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ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Futebol é a bola da vez na política

O futebol é sem dúvidas o esporte mais popular do mundo ou, talvez, o mais globalizado de todos. Não importa o idioma, o sistema político ou a localização geográfica, os grandes times são facilmente reconhecidos e seguidos com devoção.

Por esse motivo, o esporte se transformou para muitos países em uma espécie de ferramenta de softpower em sua atuação internacional. O softpower, ou poder brando”, é o conjunto de habilidades que um país ou ator internacional possui para influenciar indiretamente outros atores mediante canais alternativos aos políticos, tais como a cultura, a religião, o esporte, para citar alguns.

O esporte tem se transformado aos poucos num importante reflexo de um país ou na imagem que este possui no cenário internacional, e as competições internacionais se transformaram em uma forma de obter exposição mundial. O quadro de medalhas da China, por exemplo, aumentou de forma proporcional ao crescimento econômico do país. Muitos analistas, inclusive, afirmam que a vitória da Alemanha na última Copa do Mundo de Futebol foi fruto de uma campanha típica de softpower, gerando empatia com o país, pois o sentimento de admiração que levantou a seleção alemã ficou longe da visão que se tem de uma sociedade fria[1].

Os escândalos da FIFA[2] foram o outro lado da moeda. As ações movidas pelos Estados Unidos transmitiram um discurso claro frente à corrupção existente nos órgãos internacionais. Em relação ao Brasil, a situação da seleção parece acompanhar o descrédito que sofre o país.

A última intervenção do futebol no mundo da diplomacia e da política vem do país que possuí o campeonato e os times mais famosos do mundo, a Espanha, lar do Real Madrid, do Barcelona, do Atlético de Madrid, do Atlético de Bilbao, do Sevilha, do Deportivo, dentre vários clubes mundialmente conhecidos e admirados.

O processo de independência da Catalunha sempre utilizou o time do FC Barcelona como meio de propaganda. Ao final, a região não é tão conhecida quanto sua capital e o time sediado nela. Em qualquer lugar do mundo, as pessoas, mesmo não sabendo localizar a Catalunha no mapa, conhecem o Barcelona, os jogadores e um dos seus maiores técnico, o Sr. Josep Guardiola, que foi também jogador no time e na seleção espanhola.

A trajetória de Guardiola sempre esteve ligada a causa nacionalista, sendo, por isso, muitas vezes criticado pelo resto da Espanha. Mas, nesta semana, no dia 20 de junho, o ex-técnico do Barcelona voltou a ser notícia, ao integrar a lista unitária separatista que irá concorrer às próximas eleições na Catalunha, no dia 27 de setembro, como um dos 5 candidatos para o Parlamento[3].

O Governo da Catalunha nos últimos 4 anos trabalha em prol da separação da Espanha de forma intensa. Em novembro de 2014, chegou a celebrar um plebiscito não reconhecido pelo Governo Central de Madrid para consultar a população e houve uma clara vitória a favor da cisão. Após o plebiscito, o Presidente da Catalunha, o Sr. Artur Más, articulou uma série de alianças com os principais partidos para concorrer às eleições ao Parlamento e dar início ao processo de separação do Estado Espanhol, mediante um Governo de transição com uma pauta separatista.

A lista foi composta por Raul Romeva, representante dos ambientalistas de esquerda do Partido Iniciativa Para Catalunya; Carme Forcadel, da Assembleia Nacional da Catalunha, responsável por articular o movimento separatista e representante do processo legal;  Muriel Casals, da Òmnium Cultural, responsável pelas ações culturais e representante da cultura; Artur Mas,representante dos liberais do partido Convergência Democrática da Catalunha; Oriol Junqueres, representante do Partido Esquerda Republicana da Catalunha e, por último, o Sr. Josep Guardiola, como símbolo de coesão do nacionalismo catalão[4].

Dessa forma, vemos como diferentes setores da sociedade da Catalunha estão representados na lista e como o futebol é usado como ferramenta de coesão, bem como para incentivar a adesão social e sua participação no processo, sendo o nome da plataforma “Juntos pelo Sim”. Agora, espera-se para ver como esse jogo vai terminar.

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ImagemGuardiola enrolou bandeira da Catalunha no troféu quando ganhou a Liga dos Campeões da Europa e agora integra a lista para o parlamento catalão” (Fonte):

http://static.goal.com/132800/132881_heroa.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/07/04/motivos-para-a-selecao-alema-ser-considerada-a-mais-legal-da-copa.htm

[2] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/05/150527_entenda_fifa_lab

[3] Ver:

http://www.lavanguardia.com/politica/20150720/54433494970/pep-guardiola-ultimo-lugar-lista-unitaria-27s.html

[4] Ver:

http://www.lavanguardia.com/politica/20150720/54433506156/junts-pel-si.html

About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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