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ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

ESPECIAL – Choque entre Catalunha e Espanha: o início de uma possível secessão

Após uma semana de tensões entre o Governo da Espanha e o da Catalunha, a região separatista manteve o Referendum programado para o dia 1o de outubro sob o cerco das forças nacionais espanholas.

Idosa sendo levada pela polícia espanhola

O Governo central de Madrid proibiu a consulta popular por considerar a mesma inconstitucional e mobilizou grande parte do contingente espanhol para a região da Catalunha. Dois de cada três policiais espanhóis estavam na região nos últimos dias, com o objetivo de evitar a votação e cumprir com as determinações de Madrid e do Tribunal Constitucional.  

Ainda que tenha ocorrido a requisição de urnas, cartazes e cédulas, o Governo da Catalunha decidiu manter a votação, e uma comissão de deputados da União Europeia, além de um observador de Israel, acompanharam todo o processo.

O dia da votação ficou marcado na história da Espanha como o episódio mais violento desde a instauração da democracia. Mais de 800 pessoas foram feridas em sua tentativa de votar nos colégios eleitorais estabelecidos pelos governantes da Catalunha que foram bloqueados pelo Governo espanhol.

A legalidade, tanto das ações catalãs quanto as de Madrid, são outro ponto de inflexão, já que o presidente espanhol Mariano Rajoy atuou sem ativar o artigo 155 no Congresso dos Deputados, sendo acusado de atuar sem o consenso parlamentar. Já o Governo da Catalunha é acusado de desobediência.

Imagens de anciãs e crianças sendo removidas a força por policiais espanhóis chocaram o mundo e trouxeram à tona a situação da democracia na Europa, ganhando uma maior relevância na comunidade internacional.

Cartaz com a frase: ‘Votar é Democracia’

Segundo a legislação europeia, o direito à liberdade de expressão, o direito ao voto e o direito de decisão são fundamentais para o funcionamento do Bloco, e mesmo que as principais potências já tenham demonstrado apoio ao Governo central de Madri, a atuação das forças de segurança obrigou a União Europeia a repensar a situação.

Apesar do fechamento de algumas escolas, mais de 2,2 milhões de pessoas votaram, uma participação superior a 44% que segundo o governo da Catalunha poderia ter sido maior, caso não houvesse a intervenção da Espanha. Estima-se que 700 mil votos não foram contabilizados devido a requisição das urnas.

O resultado foi que 89% dos eleitores votaram a favor da separação da Catalunha e a fundação de uma nova república, embora o processo deva se dilatar e ainda dependa de uma série de fatores.

O Governo catalão já declarou no passado a República da Catalunha, mas nunca chegou a concretizar o processo. Agora, com o apoio de grande parte da sociedade e a atenção da União Europeia, o nacionalismo catalão talvez tenha iniciado um processo de secessão para o qual as próximas quarenta e oito horas são vitais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Cartaz em Manifestação: ‘Democracia  Dignidade – Direitos’” (Fonte):

http://g8fip1kplyr33r3krz5b97d1.wpengine.netdna-cdn.com/wp-content/uploads/2017/05/GettyImages-634001272-1160×773.jpg

Imagem 2 “Anciã sendo levada pela polícia espanhola” (Fonte – Foto de David Ramos):

http://www.infobae.com/new-resizer/dGHuMwVG2ZrBc7nAOFgTjHaQj00=/600×0/s3.amazonaws.com/arc-wordpress-client-uploads/infobae-wp/wp-content/uploads/2017/10/01114910/anciana-represion-referendum-cataluna-1920.jpg?token=bar

Imagem 3 “Cartaz com a frase: ‘Votar é Democracia” (Fonte):

https://cdnmundo2.img.sputniknews.com/images/107277/79/1072777901.jpg

About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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