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Esterilizadas peruanas abalam a campanha da candidata Keiko Fujimori

As eleições no Peru, que ocorreram no último dia 10, encerraram-se com o resultado de um segundo turno entre dois candidatos: Keiko Fujimori (filha do ex-presidente Alberto Fujimori, a favorita do eleitorado e candidata de centro direita), que disputará com Pedro Pablo Kusczynsk (também candidato de centro-direita).

O grande fato da eleição é que toda política peruana gira em torno dos Fujimori. Keiko Sofia Fujimori, filha de um dos políticos mais emblemáticos da história do Peru, Alberto Fujimori, e de Susana Higuchi, tornou-se a Primeira Dama aos 19 anos, com a separação dos pais. Estes tiveram o descasamento político mais movimentado da história, acontecimento anunciado pela televisão, conforme destaca a revista Veja.

Atualmente, o ex-presidente Fujimori cumpre pena de 25 anos de prisão por ter autorizado a ação de grupos de extermínio contra civis durante sua ação contra a guerrilha, além de ter sido um líder identificado como autoritário e corrupto, que abusou das instituições para se manter no poder, de acordo com o site de notícias BBC.

Durante seu mandato, Fujimori deu ordem de esterilizar as mulheres pobres do Peru em um programa nacional de planejamento familiar, chamado “Plano de Saúde Pública”. Foram esterilizadas forçadamente mais de 340.000 mulheres e 25.000 homens, que só pode ser comparado ao programa de esterilização de Indira Gandhi, na Índia, 1996-1997, conforme ressalta o site Pátria Latina.

E são os descendentes dessas pessoas que prometem abalar a campanha de Keiko até o final das eleições em junho. As “Esterilizadas de Fujimori” prometem um grande protesto até Lima, capital do Peru, caso Keiko se torne Presidente. Essas pessoas alegam terem sido levadas a força para serem operadas e foram enganadas pelos profissionais de saúde com falsas promessas e ou pequenos presentes, com o intuito de cumprir a meta do Governo.

Segundo Romi García, integrante da ONG feminista Demus, que representa 2.074 vítimas na Justiça, “Não foram vítimas urbanas. Foram escolhidos alvos com pouca instrução e pobres, para quem ter filhos está muito ligado à fertilidade da terra”, conforme indica o Jornal Estadão.

Vale ressaltar que a Anistia Internacional trabalha para que o Governo peruano, independente do candidato vencedor das eleições, garanta algum tipo de reparação aos direitos humanos, sobretudo, das milhares de mulheres que foram privadas do direito de decidir sobre sua reprodução.

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Imagem (Fonte):

http://sylviacolombo.blogfolha.uol.com.br/2016/04/05/quem-se-importa-com-as-250-mil-peruanas-esterilizadas-a-forca/

About author

Bacharel em Relações Internacionais e Direito, com especializações em Direito Público Municipal e em Política e Estratégia. Aluna especial no Mestrado Acadêmico em Administração pela UFBa. Possui experiência na área jurídica adquirida em estágios em escritórios de advocacia, Petrobrás, Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados. Tem experiência internacional, em Dublin – Irlanda. Diretora Institucional da BBOSS. Voluntária [email protected] - Project Management Institute – Capítulo Bahia, Diretoria de Alianças e parcerias desde Agosto de 2015.
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