ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

FAO e Moçambique selam acordo para redução do desmatamento

A conservação das florestas tropicais úmidas configura-se como uma das principais demandas para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Neste sentido, os países da América Latina, da África Subsaariana e do Sudeste Asiático aparecem como os principais locais de atuação de agências bilaterais, multilaterais e órgãos filantrópicos na temática da conservação.

Na semana passada, um novo passo nessa direção foi dado com a celebração de um Acordo entre o Governo de Moçambique e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Prevê-se um investimento de 6 milhões de dólares na contenção do desmatamento, incentivando práticas econômicas sustentáveis.

Reserva Florestal de Moribane

Um dos principais dilemas no âmbito da conservação está em encontrar maneiras de conservar a floresta em pé e, ao mesmo tempo, permitir o manejo seletivo de produtos madeireiros e não madeireiros. Com isso, o Acordo firmado prevê um apoio técnico, de 20 anos de duração, para o desenvolvimento de uma estratégia conservacionista ao setor florestal, além de dispositivos institucionais para a concessão ao uso e exploração das florestas.

A FAO vai servir uma linha de assistência técnica para que a nossa floresta seja resguardada ao mesmo tempo em que é utilizada como fonte de geração de riqueza”, afirmou Xavier Sailors, Diretor Nacional de Florestas de Moçambique, durante o evento que celebrou a assinatura do Documento, em Roma.

O Tratado faz parte de um programa maior promovido pelo Banco Mundial em conjunto com o Governo moçambicano. Este programa, de 47 milhões de dólares, foi firmado em março deste ano (2017) e também almeja conter o desmatamento no país africano. Desmata-se, anualmente, 0,35% dos 40 milhões de hectares de floresta, o que representa, somente para o ano passado, um corte total de 140 mil hectares nesse país.

Uma das principais causas do desmatamento em Moçambique é a geração de eletricidade: atualmente, 85% da energia advém da energia de biomassa. A conversão dessa fonte energética em uma fonte renovável é etapa crucial para consolidar, no longo prazo, uma economia de baixo carbono.

Este caminho, no entanto, somente será consolidado a partir da valorização da floresta em pé. Neste sentido, a implementação de programas de pagamentos por serviços ambientais, a criação de parques nacionais e a promoção de cadeias produtivas mais sustentáveis configuram-se como estratégias possíveis para lograr uma redução significativa do desmatamento em Moçambique.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Daniel Gustafson, da FAO, e Augusta Pechisso, do Governo de Moçambique, assinam acordo para a redução do desmatamento” (Fonte Website da FAO):

http://www.fao.org/news/story/en/item/992171/icode/

Imagem 2 Reserva Florestal de Moribane” (Fonte Wikipedia):

https://en.wikipedia.org/wiki/Moribane_Forest_Reserve

About author

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique
Related posts
ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

O mercado danês em tempos de Coronavírus

Direito InternacionalNOTAS ANALÍTICAS

ONU anuncia manter proteção a civis aos 10 anos da guerra na Síria

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Governo do Sudão compensa vítimas do ataque terrorista ao USS Cole

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Manufatura chinesa registra maior queda desde 2009 devido ao coronavírus

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!
Powered by