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Finlândia sugere que União Europeia imponha sanções contra o Brasil

O bioma amazônico é um território intercontinental e abrange territórios no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Ele possui posição estratégica nos discursos de preservação e sobre o desenvolvimento sustentável, pois, o mundo mobiliza-se nas tentativas de redução do aquecimento global, proposta durante o Acordo de Paris, em 2015.

Os Estados buscam modificar suas matrizes energéticas e adaptarem seus modelos produtivos para estimular um estilo de vida não agressivo à natureza. Diante desta perspectiva, é comum diferentes países realizarem doações para projetos sustentáveis feitos por Organizações Não Governamentais (ONGs), ou mesmo efetivarem altos valores para o Fundo Amazônia, o qual possui a missão de zelar pela flora da maior floresta tropical do mundo.

Nos últimos anos, o Estado brasileiro fez progressos na preservação da Amazônia e conseguiu reduzir o quantitativo de queimadas. O êxito brasileiro deve-se a boa gestão de recursos empregados, fiscalização e no monitoramento por satélite, atualizado diariamente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Todavia, a realidade modificou-se exponencialmente e, conforme dados do próprio INPE, a quantidade de queimadas na relação anual de 2018-2019 teve um crescimento de 82%.

Diante da péssima imagem internacional que se criou para o Brasil com o suposto descontrole das queimadas, diversos países iniciaram questionamentos acerca da situação, os quais acarretaram em tensão diplomática. Nesta linha de frente crítica, a Finlândia, que ocupa a Presidência rotativa da União Europeia (UE), propôs que o Bloco europeu imponha sanções contra as importações de carne brasileira. O argumento finlandês é que o Brasil permite o desmatamento para ampliar a área para a intensificação da pecuária e da agricultura.

Mikko Kärnä – parlamentar finlandês

O jornal Helsinkitimes trouxe a declaração do membro do Parlamento finlandês na Lapônia, pelo Suomen Keskusta (Partido do Centro), Mikko Kärnä, sobre a pauta das queimadas na Amazônia brasileira, o qual afirmou: “Enquanto a União Europeia e outros países estão combatendo a mudança climática, as florestas tropicais estão sendo queimadas de forma implacável para abrir caminho para a produção de soja e pecuária no Brasil. Todo mundo que usa produtos direta ou indiretamente dependentes da soja brasileira está destruindo o clima. Precisamos ter a coragem de impor um boicote a todas as carnes brasileiras e produtos de soja, até que esse comportamento imprudente nas florestas tropicais tenha chegado ao fim”.

Os analistas compreendem a importância do combate das queimadas na Amazônia brasileira, assim como a necessidade de preservação, além da ascensão de modelos produtivos mais sustentáveis por parte dos Estados, todavia, apontam observadores que é necessário ter cautela para que medidas exageradas não sejam empregadas, visto que, infelizmente, as queimadas são rotineiras na Amazônia brasileira, bem como em várias outras áreas florestais pelo mundo, e, conforme afirmam alguns formadores de opinião, a perda de controle ocorreu apenas este ano (2019).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista da Floresta Amazônica próximo à cidade de Manaus, capital do Estado do Amazonas”(Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/18/Amazon_CIAT_%285%29.jpg/1280px-Amazon_CIAT_%285%29.jpg

Imagem 2 Mikko Kärnä parlamentar finlandês” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Mikko_K%C3%A4rn%C3%A4.jpg

About author

Mestre em Sociologia Política (2018) e Bacharel em Relações Internacionais (2014) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ vinculado a Universidade Cândido Mendes. Atualmente incorpora o quadro do CEIRI Newspaper, onde atua na qualidade de colaborador voluntário na produção de notas analíticas e conjunturais na área de política internacional europeia com ênfase nos Estados Nórdico-Bálticos e Rússia.
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