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NOTAS ANALÍTICAS

Fator “Coreia do Norte” não esconde a baixa relação entre Japão, Coreia do Sul e China

Ameaça Norte-CoreanaO continente asiático vem ganhando destaque nos noticiários internacionais principalmente graças as constantes ameaças nucleares da “Coreia do Norte”, mas também pelo alastramento de doenças graves na região e alguns desastres naturais, como os tremores que vem ocorrendo na China. Tantos acontecimentos ofuscam as relações do Japão com a China e com a Coreia do Sul”, que, por hora, aparentam estar unidos apenas em assuntos ligados à Pyongyang.

As relações dos japoneses com chineses e sul-coreanos andam em baixa nos últimos anos e, no ano passado (2012), as disputas territoriais de Seul e Beijing com Tokyo ganharam mais atenção devido a diversas declarações oficiais de suas autoridades sobre o assunto. Muitos acreditavam que tais atritos poderiam se agravar e desestabilizar os contatos diplomáticos destas nações, refletindo diretamente na economia regional.

As relações entre estas grandes potências da Ásia se desestabilizam quando o assunto são as ilhas Dokdo (para a “Coreia do Sul”) e Diayou (para China e Taiwan), ambas ocupadas pelo antigo “Império do Japão” antes das duas grandes guerras mundiais do século XX. Todas as nações asiáticas, historicamente, tem suas divergências, mas coreanos, japoneses e chineses sempre tiveram mais destaque devido as constantes batalhas por motivos territoriais e pelas diferenças culturais.

Na semana passada, a visita de autoridades japonesas ao templo de Yasukuni gerou polêmica na Coreia do Sul” e foi motivo de protesto e descontentamento formal do governo sul-coreano com seu vizinho.  Essa visita ao túmulo (que no Japão é considerado um ato de respeito aos heróis japoneses durante as batalhas passadas) e as declarações de dúvidas sobre as ações invasoras do passado, vindas do “Primeiro Ministro do Japão”, Shinzo Abe,  resultaram no cancelamento da visita ao Japão do “Ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul”, Yun Byung-se.

Não tão diferente de Sul, Beijing cancelou uma reunião ministerial entre osMinistros de Finançasdos três países que ocorre anualmente, antes daAssembléia Geral do Banco de Desenvolvimento da Ásia” (ADB, Sigla em inglês).

Não se sabe o real motivo por tal feito. O governo chinês diz não haver um motivo em especial para cancelar o encontro, mas o fato de o vice-ministro de Finanças do Japão, Takehiko Nakao, ter sido eleito o Presidente da entidade e os recentes desentendimentos envolvendo as ilhas de Diayou podem ter levado a esta ação, conforme apontam alguns analistas.

Para a China, recuperar todos os arquipélagos que, para eles, pertenceram aos antigos impérios chineses é uma das prioridades dos Governos recentes, levando-os a reivindicar esses territórios com os japoneses e com outros países na região do “Mar da China Meridional”, como Filipinas e Vietnam. A tentativa de recuperar antigos territórios faz parte da unificação chinesa, que ainda não foi totalmente concretizada.

As histórias destas nações sempre foram escritas através de desentendimentos diplomáticos, culturais e por batalhas envolvendo disputa de territórios, porém, chineses e coreanos (sul e norte) não tem tantos desentendimentos diplomáticos como os que existem entre eles com o Japão. Hoje, é importante para Tokyo manter boas relações com os chineses e norte-coreanos, mantendo um forte tripé para fortalecer a economia regional.

China e “Coreia do Sul” são os grandes nomes de alguns setores da economia mundial da atualidade. Superaram o Japão em serviços, no setor automobilístico e em tecnologia. Empresas coreanas e chinesas ganham cada vez mais os mercados mundiais, sendo elas as marcas asiáticas mais lucrativas, assim como foram as empresas japonesas durante a década de 1990.

Os japoneses ainda não tem planos bem definidos de como melhorar suas relações com seus vizinhos e, até o momento, apenas durante as tentativas de negociação com a “Coreia do Norte” eles se unem em prol de um objetivo comum, o que, da perspectiva da maioria dos analistas econômicos, não é positivo para a economia regional e internacional.

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.adb.org/news/takehiko-nakao-elected-new-adb-president

Ver:

http://www3.nhk.or.jp/nhkworld/portuguese/top/news04.html

Ver:

http://espanol.cntv.cn/20130426/102642.shtml

Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/seul-convoca-embaixador-japones-apos-visitas-a-polemico-templo,b363cdd88a83e310VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

 

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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