ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Estratégias e tendências para empresas que queiram vender seus produtos na China

O Instituto McKinsey lançou, em parceria com a Nielsen Holdings, um detalhado relatório sobre estratégias de sucesso para empresas que queiram vender seus produtos na China. As informações foram coletadas através de surveys distribuídos entre as maiores companhias locais e internacionais que atuam nos setores de comércio e varejo, abrangendo o período de 2015-2018.

Os principais resultados encontrados indicam que empresas que possuam uma visão específica acerca do mercado local tiveram maior desempenho de vendas. O uso de dados e de feedback dos consumidores para direcionar as campanhas de marketing online e offline foi outro fator de sucesso. Além disso, as companhias que apresentaram maiores volumes de vendas possuem uma cultura corporativa que estimula e recompensa o desempenho dos seus funcionários.

Bandeira e mapa da China sobrepostos sobre o mapa mundi

Realizando uma análise conjuntural, é possível delinear três (3) macrotendências sobre o mercado consumidor da China:

1) O crescimento da classe média e do poder de compra da população. O país possui atualmente mais de 300 milhões de pessoas na faixa de renda da classe média, visto que 43% da população tem uma renda anual de $16,000.00-$35,000.00 dólares norte-americanos. O relatório projeta que no ano de 2025, 66% da população chinesa ocupará esta faixa de renda. Ou seja, mais de 200 milhões de pessoas deverão ingressar em tal categoria nos próximos sete anos, demonstrando um imenso potencial para empresas que queiram se estabelecer na China.

Estes consumidores buscam crescentemente bens de consumo mais sofisticados, por isso, Companhias que possuam diferenciação qualitativa nos seus produtos terão maiores chances de concorrência. Entre os setores de destaque, apontam-se: bebidas alcoólicas; carne bovina; laticínios e seus derivados; cosméticos e produtos de cuidado pessoal, de um modo geral.  

2) A escolha da localização adequada é um fator muito relevante para as empresas visando atuar no mercado chinês, visto que as cidades possuem grandes disparidades de população e renda. Portanto, uma análise de mercado é necessária antes que seja tomada uma decisão de investimento. A título de ilustração, algumas cidades chinesas possuem um PIB equivalente ao de certos países.

Por exemplo, no ano de 2017 a cidade de Guangzhou possuía um PIB equivalente ao da Argentina e Pequim detinha uma economia do mesmo tamanho da Suíça. Neste mesmo ano, Shanghai possuía um PIB equivalente ao da Holanda, ao passo que Suzhou gerava um PIB equivalente ao da Bélgica. Comparações similares podem ser feitas em dezenas de casos, exacerbando a necessidade de conhecer o mercado nacional antes de decidir onde se instalar.

Infográfico sobre as vendas do dia dos solteiros, a Black Friday da China

3) O crescimento do setor de vendas online é a terceira macrotendência. Os consumidores chineses estão acostumados a comprar utilizando os seus smartphones e o país é atualmente o maior mercado online do mundo, representando vendas anuais de mais de US$ 800 bilhões. O país possuí mais de 800 milhões de pessoas conectadas à internet. Neste sentido, qualquer empresa que ignore tal segmento estará perdendo um grande espaço de expansão e atuação.

É importante que se estabeleça parcerias ou que se realize contratação de profissionais treinados no mercado local, pois o ambiente regulatório na China muda muito rápido. A cada ano o Governo Central costuma alterar detalhes de suas leis, seja no âmbito comercial, ambiental ou mesmo no que diz respeito à regulação do espaço digital. A contratação de profissionais treinados na China é igualmente importante no sentido de mitigar possíveis tensões e ou desentendimentos relativos às diferenças culturais, visto que o país possuí uma cultura milenar e com características muito marcantes e singulares.

Made in China

A China realiza anualmente várias feiras profissionais e comerciais, que representam ótimas oportunidades para se estabelecer contatos e parcerias locais, e, igualmente, para quem possa estar procurando oportunidades neste país de um modo geral. As maiores feiras ocorrem em Pequim, Shanghai, Shenzhen e Hong Kong, normalmente no período da primavera (entre os meses de março e junho).

Por fim, reconhece-se que ingressar na China pode não ser uma tarefa fácil. Não obstante, o potencial de crescimento deste mercado é imenso e existe muita prosperidade sendo gerada para as empresas que tiverem visão estratégica e saibam aproveitar estas oportunidades. Como ressaltou um editorial do New York Times lançado no mês passado: “O Sonho Americano* está vivo, mas agora ele se realiza na China”.

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Nota:

* A expressão Sonho Americano, ou American Dream, é o famoso slogan que apresenta a identidade nacional dos Estados Unidos da América. De modo simplificado, o conceito refere-se ao país como uma terra de oportunidades, onde a mobilidade social é possível através do mérito. Basicamente, refere-se à questão de que se algum indivíduo se esforçar o bastante, ele poderá melhorar a sua condição de vida. O conceito faz uma contraposição às estruturas oligárquicas que existiam nas antigas sociedades, onde o nascimento, o casamento e/ou a herança eram os principais meios de se obter uma melhor qualidade de vida.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A tecnologia está mudando os negócios” (Fonte): http://i.vimeocdn.com/video/498469360_1280x720.jpg

Imagem 2 Bandeira e mapa da China sobrepostos sobre o mapa mundi” (Fonte): https://pixabay.com/pt/china-mapa-china-mapa-%C3%A1sia-pa%C3%ADs-2965333/

Imagem 3 Infográfico sobre as vendas do dia dos solteiros, a Black Friday da China” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/intelfreepress/15582285358

Imagem 4 “Made in China” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/twicepix/5961333988

About author

Mestrando em Estudos Contemporâneos da China pela Renmin University of China (RUC) e pesquisador afiliado pela Silk Road School. Mestre em Relações Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2016.
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