem sido preocupante aos líderes e sociedade regionais, sendo expressiva a existência de experiências como essa na região.   

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A chanceller Maria Fernanda Espinosa na Nicarágua falando aos sandinistas” (Fonte):

https://twitter.com/mfespinosaEC/status/888074870592024576

Imagem 2 A chanceler equatoriana Maria Fernanda Espinosa” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/dgcomsoc/35873956591/in/album-72157684190983190

About author

É doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e letras da UNESP - Araraquara - SP. É Mestre em História desde o ano de 2003 pelo programa de Pós - Graduação em História da UNESP de Franca/SP, atuando principalmente nos seguintes temas: História, política, democracia, militarismo, segurança, defesa e Relações Internacionais. Membro do Grupo de Pesquisas sobre História Política e Estratégia - GEHPE-UFMS e do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia - NPPA (FCLAr UNESP). É professor de História da América da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS - campus de Coxim/MS
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