ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Gazprom e a Copa do Mundo da Rússia

Durante os jogos da Copa do Mundo da Rússia, um importante participante foi elencado para se apresentar em todas as partidas de futebol, atuando como um dos principais patrocinadores do evento esportivo mais visto do planeta. A Gazprom, maior empresa da Federação Russa e maior exportadora mundial de gás natural, teve seu nome projetado aos bilhões de telespectadores ao redor do mundo através da mídia futebolística, fazendo com que sua importância no ramo de fornecimento de energia seja notada por aqueles que ainda tem pouco conhecimento sobre ela.

Propaganda da Gazprom

Herdeira direta do ministério soviético da indústria do gás, foi transformada em 1989 por Viktor Stepanovich Chernomyrdin (Primeiro-Ministro Russo entre 1992 e 1998), em um agrupamento econômico estatal submetido ao princípio de autonomia financeira e de gestão, tendo seu capital aberto ao mercado em 1993 e, desde então, a companhia se tornou uma gigante global, focada na exploração, produção, transporte, armazenamento, processamento e venda de gás, gás condensado e petróleo, atuando nos mercados de combustível para veículos, geração e comercialização de calor e energia elétrica.

Tendo o Governo russo como principal controlador (com 50,2% das ações), a Gazprom apresenta atualmente um valor de mercado em torno dos 3,4 trilhões de rublos (cerca de 58 bilhões de dólares) e seus números impressionam por conta de seu tamanho.

Segundo Alexey Miller, presidente da Gazprom, a empresa possui cerca de 17% das reservas de gás existentes no mundo, com uma taxa anual de crescimento maior do que a de extração, tendo, no ano de 2017, batido um recorde no fornecimento mundial, ao exportar para o mercado europeu cerca de 194,4 bilhões de metros cúbicos de gás natural (35,7% da demanda europeia).

Dutos de gás com logotipo da Gazprom ao fundo

Outro dado que impressiona é o tamanho da rede de gasodutos, que ultrapassa os 170 mil quilômetros, com uma projeção crescente para atendimento, em 2019, de localidades como Sibéria e China.

Diversos analistas internacionais descrevem a Gazprom como uma importante arma geopolítica, devido a sua estratégia mercadológica e sua abrangência internacional, em que a Rússia representa a principal fonte de abastecimento externo da União Europeia, dificilmente substituível no curto prazo, principalmente para países da Europa Central*, onde mais de 70% das importações de gás provêm da Federação Russa.

Em fevereiro de 2018, data comemorativa dos 25 anos de existência da Gazprom, o presidente russo Vladimir Putin exortou o “trabalho colossal” da companhia, que, além de consolidar o setor energético e desenvolver novas tecnologias no mercado interno, ampliou suas capacidades e operações no exterior, marcando presença em 34 países. Putin deixou claro que as empresas do setor de energia têm uma importância significativa para toda a Federação Russa, dizendo que, “sem exageros, a Gazprom é quem dá o tom da economia nacional”.

 

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Nota:

* Alemanha, Áustria, Eslováquia, Eslovênia, Hungria, Liechtenstein, Polônia, República Tcheca e Suíça.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logotipo da Gazprom na Copa do Mundo da Rússia” (Fonte):

https://cdnfr2.img.sputniknews.com/images/101604/46/1016044607.jpg

Imagem 2 Propaganda da Gazprom” (Fonte):

https://twitter.com/goalar/status/1008714207259451394

Imagem 3 Dutos de gás com logotipo da Gazprom ao fundo” (Fonte):

https://cdnmundo2.img.sputniknews.com/images/106959/67/1069596727.jpg

About author

Mestrando no programa de Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais (PUC-SP) na linha de pesquisa em Cooperação Internacional. Especialista em Política e Relações Internacionais (FESPSP) e habilitado em Iniciação Científica em Defesa, pela Escola Superior de Guerra (ESG-RJ). Cursou MBA em Economia de Empresas (FEA-USP) e graduou-se como Bacharel em Ciências Econômicas (CUFSA). Especialista em Docência no Ensino Superior (SENAC) atuou durante 7 anos como educador voluntário no Projeto Formare da Fundação Iochpe, ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Como articulista no Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) escreve sobre política e economia da Eurásia.
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