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EUA realiza ataque cibernético contra a Coreia do Norte

O Comando Cibernético dos EUA passou a atuar com maior autonomia, de maneira combativa e defensiva, semanas após Donald Trump elevar o U.S. Cyber Command (Comando Cibernético dos EUA – USCyberCom) à uma Unidade Combatente Unificada, tirando efetivamente o USCyberCom da cadeia de hierarquia da Agência de Segurança Nacional (NSA) e colocando-o como paralelo à outras agências de segurança.

Segundo Trump, “A elevação do Comando Cibernético dos Estados Unidos demonstra a nossa maior determinação contra as ameaças do ciberespaço e ajudará a tranquilizar nossos aliados e parceiros e deter os nossos adversários”. Afirmou ainda: “Através do Comando Cibernético dos Estados Unidos, abordaremos nossos desafios do ciberespaço em coordenação com aliados e parceiros afins, enquanto nos esforçamos para responder rapidamente às ameaças e oportunidades de segurança do ciberespaço em todo o mundo”.

Logo USCyberCom

Seguindo a nova autonomia adquirida pelo USCyberCom, foi realizado um ataque cibernético aos servidores da agência de espionagem norte-coreana, o Bureau de Reconhecimento Geral (RGB, na sigla em inglês), de acordo com o jornal The Washington Post. Estima-se que o ataque ocorreu entre os dias 22 e 30 de setembro, e foi um ataque de DDoS, onde o intenso fluxo de conexões provenientes de diversos dispositivos são direcionados a um grupo de servidores a fim de sobrecarrega-los, efetivamente interrompendo a entra e saída de dados.

O ataque foi tido como bem-sucedido e por não ter efeito cinético, ou seja, consequências físicas, e foi considerado uma resposta à crescente agressividade no diálogo entre a Coreia do Norte e os EUA.

O ataque de DDoS desempenhou a dupla função de mostrar o alcance do poderio cibernético norte-americano, levando em consideração que o país já foi supostamente vítima de ataques norte-coreanos, quando hackers vistos como ligados ao governo de Kim Jong-Un hackearam a Sony Pitcures, em retaliação ao filme “A Entrevista, no qual ele era assassinado; e, conforme afirma Tom Van de Wiele, especialista em segurança cibernética da empresa F-Secure, a ação estadunidense também serviu como um grande exercício de reconhecimento da capacidade de resposta norte-coreana, “para ver quais procedimentos eles irão tomar contra o tipo de pânico que a organização [USCyber​​Com] pode criar, que poderia mais tarde abusar, monitorar ou explorar”.

Porém, vale notar que, segundo pesquisadores da organização Recorded Future, o tráfego de hackers da Coreia do Norte provém de países como Índia, Malásia, Nova Zelândia, Nepal, Quênia, Moçambique e Indonésia. Logo, uma ofensiva aos servidores do país não reduz efetivamente a sua capacidade de realizar ataques cibernéticos, porém, o RGB perde a capacidade de dar ordens e coordenar as diferentes unidades estrangeiras. Este fato permite que se reconheça a capacidade da ação realizada pelos EUA.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeiras nortecoreanas” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3APhotograph_of_flags_of_North_Korea.jpg

Imagem 2Logo USCyberCom” (Fonte – By United States Cyber Command The Commanders Vision and Guidance for US Cyber Command USCyberCommandCommandersVision, Public Domain):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=59377788

About author

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.
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