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A indústria de geração elétrica nuclear tem um histórico de segurança e desempenho notável, apesar das persistentes imagens dos acidentes de Three Mile Island (TMI), Chernobyl e Fukushima Daiichi. Este registro é o legado de uma comunidade de projetistas, operadores e reguladores que, embora imperfeitos, estiveram comprometidos com a segurança da energia nuclear.

A geração de especialistas que projetaram e construíram nossa frota de usinas nucleares atual não é mais a mesma. A geração de especialistas que se dedicaram na era pós-TMI está agora se aposentando ou se aproximando da aposentadoria. Assim, o “bastão” da segurança nuclear está passando para uma nova geração que vai carregar a responsabilidade de garantir a segurança dos futuros projetos de usinas nucleares e da operação da frota existente.

Fica diante de todos aquilo que a história ensinou sobre a forma como um especialista em segurança nuclear deve encarar sua profissão. Neste quadro, a Ética da Segurança Nuclear, entendida como o conjunto de crenças e valores fundamentais do profissional, incorpora cinco princípios fundamentais:

1. Um agudo senso de responsabilidade para com a sociedade. A geração elétrica nuclear é a única tecnologia de energia disponível hoje com real potencial para fornecer eletricidade abundante para bilhões de pessoas ao redor do mundo, que vivem hoje com pouco ou nenhum acesso a ela. A energia nuclear é também uma das poucas tecnologias que, se mal gerenciada, tem o potencial de impedir que os vizinhos de uma usina de nunca mais retornem para suas comunidades e residências. Estas duas realidades devem proporcionar uma forte motivação para aqueles que aspiram a ser profissionais de segurança nuclear.

2. Uma sensação de desconforto crônica. O profissional de segurança nuclear deve ter uma atitude de questionamento persistente sobre o que sabemos, o que sabemos que não sabemos, e o que não sabemos que não sabemos (os chamados “desconhecidos conhecidos” e “desconhecidos desconhecidos”).

3. Um zelo pela compreensão dos fundamentos. O profissional de segurança nuclear deve ter paixão e habilidades para integrar os dados experimentais, simulação e análise, e experiência operacional para chegar a um entendimento científico baseado em fatos.

4. A disposição para desafiar o status quo e o establishment. O profissional de segurança nuclear deve possuir a coragem para defender suas convicções e estar disposto a desafiar o status quo e o establishment (tanto industrial, como o regulatório), quando seu instinto e sua compreensão obrigá-lo à ação.

5. A humildade científica e técnica. Um profissional de segurança nuclear deve ter um saudável respeito aos limites de seu conhecimento e sabedoria para operar dentro desses limites. Ele ou ela deve ter medo de perguntar e responder a pergunta: “e se eu estiver errado?”.

Num momento em que o International Panel on Climate Change (IPCC) da ONU reafirma o importante papel que a geração elétrica nuclear deverá ter para acelerar a redução das emissões de gases de efeito estufa ao nível mundial, é oportuno e necessário revisitar essa ética da segurança nuclear.

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Imagem (Fonte):

 http://www.brasilescola.com/geografia/energia-nuclear.htm

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Fonte consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

About author

É Diretor Presidente e Diretor Técnico da Eletrobrás Termonuclear S.A. - Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA. Membro do Board of Management da World Nuclear Association. Foi Professor Titular da Faculdade de Administração da FAAP, Professor Visitante da Escola Politécnica da USP, Diretor Técnico-Comercial da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa SA – AMAZUL, Assistente da Presidência da Eletronuclear e Coordenador do Programa de Propulsão Nuclear do Centro Tecnológico da Marinha. Especialista em Segurança Nuclear e Proteção Radiológica, é Doutor em Engenharia Naval e Oceânica pela USP, Mestre em Engenharia Nuclear pela Universidade de Paris XI e autor de vários livros e artigos sobre engenharia naval e nuclear, gestão e planejamento, política nuclear e não-proliferação.
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