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França está pronta para ação militar na Síria

Após a proposta do Primeiro-Ministro britânico, David Cameron, acerca da realização de uma intervenção militar na Síria ter sido barrada pelo Parlamento britânico*[1], o Presidente da França, François Hollande, anunciou que o seu país está pronto para acompanhar os Estados Unidos da América (EUA) em uma eventual ação militar.

Em entrevista concedida ao jornal francês “Le Monde”, Hollande afirmou que “são poucos os países que têm a capacidade de infligir uma sanção pelos meios adequados. A França é um deles. Estamos prontos. Vamos decidir a nossa posição em estreita colaboração com os nossos aliados. Todas as opções estão em cima da mesa. A França quer uma ação que seja proporcional e firme contra o regime de Damasco[2]. Anteriormente, Hollande declarou que o Presidente da Síria, Bashar al-Assad, é o responsável pela morte de centenas de pessoas através do uso de armas químicas.

Diferentemente das leis britânicas, o Presidente da França tem o direito de declarar guerra, ou iniciar um ataque militar, sem a aprovação prévia do Parlamento. Contudo, Hollande anunciou que sua decisão final sobre o assunto não ocorrerá antes de ter “todos os elementos para justificá-la[3], o que para alguns analistas consiste na vinculação da decisão francesa ao Relatório que será apresentado pelos especialistas da “Organização das Nações Unidas” (ONU).

De acordo com alguns observadores, a negativa apresentada pelo Parlamento do Reino Unido deu-se devido ao papel do país, ao lado dos EUA, na Guerra do Iraque” (2003); já a iniciativa francesa seria um reflexo do papel dos franceses na mesma guerra, liderando a oposição internacional contrária à ação[3].

Vale ressaltar, conforme apontado pelo próprio Governo da França, que o ímpeto francês em lançar uma ação militar na Síria não se deve a suposta necessidade delibertar o país de uma “ditadura” (retórica muito utilizada pelos políticos dos EUA após os ataques terroristas de 11 de setembro), mas sim dar uma resposta rápida e eficaz ao uso de armas químicas pelo Governo de al-Assad.

Hollande declarou que por questões políticas ele pretende formar uma coalizão de Estados com o intuito de punir o uso de armas químicas na Síria, uma forma de se proteger de alegações de que suas ações seriam apenas para realizar a vontade dos norte-americanos[3]. Em entrevista a uma rádio europeia, o “Ministro do Interior da França”, Manuel Valls, fora enfático ao afirmar que a França não pode agir sozinha[4].

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* Em uma votação apertada, com 285 votos contrários e 272 a favor da proposta.

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Imagem François Hollande” (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/05/Fran%C3%A7ois_Hollande_Journ%C3%A9es_de_Nantes.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

https://ceiri.news/parlamento-britanico-rejeita-intervencao-armada-na-siria/

[2] Ver:

http://euobserver.com/foreign/121265

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2013/aug/30/france-us-ally-syria-intervention

[4] Ver:

http://www.dw.de/francois-hollande-and-the-syrian-trap/a-17062564?

 

About author

Mestrando em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (Usp); Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Puc-SP). Colaborador do Núcleo de Análise da Conjuntura Internacional (NACI) e do Núcleo de Estudos de Política, História e Cultura (Polithicult). Experiência profissional como consultor de negócios internacionais. Atua nas áreas de Política Internacional, Integração Europeia, Negócios Internacionais e Segurança Internacional. No CEIRI NEWSPAPER é o Coordenador do Grupo Europa.
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