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Após uma relação conturbada que começou na antiga Comunidade Econômica Europeia em 1973, o Reino Unido deu início ao processo de separação, conforme disposto no Artigo 50 do Tratado da União Europeia, sendo o primeiro país a se divorciar do Bloco.

O panorama político europeu entrou em declínio após a expansão da crise financeira internacional. As tensões entre os países foram aumentando à medida que novos desafios foram surgindo no cenário regional, destacando-se, dentre outros: a crise da Crimeia e as tensões com a Rússia; a Guerra na Síria e o desafio de acolher milhares de refugiados; os ataques terroristas, com o acirramento da xenofobia e da intolerância religiosa; a perda de benefícios sociais; o ressurgimento de discursos nacionalistas carregados de um novo populismo; as cobranças do sistema internacional; um novo alinhamento econômico, direcionado ao eixo do Pacífico; o fracasso nas negociações para a formação da Parceria Transatlântica; e os atritos com a nova gestão dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo que a Europa reúne em seu território diversas questões do cenário internacional, paira sobre o Bloco Europeu o sentimento de que o mesmo está cada vez mais isolado e que este é um momento chave para o seu futuro, que deve fomentar uma maior integração, a fim de enfrentar os desafios do panorama internacional, ou encarar a fragmentação da União Europeia e as consequências que isso pode gerar.

A complexidade do panorama europeu dificulta a realização de previsões, pois a todo momento surgem fatores que se somam aos desafios que a região enfrenta. As eleições em diversos países atuam como termômetro político e redesenham a balança de poder; e as manifestações sociais indicam o acirramento de questões delicadas, como é o caso da dificuldade que enfrentam os governos de produzirem mudanças na relação com as demais potências, algo que é afetado tanto pela instabilidade local, como pela internacional.

Temas que antes poderiam ser pequenos se transformam em focos de tensão, tais como a questão de Gibraltar e da Escócia, que desejam permanecer na União Europeia, mesmo após o Brexit; ou as mudanças políticas nas regiões periféricas tais como a Europa do Leste e a região dos Balcãs.

Mas, sem dúvidas, o tema de maior relevância e a verdadeira prova de fogo da União Europeia são as eleições na França e, posteriormente, na Alemanha, pois, mesmo que os candidatos eurocéticos não ganhem o pleito eleitoral, um aumento de sua representatividade pode ter um efeito catastrófico no Bloco, dificultando qualquer medida que busque uma recuperação da confiança pública e o fortalecimento da União Europeia.

Outro fator importante nesse cenário são as relações com as demais potências mundiais e a dificuldade de gerar um consenso e discurso comum, frente a uma relação cada vez mais difícil com os Estados Unidos e a um aumento latente das tensões com a Rússia.

A Europa está sendo pressionada por fatores internos e fatores externos, não havendo no horizonte uma solução fácil. As assimetrias que existem no Bloco continuam pressionando qualquer tentativa de integração, o cenário internacional pressiona o continente tanto no aspecto político quanto no econômico e as sociedades europeias estão cada vez mais divididas. Mesmo com a recuperação econômica da região, os efeitos negativos das políticas de austeridade dos últimos anos e das mudanças políticas persistem.

Frente a esse cenário, não é de estranhar que alguns especialistas e políticos já consideram o fim da União Europeia como uma possível realidade, tais como declaram o líder do partido eurocético britânico Nigel Farage, ou a candidata à Presidência da França, Marine Le Pen.

São vários os fatores que podem determinar uma mudança dentro da União Europeia, e não existem dúvidas de que a mesma deve se reformular e se renovar, caso contrário enfrentará o processo de encerramento de um projeto em pleno ano do aniversário do Tratado de Roma.

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Imagem 1 Puzzle UE” (Fonte):

http://www.pravos.unios.hr/images/eu_v.jpg (Link deve ser copiado e colado)

Imagem 2 Localização de Gibraltar (em vermelho) / Localização na União Europeia (em branco) / Localização na Europa (em cinza)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gibraltar

Imagem 3 Marine Le Pen ” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Marine_Le_Pen

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About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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