ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Especificidades da economia chinesa

A maior economia da Ásia está gerando boas perspectivas para este ano de 2013. O cenário de que o PIB chinês se mantenha acima de 7% tem animado os especialistas, tanto quanto os investidores pelo mundo, mas, conforme vêm apontando alguns observadores internacionais, nem tudo corre bem na economia da grande potência oriental.

A economia do país tem chamado a atenção também de especialistas em finanças, em especial neste momento em que tem ocorrido fortes divergências territoriais e diplomáticas da China com algumas nações vizinhas, as quais podem afetar a estabilidade econômica da região e refletir nas agendas de investidores e no mercado financeiro.

No momento, o mercado imobiliário chinês chama a atenção devido aos seus extremos e é um tema que está preocupando intensamente os analistas. As altas e baixas do mercado imobiliário tem se tornado um assunto que ganha holofotes, pois ele pode ser um ponto a desestabilizar a economia local e regional.

Segundo dados de pesquisas chinesas, apresentados por Gao Zitan para o “Epoch Times”, em mais da metade das grandes e médias cidades do país o mercado imobiliário tem apresentado queda superior a 40%, sendo que, dentro desta marca, as baixas mais drásticas levaram a falência de empresas ligadas ao ramo. Na China, a mídia divide as cidades em níveis. No primeiro nível estão cidades grandes e importantes como Beijing, Shanghai, Guangzhou e Shenzhen. Outras cidades, que embora grandes não apresentam tanta importância, são colocadas no nível dois.

Naquelas cidades do primeiro bloco há dados que informam uma recuperação do mercado imobiliário. Em “Hong Kong”, por exemplo, uma das cidades mais caras do mundo para se adquirir imóveis, o governo local já estuda meios para evitar o esfriamento do mercado, dentre eles os investimentos em serviços de inteligência para combater a corrupção e a redução de impostos. Essas medidas são apenas algumas das que estão sendo pensadas e adotadas para evitar um declínio de preços como o que ocorreu em Wenzhou, cuja queda chegou a 13%.

Observadores apontam que os governantes de algumas cidades ainda não sabem como enfrentar a situação. Não sabem se terão de subsidiar as empresas do setor ou se terão de criar políticas públicas para reduzir impostos e quebras de contratos. Em regiões ao norte do país, há empreendimentos em construção que já estão paralisados devido as quedas que ocorrem no setor e mais de 80% dos projetos estão congelados.

Assustando os observadores, as pesquisas chinesas recolhem dados de empreendimentos em habitação desconsiderando os bairros populares, que têm subsídios diretos do Estado chinês, por isso, a sensação é de que esses os números podem ser ainda mais alarmantes, pois o montante apresentado refere-se apenas às regiões com altos índices de procura por investidores empresariais e por empreendedores que querem residências de alto padrão.

Alguns empresários do setor acreditam que em certas cidades, como Beijing e Shanghai, o valor dos imóveis subirá ainda neste ano devido a grande procura e a pouca oferta de locais para locação, sendo acompanhados em suas visões positivas por especialistas que crêem que a alta nos preços pode ser constantes durante os próximos 10 anos, mas essas são projeções que vão contra a opinião geral de vários  empreendedores e especialistas setor. O economista Andy Xie, por exemplo, citado na matéria do “Epoch Times”, aposta na queda dos preços pelo fato de, contrariamente, identificar que oferta é maior que a demanda.

Observadores internacionais convergem para a opinião de que tantas altas e baixas em diferentes regiões do país, bem como a quantidade de projeções contraditórias, tendem a refletir negativamente na alavancagem de investimentos futuros em solo chinês. Empresas que procuram locação para escritórios e/ou abertura de fábricas podem perder a confiança em algumas publicações, já que tem ocorrido várias divergências nas projeções, algo que  dificulta a criação de cenários e a projeção de investimentos na China.

A alta de preços em uma região também pode desviar um empreendimento para outras áreas mais distantes, o que exigirá novos investimentos em infra-estrutura nesses lugares, algo que requer recursos e, por isso, poderá levar os governos municipais e do Estado a controlar ainda mais as altas e baixas no setor, pois, caso ocorra a injeção de capital para subsidiar algum empreendedor, corre-se o risco de afetar outros setores da economia, como é o caso do mercado acionário e aumentar o risco de desvalorização da oferta, bem como de inflação.

Conforme afirmam os especialistas, no momento, resta aguardar a movimentação das autoridades chinesas diante das necessidades de controle em determinados setores da economia interna e avaliar seus reflexos diante da economia internacional. Sabe-se que a economia chinesa prevalecerá como a mais importante da região asiática e manterá o posto de segunda no globo, mas suas ações em setores específicos, como o imobiliário, poderão determinar comportamentos e reações em cascata ao redor do Globo, uma vez que os Estados Unidos e a Europa ainda não estão em condições de tentar voltar a ditar os rumos do comércio e das finanças internacionais.

————————

Fonte consultadas:

Ver:

http://espanol.cntv.cn/20130205/103841.shtml

Ver:

http://www.epochtimes.com.br/reservas-estrangeiras-da-china-de-3-trilhoes-de-dolares-bencao-ou-maldicao/

Ver:

http://www.redimob.com.br/post/d4ed62a5-0867-45dd-a692-6013203f25da/mercado-imobiliario-chines-sobe-ou-desce/

 

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
Related posts
AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

Rumos geopolíticos entre Rússia e EUA, após as eleições norte-americanas

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

Movimento #EndSARS na Nigéria

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

França, Europa e o apogeu da intolerância

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Após um ano de protestos populares e de sua própria renúncia, Hariri retorna ao posto de Premier no Líbano

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!