fbpx
AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

Gás de Xisto: novo caminho para os EUA

A descoberta de grandes reservas de “gás de xisto” entre 2008 e 2009 tem transformado o setor energético dos “Estados Unidos da América” (EUA). O Estado norte-americano é conhecido mundialmente pela sua dependência externa de hidrocarbonetos e por direcionar sua política externa para questões relativas à segurança energética do país. Assim, a descoberta das grandes reservas trouxe uma nova perspectiva, estimada, segundo a “Administração de Informação sobre Energia (EIA), em torno de 2,7 trilhões de metros cúbicos de “gás de xisto” e capaz de abastecer o mercado norte-americano por mais de 100 anos[1].

No presente, o “gás de xisto” representa aproximadamente 34% do total de gás natural extraído no país. Conforme relatório da “McKinsey Global Institute”, em 2020, o “gás de xisto” será responsável por 2% a 4% do “Produto Interno Bruto” (PIB) dos EUA, gerando, dessa forma, mais 1,7 milhões de empregos diretos e entre US$ 380 a US$ 690 bilhões à economia do país[2].

Nessa perspectiva, crê-se que o fato das 48 reservas de gás encontrarem-se em 28 Estados diferentes nos EUA irá promover de forma direta e indireta empregos por todo o país, por meio dos 1,4 trilhões que serão investimentos em gasodutos e infraestrutura. Conforme Christopher Guith, vice-presidente doInstitute for 21st Century Energy, of the US Chamber of Commerce”, “nos últimos cinco anos de recessão, essa foi a atividade que salvou vários Estados[3].

Dada a grande oferta de “gás de xisto” no Estado norte-americano, os EUA vendem o gás a um preço imbatível, cerca de US$ 4 por milhão de BTUs (“British Thermal Unit”, unidade de energia para medir quantidades de gás). Um preço bem baixo se comparado a outros produtores internacionais, como a Rússia que vende gás natural para Alemanha a US$ 11,36.

No Brasil, segundo aponta René Rodrigues, Coordenador do Instituto Nacional de Óleo de Gás (Inog)” da UERJ, a exploração de “gás de xisto” ainda é pequena e se concentra principalmente nas reservas de petróleo do pré-sal[4]. Assim, se comparado ao preço do xisto norte-americano, os US$ 18 pelo qual é vendido o “gás de xisto brasileiro se torna bastante elevado. Esse panorama preocupa as empresas do setor de energia do Brasil, como assinala Célia Feldpausch, diretora executiva da “Coalizão das Indústrias Brasileiras” (BIC, na sigla em inglês), a qual afirma que “O gás de xisto está revolucionando o mercado de energia e a produção nos Estados Unidos, com reflexos sérios para o Brasil[5].

O grande problema em relação ao “gás de xisto”, que vem promovendo longo debate entre ambientalistas, refere-se ao fato de que somente pode ser extraído por fratura hidráulica, um “método controverso para obtenção de gás natural, pelo qual uma mistura de água, produtos químicos e areia é injetada na rocha, quebrando-a e liberando o gás dentro dela[6]. Os ambientalistas alertam que o método pode consumir grandes quantidades de água e salientam que a mistura pode vir a contaminar o lençol freático e até mesmo causar terremotos.

A “Casa Branca”, em compensação, prefere ressaltar a importância econômica e social que a descoberta das grandes reservas vem promovendo no país e como a sua exploração pode beneficiar os EUA, através de estimativas e indicadores econômicos. Nesse sentido, analistas estimam que até 2020 o setor energético seja responsável por impulsionar a economia entre US$ 55 bilhões e 85 US$ bilhões, beneficiando o PIB industrial por meio de petroquímicas, siderúrgicas, fertilizantes e outras. Também argumentam que o “Produto Interno Bruto que contabiliza o setor da construção, comércio, transportes e serviços, deve somar entre US$ 210 bilhões e US$ 380 bilhões[7]. Logo, para o “Governo norte-americano”, o “gás de xisto” representa um novo caminho para sair da dependência energética e ao mesmo tempo impulsionar a economia estadunidense.

————————-

Imagem (Fonte):

http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424052702303936904579178380139758684?mg=reno64-wsj&url=http%3A%2F%2Fonline.wsj.com%2Farticle%2FSB10001424052702303936904579178380139758684.html

————————-

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://oglobo.globo.com/economia/gas-nao-convencional-nos-eua-muda-mapa-energetico-mundial-10304745

[2] Ver:

Idem.

[3] Ver:

Idem.

[4] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/geral/20120719-estados-unidos-se-tornam-autosuficientes-em-gas-gracas-ao-xisto

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/economia/gas-nao-convencional-nos-eua-muda-mapa-energetico-mundial-10304745

[6] Ver:

http://www.dw.de/meio-ambiente-fica-em-segundo-plano-na-corrida-%C3%A0-casa-branca/a-16257146

[7] Ver:

Idem.

About author

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.
Related posts
AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

Rumos geopolíticos entre Rússia e EUA, após as eleições norte-americanas

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

Movimento #EndSARS na Nigéria

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

França, Europa e o apogeu da intolerância

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Após um ano de protestos populares e de sua própria renúncia, Hariri retorna ao posto de Premier no Líbano

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!