ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Fundo Monetário Internacional estima crescimento da economia chinesa em quase 2%, contrariando tendência mundial

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que a economia da China vai crescer 1,9% em 2020, e 8,2%, em 2021, evitando a contração registrada a nível global devido à pandemia da doença do novo Coronavírus (COVID-19), informa o jornal Hoje Macau.

Estas previsões representam a última atualização do FMI, depois de reuniões entre o Chefe da Missão para a China, Helge Berger, o Vice-Diretor do FMI, Geoffrey Okamoto, e o Governador do Banco Central da China, Yi Gang, além de diretores das agências regulatórias chinesas do mercado de ações, do setor bancário e de seguros.

Apesar das perspectivas positivas, Okamoto alertou que o crescimento continua a ser desequilibrado, pois depende excessivamente da intervenção de Pequim, enquanto o consumo privado diminuiu. O Vice-Diretor também lembrou que a economia chinesa ainda está exposta a “crescentes vulnerabilidades financeiras”e a um“ambiente externo cada vez mais complexo”.

Alimentos em mercado de Xangai (março de 2020)

As estimativas do FMI são de que os preços de produtos tradicionalmente mais voláteis, como de alimentos ou energia, não irão crescer, o que levará o índice de preços ao consumidor, o principal indicador da inflação no varejo, a não ultrapassar, no próximo ano (2021), o limite de 3% estabelecido por Pequim antes da crise do novo Coronavírus.

Okamoto defendeu que o governo chinês continue a modernizar as políticas monetárias, a apoiar os grupos mais vulneráveis na sociedade e a fortalecer os marcos regulatórios do sistema financeiro para reduzir riscos.

Sobre o papel do país na crise global da COVID-19, o diretor do FMI apontou que a China “pode ajudar a comunidade internacional a superar muitos dos principais desafios que a economia global enfrenta”. Também citou o acesso a possíveis vacinas contra o novo Coronavírus, o alívio da dívida dos países pobres, o financiamento sustentável para o investimento global em infraestrutura e o combate às mudanças climáticas.

De acordo com dados oficiais, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,9%, em termos homólogos, no terceiro trimestre do ano, o que representou um retorno a valores positivos, no conjunto do ano até setembro (0,7%), após uma queda de 6,8% no primeiro trimestre de 2020 e um aumento de 3,2% no segundo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista da cidade de Xangai”(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/64/Shanghai_skyline_from_the_bund.jp

Imagem 2 Alimentos em mercado de Xangai (março de 2020)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e8/HK_YMT_%E6%B2%B9%E9%BA%BB%E5%9C%B0_Yau_Ma_Tei_%E4%B8%8A%E6%B5%B7%E8%A1%97_Shanghai_Street_shop_March_2020_SS2_17.jpg

About author

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Durante a graduação, foi bolsista do Programa Santander Universidades na Universidade de Coimbra, em Portugal. Integra o Grupo de Pesquisa Pensamento e Política no Brasil da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase nas linhas de pesquisa de Pensamento Político Brasileiro e de Relações Internacionais, atuando principalmente nos estudos sobre Política Doméstica e Externa da China, Segurança Internacional, Diplomacia e Diásporas Asiáticas. Associado à Midwest Political Science Association (MPSA).
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