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Fracassam negociações de Le Pen para criação de grupo partidário contrário às políticas da UE

Após um resultado significativo nas últimas eleições para o Parlamento Europeu (PE), no último mês de maio, a presidente do partido francês Frente Nacional, Marine Le Pen, não obteve sucesso nas negociações que visavam à criação de um grupo partidário contrário às políticas da União Europeia (UE) – a chamada Aliança Europeia pela Liberdade, do inglês, European Alliance for Freedom (EAF) – que atuaria no próprio Parlamento Europeu.

Tal Aliança consistia na união de partidos nacionais descritos, usualmente, como pertencentes à “extrema-direita”, cujo projeto de criação era encabeçado pela própria Le Pen, assim como por Geert Wilders, líder do Partido pela Liberdade, dos Países Baixos. O Partido pela Liberdade, da Áustria; a Liga do Norte, na Itália; e o Vlaams Belang, partido que representa a comunidade flamenga da Bélgica, apoiaram a criação da Aliança Europeia pela Liberdade.

Contudo, a criação de grupos partidários no PE – que implicam na disponibilidade de maiores fundos, tempo de fala na instituição e a ocupação de posições importantes nos Comitês – necessitam de, no mínimo, 25 parlamentares de, pelo menos, sete Estados-membros da UE.

As negociações com o Poland’s Congress of the New Right (KNP) não resultaram em um acordo, pois há incompatibilidades de valores, segundo o comunicado emitido pela Frente Nacional[1]. O KNP é conhecido pelas políticas antissemitas e pela defesa de que as mulheres deveriam perder o direito ao voto.

Florian Philippot, Vice-Presidente da Frente Nacional, afirmou: “Nós não temos nenhum grupo, por enquanto, pelo menos. Mas os nossos deputados, que são mais numerosos do que em qualquer outra parte da delegação francesa [no Parlamento Europeu], estarão lá para defender a França em qualquer circunstância, com ou sem um grupo[1]. De forma semelhante, Geert Wilders declarou que a inexistência de um acordo entre os partidos “anti-sistema”* não implica que ele não possa ser obtido posteriormente[2].

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* Denominação usualmente utilizada ao se referir aos partidos eleitos ao PE que possuem uma visão contrária à integração europeia.

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Imagem (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/11/European-parliament-strasbourg-inside.jpg

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Fontes:

[1] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/jun/24/marine-le-pen-fails-form-far-right-bloc-european-parliament

[2] Ver:

http://euobserver.com/eu-elections/124719

About author

Mestrando em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (Usp); Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Puc-SP). Colaborador do Núcleo de Análise da Conjuntura Internacional (NACI) e do Núcleo de Estudos de Política, História e Cultura (Polithicult). Experiência profissional como consultor de negócios internacionais. Atua nas áreas de Política Internacional, Integração Europeia, Negócios Internacionais e Segurança Internacional. No CEIRI NEWSPAPER é o Coordenador do Grupo Europa.
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