AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Faltando 10 dias, pesquisas indicam que Rafael Correa deve ser reeleito no primeiro turno

Rafael Correa, Presidente do EquadorAs “Eleições Presidenciais” equatorianas terão o seu primeiro turno no dia 17 de fevereiro próximo e, de acordo com as pesquisas de intenção de voto registradas pelos mais variados institutos no país, o atual Presidente deverá ser reeleito já neste momento da concorrência eleitoral, pois os índices apresentados indicam que ele detém entre 40% e 63%[1] das intenções de voto, variando este resultado de instituto para instituto que fez a pesquisa.

Deve-se destacar que, apesar de haver esta grande diferença entre os Institutos, em todos consta ainda que a diferença entre o Correa e seu segundo colocado se mantém acima da margem dos 30%, levando a que a somatória de todos os demais seis candidatos* não alcance pontuação suficiente para superá-lo. A expectativa dos opositores concorrentes está no fato de também ter sido registrado um índice próximo dos 31% de indecisos[6].  Ou seja, sendo confirmados tais números no pleito, o atual Presidente, Rafael Correa, se reelegerá com folga no “Primeiro Turno” eleitoral, exceto se ocorrer um acidente neste curto percurso final, estando dentro dos improváveis acidentes que todos os indecisos (31%) migrem para um dos candidatos na disputa.

Com esta larga margem e quase certeza da vitória, Correa pediu licença[2] do cargo presidencial para se dedicar à Eleição, uma vez que deseja auxiliar nas campanhas eleitorais para o Legislativo, pois também estão em disputa os cargos de Vice-Presidente, 137 cadeiras de deputados e cinco parlamentares andinos para os anos de 2013 até 2017. O Mandatário sabe da necessidade de garantir maioria no Parlamento, já que este está paralisado há 14 meses graças aos debates e desacordos em torno do “Código Penal” e da “Lei de Comunicação“.

Conforme afirmou Rafael Correa, “[Está em curso] um projeto histórico e revolucionário cujo objetivo não é só vencer a Presidência [da República], mas garantir uma maioria na Assembleia para não sofrer chantagem nem bloqueios [às propostas de interesse do país]. (…). Vamos discutir com a maior seriedade e responsabilidade [a Lei de Comunicação]. (…). Nós vamos tomar a decisão com base em nossa responsabilidade e compromisso com o país. Com total responsabilidade” [2]. Ou seja, objetiva garantir a maioria no Legislativo para continuar a implantação de seu projeto denominado “Revolução Cidadã”, para o qual será necessário o controle de instituições sociais, principalmente o controle da imprensa, algo só viável mediante o controle do Parlamento nesta etapa da estratégia.

Vários analistas estão se debruçando sobre a razão do sucesso da atual gestão para explicar por que o Presidente tem tal apoio popular e vem apresentando alto índice de aceitação. A explicação oficial foi dada pelo “Embaixador do Equador no Brasil”, Horacio Sevilla-Borja, à Empresa Brasil de Comunicação (EBC) [3], que resumiu as razões do grande apoio num processo logicamente organizado em torno de etapas que, segundo sua avaliação, parte delas foram cumpridas e precisam ter sua conclusão neste novo mandato, destacando que o país vive sua “época de ouro”.

É possível concluir de suas respostas que a primeira etapa diz respeito ao retorno à estabilidade no Equador, algo conseguido, segundo interpreta, com o cumprimento da promessa de uma nova Constituição, respaldada pelo Plebiscito em que obteve aprovação. Com isso, foram resolvidos os problemas de estabilidade política. Nas palavras do Embaixador, “Na primeira etapa, organizou o Estado e definiu as novas regras [3]. No próximo momento, que se iniciará com o novo mandato, a ênfase será dada ao combate à pobreza e ao desenvolvimento sustentável, que o Embaixador define como sendo da seguinte forma: “As prioridades são a eliminação da pobreza, acabar com o analfabetismo, estimular o ensino superior e gerenciar cada vez melhor os recursos do país [3].

Vários outros observadores apresentam índices positivos do “Governo Correa” já na esfera de combate à pobreza com significativa solução para alguns dos problemas sociais vividos pela população equatoriana.

De acordo com Juliano Medeiros, membro da “Direção Nacional do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade)” do Brasil e da “Fundação Lauro Campos”, em artigo publicado no “Opera Mundi[4], “A chamada Revolução Cidadã’ iniciada por Rafael Correa consiste num conjunto de reformas que busca enfrentar problemas históricos do Equador, como a dívida externa, o controle sobre os recursos naturais estratégicos e medidas sociais de caráter emergencial para diminuir drasticamente as profundas desigualdades sociais que marcam o país[4].

Sintetizou essas conquistas apresentando que houve a redução da dívida externa com “a realização da auditoria oficial da dívida pública do país – tanto interna quanto externa – e seus impactos sociais, ambientais e econômicos [4], algo que resultou na “quadruplicação dos investimentos em saúde e educação [4]. Além disso, houve o crescimento do PIB do país, fechando 2012 com aumento de 5%; ocorreu a redução do desemprego ao nível de 4,2% e a queda da situação de pobreza extrema para 9,4%, significando a quase metade da que havia no início de seu Governo, quando a taxa era de 16,9% da população em situação de miséria absoluta.

Segundo afirma, também houve eliminação do trabalho infantil e aumento da atenção às pessoas com deficiência, complementando tais ações com o fato de que “Essas iniciativas vêm acompanhadas de medidas assistenciais a idosos e apoio a mães solteiras chefes de famílias, mediante o chamado ‘Bônus de Desenvolvimento Humano’ (ADH – “Abono de Desenvolvimento Humano”) outorgado a cerca de 1,8 milhão de beneficiários. Parecido com a Bolsa Família brasileira, esse bônus é entregue sob a condição de que as mães enviem seus filhos à escola e garantam seu adequado crescimento através de programas de alimentação infantil para evitar a subnutrição crítica [4].

Apesar de defensor do líder equatoriano, o político brasileiro que faz essa avaliação  também aponta fragilidades, como as tensões crescentes entre o Presidente e o “Movimentos Sociais”, seja envolvendo os megaprojetos de energia que afetam questões ambientais, seja pelas acusações de que há temas que não foram observados, tais como, “A ausência de uma reforma agrária, o problema da distribuição da água ou a democratização dos meios de comunicação (que) são temas pendentes na agenda de Correa. Além disso, a economia continua dolarizada e o país segue subordinado às determinações do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA [4].

Ou seja, de acordo com este observador, o Presidente tem se equilibrado entre as exigências da transformação e os condicionantes históricos e estruturais que precisa enfrentar, mas, de certa forma, ele respalda a defesa do embaixador Horacio Sevilla-Borja, de que estas questões devem ser encaradas neste próximo mandato, agora que o atual Governo conseguiu estabilidade política no país.

Outros observadores compartilham  desta percepção mas, de forma resumida, afirmam que o sucesso do Presidente veio porque “graças aos fortes rendimentos petroleiros, um recorde em arrecadação tributária e um crescimento econômico sustentado, Correa ganhou um amplo apoio popular por dar mais acesso à previdência, duplicar a despesa estatal em educação e transformar caminhos de terras em estradas [5], conforme está apresentado em artigo na Reuters.

Luiz Raatz, do “estadão.com.br” sintetiza mais ainda esta percepção ao afirmar que os “Gastos altos com assistencialismo e infraestrutura devem reeleger Correa [6], ou seja, foi esta conduta que resultou no seu sucesso. Afirma: “A receita de Correa é similar à adotada, em maior ou menor grau, na maioria dos países latino-americanos. No Equador, o principal programa de transferência de renda chama-se Abono de Desenvolvimento Humano (ADH). Criado no governo de Jamil Mahuad, em 1998, com o nome de Abono Solidário, o projeto destina US$50 mensais a famílias de baixa renda. No total, 2 milhões, dos 14 milhões de equatorianos, são beneficiados pelo projeto, cujo orçamento é de US$ 484 milhões anuais. Quando Correa foi eleito, em novembro de 2006, o barril de petróleo valia cerca de US$ 60. Hoje custa US$ 97. Esse aumento no preço da principal commodity da economia equatoriana possibilitou o crescimento dos investimentos públicos, o que contribuiu para reduzir a miséria e aumentar o consumo interno [6].

Raatz cita dois analistas que vão ao encontro da afirmação sobre o grande nível de investimentos públicos do Governo. O primeiro, Walter Spurrier, diretor da publicação online “Análise Semanal”, afirma: “Correa utiliza a renda proveniente da exportação do petróleo em obras de infraestrutura, no salário do funcionalismo do setor público e em subsídios. A população tem a percepção de que ele é um tocador de obras. (…). A quantidade e a qualidade da publicidade é impressionante. (…). Todas as obras são vistas de maneira positiva, assim como os resultados econômicos [6], ou seja, Spurrier em realidade apresenta uma crítica, pois há um gasto desmesurado na demonstração do que é feito para convencer o povo de que não há falhas, impossibilitando a apresentação de alternativas aos projetos ou críticas aos erros de sua gestão.

O segundo analista, Simón Pachano, da “Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais” (Flacso), declara: “O ADH, por exemplo, começou com Jamil Muhad, mas ele soube ampliá-lo e universalizá-lo. (…). Ele investiu muito em infraestrutura e programas sociais, como o ADH favorecido pela alta do preço do petróleo nos mercados internacionais[6].

No entanto, como já foi destacado, esta atividade assistencialista foi aumentada na percepção do cidadão por gigantesco gasto em propaganda. De acordo com Natalia Sierra, da “Pontifícia Universidade Católica de Quito”, “Desde 2007, o investimento social é reverberado por uma propaganda midiática como nunca houve na história do Equador [6].

Essa avaliação é reforçada também pelo próprio Raatz ao apresentar em  seu artigo que “Só entre janeiro e setembro do ano passado, o governo gastou US$ 71 milhões em propaganda oficial. Um dos anúncios da campanha de Correa mostra o presidente andando de bicicleta em uma estrada moderna, com imagens de suas obras [6].

Em síntese, transparece no texto do jornalista do Estadão que tanto quanto os gastos em assistencialismo e infraestrutura, a publicidade realizada no trabalho de marketing político tem sido essencial para o sucesso do Presidente do Equador, ao ponto de ter reduzido as exigências no atual marketing eleitoral para conseguir bom desempenho no pleito que se aproxima, cuja primeira etapa será realizada em 17 de fevereiro.

A avaliação mais pesada e negativa, contudo, vem de Alberto Acosta**, um antigo aliado, que hoje concorre contra Correa e se constitui como o principal crítico da política presidencial. Em entrevista concedida a Franck Gaudichaud, publicada na revista “Viento Sur (01.02.2013) e republicada  no “Instituto Humanitas Unisinos”, na terça-feira passada, dia  5 de fevereiro[7]***, Acosta é duro nos ataques e aponta que, apesar das conquistas divulgadas, algumas reais, outras superlativizadas, o principal problema, que pode se tornar a verdadeira herança de Correa, está em trabalhar pela construção de um Estado mais centralizador, mais concentrador de poder, mais burocrático, por isso, mais propenso à corrupção e estagnação. Além disso, ele perdeu a oportunidade de ter encerrado a forma tradicional de fazer  política em seu país, tornando-se o próprio Correa uma espécie de herdeiro perpetuador dos mesmo problemas estruturais criados pelas antigas lideranças política do país, já que está destruindo a capacidade de organização e manifestação da sociedade civil, por meio da interferência errada do Estado e uso abusivo do poder.

É possível interpretar e destacar na entrevista do candidato opositor os seguintes pontos como articuladores de suas críticas e como elementos para auxiliar na observação de Correa e do processo condutor da política no Equador.

1. O Governo esta retrocedendo em sua promessa, tornando-se umGoverno de Extrema Direita”.

O governo de Rafael Correa se assemelha a um mau motorista de ônibus… desses que coloca direções à esquerda, quando na realidade vira à direita[7], destacando-se que a primeira grande conquista de sua gestão, a nova Constituição, está sendo desrespeitada pelo Presidente (“cabe destacar que as violações à Constituição do Equador, por parte do governo do presidente Correa, são múltiplas e eu poderia passar horas falando sobre elas [7]) e, neste momento, o Presidente, que a havia defendido como adequada, “aponta que esta Constituição possui muitos direitos, que é “protecionista” e que, portanto, precisa ser modificada[7].

2. Houve reformas, tal qual vem sendo divulgado, mas a comparação de seu governo com qualquer outro anterior é descabida, devido a falta de parâmetros institucionais e programáticos. Além disso, o governo está se tornando personalista, abandonando a Democracia.

Nós, que nos comprometemos com a proposta de mudança, que inicialmente o projeto da Aliança País propunha, não almejávamos apenas um governo melhor, queríamos um governo que transformasse as estruturas do país, fazendo uma verdadeira revolução democrática, baseada na participação cidadã. (…). …e não um governo de estilo personalista, autoritário ou caudilho, que é isso que temos agora[7].

3. A alegada democracia pregada pelo governo se apresenta pela existência das consultas populares, porém este não é um recurso suficiente para a democracia, mas apenas um recurso necessário e, dependendo da forma como é usado, apenas instrumento da tirania, algo que já pode estar ocorrendo com a supressão do direito de oposição e com as perseguições às lideranças.

É verdade que existiram muitos processos eleitorais e referendos neste período, mas as eleições não garantem a democracia. Lembremos que, muitas vezes, os tiranos e ditadores recorreram às eleições e aos plebiscitos e apelaram para este tipo de legitimação institucional. Portanto, e longe de questionar os processos de votação protagonizados pelos cidadãos no Equador, digo que a democracia entendida desta forma teria que avaliar também se os dissidentes possuem a mesma abertura para informar os cidadãos sobre suas posições, da maneira como o governo possui, e se a utilização do aparato do Estado, para as campanhas eleitorais por parte do partido de governo, não é uma deslegitimação do processo, etc. (…). No que diz respeito ao âmbito das dissidências, hoje há mais de duzentos líderes populares nos bancos dos tribunais, acusados, inclusive, por “sabotagem” e “terrorismo”, utilizando-se leis da época dos governos oligárquicos, num país onde não há terrorismo. O direito à resistência ficou proscrito e nas prisões equatorianas há mais de uma dezena de jovens detida sem justificativas legais [7].

4. Ao invés de o Governo investir em políticas que possam desenvolver o país, está gastando os recursos adquiridos em assistencialismo, sem que possa trazer retorno real  em longo prazo.

Tudo o que expresso, não pretende negar a existência de melhoras em determinados aspectos. Porém, é necessário levar em conta que este governo é o que possui o maior número de receitas fiscais, em toda a história do Equador. Certamente, em grande parte, tem se beneficiado, no âmbito petroleiro, em razão dos aumentos no preço do petróleo no mercado internacional. Esta situação permitiu sustentar uma política de subsídios – não de transformação – que faz com que determinados setores sociais caiam nas redes clientelistas do governo[7].

5. Houve concentração da atividade econômica e dos lucros nas mãos de poucos grupos, apesar da apregoada distribuição de renda gerada pelo assistencialismo.

Os lucros dos cem maiores grupos aumentaram 12%, entre 2010 e 2011, e se aproximam do astronômico número de 36 bilhões de dólares. Neste sentido, é necessário destacar que os lucros dos grupos econômicos, no período 2007-2011, cresceram 50% a mais do que nos cinco anos anteriores, ou seja, do que durante o período neoliberal…[7].

6. O Presidente está trabalhando para acabar com a independência dos poderes e esta aparelhando as instituições do Estado.

Basta dizer que o presidente e os porta-vozes do CNE (Consejo Nacional ElectoralConselho Nacional Eleitoral, em português) estão todos ligados ao partido da situação, sendo seu presidente um ex-ministro de Correa e seu segundo, um operador político do atual chanceler da República. Todos nós tivemos que sair às ruas, para recolher assinatura dos cidadãos, demonstrando novamente ao governo que não iria nos atemorizar, nem amordaçar. Superado este abrolho, inscrevemos nossas candidaturas no dia 13 de outubro de 2012. A unidade se consolidou em 34 das 36 listas…[7].

7. Ao contrario do que prega, Correa está agredindo os movimentos sociais e fragilizando-os.

Nós temos uma ótima relação com os movimentos sociais, que estão sendo fortemente agredidos neste momento pelo governo. Persegui-los, atacá-los, tentar dividir ou controlá-los, é um dos maiores erros históricos deste governo. Se em fevereiro, um dos candidatos da direita vencer as eleições, coisa que espero realmente que não aconteça, a fragilização das resistências protagonizadas historicamente pelos movimentos sociais será a herança mais triste que este governo deixará[7].

8. Não houve mudança real da estrutura econômica do país, mas apenas mudança de forma da mesma substância.

No Equador, e outros países da região, estamos num momento que poderíamos denominar como uma fase pós-neoliberal, mas não pós-capitalista. (…). Nós estamos vendo como muito positivo o fato do governo não estar atado ao Consenso de Washington, mas no momento se impõe outras contradições provenientes da China, sobretudo relacionada com os créditos. Caso revisemos a estrutura de importações e exportações, estas mudanças não existem, e mais, permitiu-se que cresça aceleradamente o déficit comercial não petroleiro, que se aproxima de oito bilhões de dólares… (…). …Não apenas não há mudanças na estrutura da produção, como o país continua sendo dependente dos produtos primários, da lógica da dependência, e continuamos mantendo uma economia rentista e inerte, em que apenas se investe para produzir [7].

9. O Presidente abandonou suas propostas de mudança do sistema equatoriano, mantendo a concentração econômica no país.

“…existem as instituições que devem ser construídas. Todas elas foram violentadas pelo controle governamental, durante estes anos, porém seriam nestas que deveríamos encontrar garantias para as (Empresas? Instituições?) e os cidadãos. (…). As pequenas e médias empresas geram mais de 76% do emprego no Equador. As pequenas empresas, que representam 95% dos estabelecimentos, apenas participam com 16% das vendas em nível nacional. Essa é a realidade do país, o que evidencia que as mudanças reais não se deram” [7].

Alguns analistas apontam que as observações de Acosta, apresentadas em seus discursos e manifestações contra Correa, refletem o posicionamento de um grupo que deseja transformações radicais no Equador sem considerar as condições objetivas em que o país se encontra, razão pela qual ignora as conquistas reais e a necessidade de, primeiramente, o Governo transformar o Estado, cuja etapa estratégica inicial é tomá-lo, para, depois, produzir as demais modificações. Além disso, apontam também que este grupo acaba por ignorar as conquistas que são apresentados nos dados relativos ao crescimento econômico, à redução da pobreza, ao aumento da arrecadação, à diminuição do desemprego e à estabilidade política conquistada, tal qual vem sendo anunciado.

No entanto, outra parte de especialista afirma que o modelo criado pelo atual Presidente e sua equipe está representando a destruição de qualquer construção democrática, tal qual vem destacando Acosta, embora parte expressiva dos intérpretes questionem também o modelo que esta liderança aponta, uma vez que ele se define como esquerda extremada e exige maior força e ação do Estado, acabando por contradizer sua alegada perspectiva de que a sociedade precisa se sobrepor ao Estado, pois isto terminaria determinando que da própria sociedade deva provir o empreendedorismo econômico, reduzindo o papel do Estado neste setor da vida social.

Apesar de haver possibilidades múltiplas de respostas às críticas que são feitas contra Correa, os elementos destacados por estes intérpretes trazem um cenário compartilhado por muitos observadores, segundo os quais nele transparece um modelo que se disseminou na América Latina e tem como principal característica a tutela da sociedade pelo Estado com políticas assistencialistas que visam desmobilizá-la e enfraquecer quaisquer possibilidades de oposição.

A oposição se esvazia e perde capacidade de oferecer projetos alternativos devido ao fato de essas ações do assistencialismo criarem setores e segmentos sociais cada vez mais vinculados e dependentes do Estado, sendo, por isso, obrigados a mantê-lo no caminho paternalista e com propensão a acatar o totalitarismo.

Conforme destacam, os elementos apontados por Acosta ao longo de sua oposição a Correa são importantes para averiguar o processo de construção real da Democracia no Equador e na America Latina, região em que estão sendo implantados tais projetos de poder político que impedem o controle do Estado e dos governantes pela sociedade, logo por seus cidadãos.

Além disso, são projetos que se configuram também pela criação de lideranças carismáticas para personalizar as instituições políticas, investindo na propaganda como forma de reduzir a capacidade da oposição propor projetos alternativos e no uso do voto como justificativa para a perpetuação no poder e como instrumento (por meio das consultas plebiscitárias) para adoção de medidas adequadas aos desejos das lideranças estabelecidas que se apresentam propagandisticamente como únicas aptas a responder pelos anseios populares.

Destacam ainda que este modelo, que perpassa a America Latina, com destaque na América do Sul, tem obtido significativo sucesso em termos de perpetuação no poder e controle da sociedade, mas começam a apresentar os seus limites de ação na economia, refletindo-se nos demais setores e trazendo indícios de seu esgotamento, sendo talvez os casos de Venezuela e Bolívia, mas ainda não do Equador.

Por isso, afirmam os observadores que, no caso equatoriano, resta apenas esperar a confirmação do resultado eleitoral do dia 17 para ver se, mantido Rafael Correa no cargo, ele radicalizará o processo de concentração do poder e controle da sociedade (tal qual Acosta e também vários opositores à direita vem continuamente denunciando, considerando-se que suas avaliações estejam corretas), bem como se os sucessos obtidos até agora irão se multiplicar, mostrando que o Governo atual caminha de forma adequada e a estratégia adotada está correta.

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* Oito (8) candidatos concorrem ao Cargo: (1) Rafael Correa, atual Presidente; (2) o ex-banqueiro Guillermo Lasso; (3) o ex-presidente Lucio Gutiérrez, deposto por protestos populares em abril de 2005; (4) o empresário e candidato derrotado por Correa em 2006, Álvaro Novoa; (5) o pastor evangélico Nelson Zavala; (6) o cientista político liberal Maurício Rodas; (7) o advogado Norman Wray e (8) o economista e ex-ministro de Minas e Energia de Corrêa, Alberto Acosta[4].

** Uma pequena bibliografia sobre os cinco primeiros colocados encontra-se no rodapé [1].

*** Recomenda-se a leitura integral da entrevista, pela riqueza de detalhes que Acosta apresenta, destacando-se que é um opositor, ou observador de esquerda, que, independente de suas ligações ideológicas partidárias, ou construções teóricos da política, acaba mostrando que o Governo de Correa se constitui num processo de construção de um Estado totalitário, ou seja com características de supressão da sociedade, por meio da supressão das liberdades fundamentais.

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Fontes consultados:

[1] Ver:

http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2013/02/ha-duas-semanas-das-eleicoes-no-equador-correa-segue-favorito

[2] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/26140/presidente+equatoriano+vai+se+licenciar+do+cargo+para+concorrer+a+reeleicao+em+fevereiro.shtml

[3] Ver:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-02-02/prioridade-do-equador-e-combater-pobreza-com-desenvolvimento-sustentavel-diz-embaixador

[4] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/26871/eleicao+no+equador+dilemas+de+rafael+correa.shtml

[5] Ver:

http://www.infolatam.com.br/2013/01/28/gasto-estatal-impulsiona-correa-para-sua-reeleicao-no-equador/

[6] Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,gastos-altos-com-assistencialismo-e-infraestrutura-devem-reeleger-correa-,992359,0.htm

[7] Ver:

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/517427-no-equador-a-oposicao-de-esquerda-ao-governo-que-presume-ser-o-que-nao-e-entrevista-com-alberto-acosta

————————————

Ver também:

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36827

Pequeno artigo sobre a  Lei de Mineração, em 13.01.2009

Ver também:

http://www.infolatam.com.br/2013/01/30/equador-vetam-publicidade-e-video-ofensivos-a-correa-e-principal-rival/

Artigo sobre o veto do CNE a vídeo de campanha eleitoral

Ver também:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,duas-pessoas-morrem-em-protesto-pro-governo-no-equador-diz-correa,993222,0.htm 

Artigo sobre morte em comício

Ver também:

http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2013/02/05/homem-mata-2-pessoas-no-equador-em-comicio-de-rafael-correa.jhtm

Artigo sobre morte em comício

Ver também:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/25305/documentos+do+wikileaks+fortaleceram+equador+diz+rafael+correa.shtml

Artigo sobre o wikileaks

[13] Ver também:

http://www.infolatam.com.br/2013/01/31/equador-rafael-correa-diz-que-renunciara-se-ficar-provado-que-possui-contas-na-suica/

Artigo sobre defesa de Correa a acusações que estão sendo feitas

[14] Ver também:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/26878/equador+tera+320+observadores+internacionais+para+eleicoes+de+fevereiro.shtml

Artigo sobre os observadores internacionais para a Eleição equatoriana

About author

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.
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