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EUA aplicam novas Sanções à Coreia do Norte, em resposta a ciberataque realizado contra a Sony

Os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram na semana passada a aplicação de novas sanções à República Popular Democrática da Coreia (RPDC), após o ataque cibernético à companhia cinematográfica Sony Pictures.

No final de novembro de 2014, após o ciberataque, a empresa Sony Pictures cancelou a estreia do filme “A Entrevista”, que narra a história de dois jornalistas aliciados pela CIA para assassinar Kim Jong-un, o líder norte-coreano. No entanto, ele acabou por ser distribuído através de serviços de vídeo online nos Estados Unidos.

A Casa Branca declarou que a imposição de Sanções à Coreia do Norte, é a primeira parte da resposta do Governo do Norte-Americano[1]. Essa é a primeira vez que os Estados Unidos aplicam medidas como uma retaliação direta a um ataque cibernético contra uma companhia norte-americana. As novas Sanções, autorizadas por Barack Obama, Presidente dos EUA, visam afetar três entidades norte-coreanas, incluindo uma agência de inteligência do Governo e um representante norte-coreano de armas.  O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos afirmou em comunicado que as medidas serão aplicadas também contra 10 indivíduos norte-coreanos que trabalham no Governo e nas empresas sancionadas.

Ainda de acordo com o Tesouro dos Estados Unidos, as novas Sanções respondem as muitas provocações feitas pelo Governo norte-coreano, embora particularmente ao recente ataque cibernético contra a Sony Pictures, e às ameaças visando às salas de cinema e aos espectadores[2]. Ademais, conforme Jacob Lew, Secretário do Tesouro, as medidas “refletem o compromisso dos Estados Unidos de responsabilizar a Coreia do Norte pelas suas ações destrutivas e desestabilizadoras[3]. Em comunicado, Lew ressaltou também que o Governo estadunidense utilizará “um vasto leque de ações para defender as empresas e os cidadãos norte-americanos, e para nos defendermos das tentativas de sabotar os nossos valores[4].

Em contrapartida, o Governo coreano, que vem criticando há meses o filme “A Entrevista”, condenou no último dia 4 de janeiro as novas ações americanas, afirmando novamente não ser responsável pelo ciberataque contra a empresa Sony. Conforme nota do Governo de Kim Jong-un, “a Sony Pictures produziu um filme que incita abertamente o terrorismo contra um Estado soberano com o qual recebeu apenas censura e a crítica tanto dentro de seu país como no exterior[5].

De acordo com um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte, “as ações persistentes e unilaterais da Casa Branca, voltadas a atingir com sanções a República Popular Democrática da Coreia, demonstram claramente a incorrigível repugnância e hostilidade que sentem[6]. Advertiu ainda que a nova medida “não enfraquecerá o país, mas sim fortalecerá ainda mais sua política militar[7]. Em comunicado, o Governo da RPDC, assinalou que as acusações são infundadas e repetiu a opinião de alguns especialistas em cibersegurança, que se mostram céticos sobre a ligação da Coreia do Norte com o caso. Além disso, o comunicado pediu que fosse feita uma comissão conjunta para investigar o ciberataque, entretanto, essa ideia foi rechaçada pelos Estados Unidos[8]. Cabe observar que recentemente sites norte-coreanos foram vítimas de interrupções por mais de 10 horas, no entanto o Governo dos EUA se recusou a confirmar ou negar ser o responsável pelo blecaute[9].

Compete ressalvar que a Coreia do Norte já estava sujeita a diversas Sanções Internacionais, em razão do desenvolvimento do seu Programa Nuclear. As medidas impostas são severas e visam sobretudo impedir que o país obtenha material e financiamento para  desenvolver tanto o Programa Nuclear como o seu Programa de Mísseis. O Estado Norte-Coreano já havia sido alvo de outras Sanções em 2006, 2009 e 2013, as quais foram sendo renovadas e ampliadas conforme o país realizava manobras militares.

Em 2013, quando uma Resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou Sanções contra o país, o regime de Kim Jong-un afirmou que elas foram um ato de guerra[10]. Na ocasião, o Governo Norte-Coreano declarou nulo o armistício de 1953 – que pôs fim à “Guerra da Coreia – e ameaçou realizar um ataque nuclear preventivo contra os Estados Unidos[11].

Na ocasião, Stephen Bosworth, Representante especial dos EUA, afirmou perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado que “se a Coreia do Norte não atender ao pedido unânime da comunidade internacional e retomar as negociações para chegar ao desmantelamento irreversível da sua capacidade nuclear e de míssil balístico, os Estados Unidos e nossos aliados e parceiros na região terão de adotar as medidas necessárias para garantir nossa segurança diante dessa crescente ameaça[12].

De fato, esse cenário de elevação de tons e represálias tem sido retórico entre os dois países. No que tange às novas medidas, alguns especialistas apontam que essas não deverão ter um impacto significativo, uma vez que o país já está sujeito a várias Sanções Econômicas por parte da comunidade internacional[13].

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Imagem (Fonte):

http://ansabrasil.com.br/brasil/noticias/mundo/noticias/2015/01/05/Coreia-do-Norte-rechaca-sancoes-dos-EUA_8274171.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2015-01/eua-sancionam-coreia-do-norte-apos-ataque-informatico-sony

[2] Ver:

Idem.

[3] Ver:

Idem.

[4] Ver:

Idem.

[5] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/04/internacional/1420392799_630834.html

[6] Ver:

Idem.

[7] Ver:

Idem.

[8] Ver:

Idem.

[9] Ver:

http://www.dw.de/coreia-do-norte-tacha-novas-san%C3%A7%C3%B5es-dos-eua-de-hostilidades-infundadas/a-18169911?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

[10] Ver:

http://www.dw.de/conselho-de-seguran%C3%A7a-amplia-san%C3%A7%C3%B5es-contra-coreia-do-norte/a-16656798

[11] Ver:

Idem.

[12] Ver:

http://www.embaixadaamericana.org.br/arc-index.php?action=materia&id=8014&submenu=&itemmenu=21

[13] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/04/internacional/1420392799_630834.html

About author

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.
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