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Fuzileiros navais americanos relembram Pequim das capacidades militares de Washington

Os fuzileiros navais americanos conduziram exercícios de tomada de bases aéreas e de ilhas nos Mares do Leste e do Sul da China, o que, segundo analistas, possui a função de relembrar à China das capacidades militares dos Estados Unidos no Indo-Pacífico. Os exercícios navais de 11 dias (entre 9 e 19 de agosto de 2019) foram conduzidos nas proximidades das Filipinas e ao redor da ilha japonesa de Okinawa pelas tropas americanas estacionadas no Japão, informa o jornal South China Morning Post.

Observadores afirmaram que Washington deseja mostrar para Pequim que as suas Forças Armadas podem realizar campanhas anfíbias em territórios longínquos, caso os Estados Unidos decidam intervir nas disputas territoriais entre a China e seus aliados na região. 

A “31ª Unidade Expedicionária” e o “Esquadrão Anfíbio 11conduziram exercícios conjuntos a partir de seus navios, pertencentes ao Grupo de Prontidão Anfíbio. O Pelotão de Reconhecimento Anfíbio também realizou uma missão de vigilância e reconhecimento de grande altitude e um salto de paraquedas sobre a ilha de Okinawa. Posteriormente, um heliplano Osprey* enviou uma equipe de operações terrestres, a partir de um navio Wasp**, a uma localidade a mais de 400 quilômetros de distância, para que estabelecesse um posto de rearmamento e de reabastecimento. O time alcançou o objetivo em pouco mais de uma hora.

Heliplano Osprey utilizado pela Marinha dos Estados Unidos

O tenente Guiron Cai, da Equipe de Controle do Tráfego Aéreo da Marinha da China, afirmou: “A velocidade com a qual os fuzileiros navais americanos foram capazes de estabelecer o posto de rearmamento e de reabastecimento demonstra uma habilidade crítica para o exercício de operações expedicionárias em uma região contestada”.

Adam Ni, especialista em China da Universidade Macquarie, em Sydney, na Austrália, apontou: “É um claro lembrete para a China acerca da supremacia militar dos Estados Unidos apesar da aproximação das capacidades militares dos dois países nos últimos anos. A mensagem é que as Forças Armadas americanas ainda podem tomar pontos controlados por Pequim no Mar do Sul da China em um conflito de alta intensidade”.

A China possui um litígio com o Japão em relação às Ilhas Diaoyu/Senkaku no Mar do Leste da China, enquanto Pequim e Manila clamam soberania sobre o Atol de Scarborough, no Mar do Sul da China. Desde a eleição do presidente Donald Trump, os Estados Unidos têm reforçado sua presença militar no Indo-Pacífico como forma de conter a presença chinesa nos Mares do Sul e do Leste da China, e a fim de garantir a liberdade de navegação e o respeito ao Direito Internacional na região.

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Notas:

* Heliplano Osprey: Osprey (‘águia pescadora’, em inglês) é um tipo de aeronave militar polivalente. É classificada como um convertiplano, ou seja, como uma aeronave com capacidade de decolagem e aterrissagem verticais (VTOL), bem como como decolagem e aterrissagem curtas (STOL). Seu projeto junta a função de um helicóptero convencional com a de um avião turboélice.

** Navio Wasp: Classe de Porta-Aviões Leves da Marinha dos EUA.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Treinamento dos fuzileiros da 31ª Unidade Expedicionária em portaaviões” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/31st_Marine_Expeditionary_Unit#/media/File:USMC_M16A4_Rifle.JPG

Imagem 2 Heliplano Osprey utilizado pela Marinha dos Estados Unidos”(Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Bell_Boeing_V-22_Osprey#/media/File:MV-22_mcas_Miramar_2014.JPG

About author

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Durante a graduação, foi bolsista do Programa Santander Universidades na Universidade de Coimbra, em Portugal. Integra o Grupo de Pesquisa Pensamento e Política no Brasil da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase nas linhas de pesquisa de Pensamento Político Brasileiro e de Relações Internacionais, atuando principalmente nos estudos sobre Política Doméstica e Externa da China, Segurança Internacional, Diplomacia e Diásporas Asiáticas. Associado à Midwest Political Science Association (MPSA).
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