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NOTAS ANALÍTICAS

Falta de infraestrutura no Brasil atrapalha negócios com a China

Nesta semana, o Brasil sofreu uma grande perda econômica e comercial após a China anunciar o cancelamento de um contrato de compra de soja brasileira, devido ao não cumprimento dos prazos de entrega. O grupo chinês Sunrise cancelou a compra de quase 2 milhões de toneladas do produto e reclamou da falta de infraestrutura no país.

Observadores apontam que o protesto dos chineses tem fundamentos, pois nas últimas semanas os portos brasileiros se mantiveram congestionados, graças aos problemas causados pelas fortes chuvas que atingiram a região sudeste do Brasil, causando interdição de estradas e outras vias de escoamento de produção, o que também contribuiu para atrasar a chegada de produtos nacionais aos portos. 

A consultoria Clarivi destacou para o jornal “Folha de São Paulo”: “Os portos estão trabalhando acima de sua capacidade operacional, fato que tem atrasado o descarregamento dos grãos e ocasionando, consequentemente, elevações nos custos de transporte[1].

As exportações de soja para o grupo chinês estavam acordadas para serem entregues entre janeiro e fevereiro passados, num total de 12 navios, dos quais apenas dois atracaram nos portos chineses para a entrega do produto comercializado. Hoje, a China é o principal parceiro comercial do Brasil e, muitas exportações tem como destino o mercado do gigante asiático. Essa quebra de contrato, por falha na infra-estrutura logística brasileira pode causar um “efeito dominó” e incentivar outras empresas asiáticas a cancelarem suas compras de empresas em território brasileiro.

A deficiência na infraestrutra de transportes para a escoamento da produção já é um tema bastante discutido e, para muitos economistas, ela é um dos principais agravantes do atraso no desenvolvimento brasileiro. Isso se confirma com os dados do “Ministério do Desenvolvimento”, que apresentou informes negativos sobre a produção nacional.

Em nota oficial do Ministério, a balança comercial semanal está registrando déficits. O mais recente foi de US$ 448 milhões, com média negativa de US$ 89,6 milhões. Nos primeiros 51 dias úteis deste ano (2013), o déficit está em torno de US$ 5,526 bilhões, quando comparado ao mesmo período do ano passado (2012), quando o saldo era positivo, apresentando superávit de US$ 1,127 bilhão[2].

Com atrasos ocorridos e com os portos congestionados não há como estimular a produção de alguns setores, reduzindo o crescimento econômico e prejudicando todo o comércio internacional do Brasil. Segundo dados da “Companhia Nacional de Abastecimento” (CONAB) [3], retransmitidos pela “Folha de São Paulo” e disponíveis em seu site oficial, o país tem capacidade de estocar até 148 milhões de toneladas de grãos, porém hoje são colhidos cerca de 183 milhões de toneladas, o que se resulta em perdas de produtos graças a esta deficiência de estocagem.

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Imagem – Fonte: “Editoria de Arte/Folhapress

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Fontes consultadas:

[1] Ver

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1248675-china-cancela-compra-de-2-mi-de-toneladas-de-soja-por-atraso-no-embarque.shtml

[2] Ver dadosBalança Comercial”:

http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=567

[3] Ver:

http://www.conab.gov.br/imprensa-noticias.php?a=51&t=3

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Ver também:

http://www.portogente.com.br/comente/index.php?cod=78533

Ver também:

http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=5&noticia=12239

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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