fbpx
AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA, Índia e Afeganistão: a amplitude das relações

O presidente Barack Obama chega ao final do mandato com a responsabilidade e a oportunidade de costurar a saída do Afeganistão de uma maneira diferente da desenvolvida no Iraque e que providencialmente contribuiu com a ascensão de um grupo insurgente organizado e bem financiado que corroeu as bases da frágil estrutura política deixada pelos norte-americanos. No Afeganistão de hoje, longe da pacificação idealizada, o esforço é evitar que a extensão do Estado Islâmico alcance as fronteiras da Ásia Central.[1]

Com a presença militar internacional no Afeganistão reduzida, após o fim das operações de combate, em dezembro de 2014, o projeto de segurança interna recrudesceu os índices de violência no país. A base estatística que fortalece algumas alas políticas em Washington e especialmente no Pentágono entende que a retirada do aparato militar resultaria na volta dos extremistas às regiões chaves do país, em especial ao cinturão pashtun das áreas tribais.

Segundo David Petraus, General do Exército que comandou a força da coalizão no Afeganistão entre 2010 e 2011, a abordagem correta é “proteger” o investimento feito durante os anos de ocupação, ou seja, é possível avaliar o fim das atividades de combate, porém são fundamentais os esforços para evitar uma reaproximação da AlQaeda e/ou Estado Islâmico nas cadeias de poder afegãs, elemento este que aterroriza o governo do presidente Ashraf Ghani, que prefere uma presença efetiva de apoio contra as redes de jihadistas globais que desejam reaver sua influência na região.[2] 

Ao passo que há uma interpretação beligerante quanto aos rumos de Cabul, outra vertente, essa mais ligada aos desejos doPresidente norteamericano, coloca a Índia como protagonista e devolve à Nova Deli uma oportunidade de conduzir uma política externa de alto relevo na região. Como há um forte interesse no futuro estável e democrático do Afeganistão, o incentivo deWashington aos esforços indianos em prover auxílio em áreas como democracia, economia e segurança civil criam alternativas menos custosas para a Casa Branca e projeta modelo de política até então não experimentado em nenhuma das invasões anteriores.

A Índia tem sido um importante parceiro econômico para o Afeganistão, mesmo com a oposição do Paquistão. A Casa Brancadeve deixar claro que o apoio do Governo de Narendra Modi se dá vislumbrando a estabilidade, a qual, uma vez não alcançada, reflete diretamente no equilíbrio do governo central de Islamabad. Para a maioria dos afegãos a Índia é vista como um mediador honesto, sendo o quinto maior doador bilateral com mais de US$ 2 bilhões em apoio prometido.

Dentro dessa prerrogativa, a assistência centrou-se na infraestrutura, engenharia, treinamento e necessidades humanitárias. O Governo indiano foi responsável pela construção do edifício do Parlamento, linhas elétricas, dentre outros investimentos, financia também o treinamento de funcionários públicos em academias indianas, assim como a Confederação da Indústria Indiana, que já capacitou mais de mil afegãos em carpintaria, encanamento e soldagem, além de educar mais de três mil mulheres para gerir micro-empreendimentos.[1]

O apoio dos Estados Unidos à Índia no desenvolvimento econômico, humanitário e da segurança interna é necessário para a constituição de um Estado de Direito sólido. Nesse sentido, para evitar a oposição do Paquistão, cabe aos norte-americanos discutirem com as autoridades paquistanesas os benefícios da ingerência indiana como ponto importante para a estabilidade da região que diretamente irá beneficiar o Paquistão.

É certo, no entanto que Nova Deli quer evitar ataques terroristas semelhantes ao perpetrados pelo Taliban, Rede HaqqaniLashkareTaiba nos anos de 2008 e 2009, com suposta participação do Serviço de Inteligência Paquistanês (ISI, na sigla em inglês) e, por isso, o cuidado em treinar as forças afegãs em solo indiano para evitar conflito naquilo que Islamabad entende como zona de influência paquistanesa.

————————————————————————————————

Imagem (Fonte):

http://assets3.parliament.uk/iv/main-large//ImageVault/Images/id_6779/scope_0/ImageVaultHandler.aspx.jpg

————————————————————————————————

Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.cfr.org/afghanistan/why-united-states-should-work-india-stabilize-afghanistan/p36414

[2] Ver:

http://www.washingtonpost.com/opinions/afghanistan-after-obama/2015/07/07/63dd6dc2-1e8e-11e5-aeb9-a411a84c9d55_story.html

————————————————————————————————

Ver também:

http://www.cfr.org/afghanistan/why-united-states-should-work-india-stabilize-afghanistan/p36414

Ver também:

http://www.washingtonpost.com/opinions/afghanistan-after-obama/2015/07/07/63dd6dc2-1e8e-11e5-aeb9-a411a84c9d55_story.html

Ver também:

http://www.brookings.edu/blogs/markaz/posts/2015/07/06-afghanistan-after-the-drawdown

Ver também:

http://thediplomat.com/2015/06/the-mirage-of-afghanistan-pakistan-rapprochement/

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Foi Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP e atualmente é Analista de Foreign Trade e Customer Care na Novus International Inc. Escreve sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.
Related posts
ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Fundo Monetário Internacional estima crescimento da economia chinesa em quase 2%, contrariando tendência mundial

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Conselho Europeu se reúne para tratar de ação conjunta europeia para combater a COVID-19

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

As cidades mais caras da América Latina

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Resposta à COVID-19 nas Américas pode sofrer transformação a partir de novos testes rápidos

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!