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[:pt]Fim prematuro do acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos[:]

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O Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês), caso fosse aprovado, resultaria na maior área de livre comércio do mundo, com mais de 60% do PIB do planeta e com as nações mais ricas do ocidente em um único grupo, sendo uma tentativa de restaurar o eixo econômico do Atlântico, o qual perdeu lugar para o eixo econômico do Pacífico devido à ascensão da China e aos avanços tanto da ASEAN como do Tratado Transpacífico (TTP).

Mas as negociações entre a União Europeia e os Estados Unidos nunca lograram obter o consenso necessário, pois as políticas europeias de incentivos e controle de determinados setores se chocavam com as políticas liberais americanas. Outro ponto crítico foi a falta de consenso entre os países membros da União, que não viam com bons olhos uma possível consolidação da hegemonia americana na Europa e o impacto da mesma no projeto de integração regional, que passa por uma série de desafios devido as crises recentes e aos problemas de governabilidade de alguns países, além do temor de uma reconfiguração nas políticas de financiamento da produção e nos incentivos a setores importantes, tais como a agricultura e a pecuária. Por último, temiam uma modificação nas leis de proteção ao consumidor.

No dia 28 de agosto, o Vice-Chanceler e Ministro da Economia, o Sr. Sigmar Gabriel, declarou publicamente o fracasso nas negociações e a incapacidade de obter um Acordo, embora a notícia não tenha sido recebida com surpresa, já que, em uma consulta pública realizada pela Comissão Europeia, mais de 80% dos participantes declararam não estar a favor das propostas geradas pela criação do Bloco.

Sendo assim, a União Europeia, após fracassar nas negociações com os Estados Unidos dará continuidade com outros acordos tais como o do Mercosul, embora o Bloco latino também passe por problemas internos devido à questão da Venezuela e ao afastamento da ex-presidente Dilma Roussef, que produziu um importante entrave diplomático entre os países membros.

Desde o início da Crise Financeira Internacional, em 2008, a Europa enfrenta diversos problemas, tais como a crise da Ucrânia, a crise do Mediterrâneo, a crise dos Refugiados, entre outras, dificultando uma recuperação do Bloco e seu fortalecimento. O reflexo dessas mudanças são o aumento do eurocepticismo e as novas reconfigurações políticas, tanto nos países da periferia europeia como nas economias mais consolidadas. A não aprovação do TTIP adiciona um fator relevante, já que que a Europa possui problemas a longo prazo para manter sua estrutura econômica e fiscal, principalmente devido a evolução demográfica do continente, a evasão da produção para economias emergentes e a crescente competitividade internacional.

A Incapacidade do Bloco de se reformular e se renovar está promovendo seu engessamento dentro das premissas nas quais se fundou a União Europeia, sendo cada vez mais difícil a superação das crescentes assimetrias entre os países membros e os desafios que surgiram nos últimos 10 anos, gerando conflitos internos, problemas de coesão e a falta do consenso necessário para dar continuidade ao projeto de integração.

O fim das negociações colocou em evidência a falta de consenso da União e sua crescente dificuldade de atuar e negociar de forma coesa, mantendo os interesses gerais do grupo, sendo este outro sintoma da real situação do Bloco europeu, que, aos poucos, vem dando mostras de esgotamento e fissuras contínuas.

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Imagem (Fonte):

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About author

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.
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