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A Geração Elétrica Nuclear faz parte da matriz energética de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul com diferentes graus de contribuição. Somado, o parque de geração nuclear do BRICS monta a 86 usinas em operação*, o que representa 20% do parque mundial. Em termos de geração mundial de eletricidade nuclear, os BRICS produziram 15% do total de 2,5 mil TWh** em 2014.

O grupo também tem 40 usinas em construção***, o que representa 60% das futuras usinas a entrarem em operação ao longo dessa década. A forte participação fica por conta de China, Rússia e Índia. Na África do Sul, o Governo chegou a lançar mais de uma vez licitações internacionais, porém a decisão firme para início de construção de uma terceira usina vem sendo seguidas vezes postergada.

No Brasil há apenas uma usina em construção (Angra 3, com 1.405 MW) com início de operação em 2018. O Governo brasileiro, entretanto, tem anunciado novas unidades em horizontes de mais longo prazo. O Plano Nacional de EnergiaPNE 2030, lançado em 2008, considerava a instalação de 4.000 MW nucleares adicionais após a entrada em operação de Angra 3, porém ainda sem decisões firmes para efetivo início de construção.

A Rússia é um país que tem fartura de recursos energéticos, principalmente gás natural. Sua condição de potência nuclear militar lhe propiciou a base tecnológica para a exploração da geração elétrica nuclear, mas as baixas condições de segurança em seus reatores, tanto de projeto como na operação, levaram ao desastre de Chernobyl. Em 2010 as fontes hídricas, carvão e nuclear respondiam por cerca de 17% cada uma e o gás natural por 47%.

Não há participação significativa de energias alternativas na matriz elétrica russa. A produção a partir de petróleo está sendo desativada, como na maioria dos países, enquanto a participação da energia nuclear cresceu 38% em relação à de 1990. A Rússia tem 9 reatores em construção com capacidade total prevista de 8,2 GW.

A Índia é um país em rápido desenvolvimento, cuja opção para geração foi predominantemente o carvão. Seu PIB entre 1971 e 2009 cresceu 5,7% ao ano, tendo se multiplicado por um fator 8,1. O consumo de eletricidade foi multiplicado por 13,5 tendo crescido a 7,1% ao ano em média.

O país tem 21 reatores nucleares em operação e 6 em construção, com uma potência adicional prevista de 4,8 GW. A Índia é importadora de energia fóssil e depende do abastecimento externo em 16% do carvão, 81% do petróleo e 21% do gás natural.

A crescente aceitação da Índia como potência nuclear militar “de facto” tem aberto caminhos para a cooperação internacional que facilitam essa expansão.

A geração elétrica na China cresceu 9,0% ao ano entre 1971 e 2009, tendo sido multiplicada por um fator 27. O uso da eletricidade passou de 138 TWh para 3.696 TWh por ano. O PIB real cresceu 9,4% ao ano no mesmo período, tendo sido multiplicado por um fator 30****. Para atender este grande crescimento da demanda, a China adotou o carvão como combustível básico, cuja participação atingiu 80%.

Um grande investimento foi feito ainda em hidrelétricas, cuja participação, no entanto, após superar 20% nas décadas de setenta e oitenta, foi reduzida em alguns pontos percentuais. A participação do petróleo, que também chegou a superar 20%, foi reduzida a menos de 0,5% em 2009.

A China é praticamente independente de importação de carvão (4%), mas é dependente de importação de petróleo (52%) e importa 5% do gás natural que consome. Embora sem participação significativa na sua geração atual, a China tem ambiciosos programas nuclear e de energias alternativas.

Estão sendo construídos na China Continental 27 reatores com capacidade total de 26,6 GW, e ela está se preparando para ser fornecedora de centrais nucleares para o exterior. Dois outros reatores estão em construção em Taiwan. A China está atuando fortemente na área de produção de coletores fotovoltaicos a preços muito inferiores aos dos concorrentes e está a caminho de dominar este mercado. Também é líder mundial em energia eólica.

A geração elétrica na África do Sul é amplamente dominada pelo carvão, que responde por mais de 90% do total da eletricidade produzida no País. Isso se explica, basicamente, pela abundância desse recurso natural no país. A segunda maior fonte é a nuclear, com 6%. O gás natural e as renováveis, basicamente hidrelétricas, respondem por parcelas complementares muito pequenas.

A geração nuclear não deverá ser majoritária nestes países, mas continuará a ser uma opção relevante nas suas políticas e matrizes energéticas. A cooperação existente dentro do grupo no setor é ainda muito limitada, mas apresenta perspectivas concretas de acelerado crescimento nos próximos anos.

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* 2 no Brasil, 34 na Rússia, 27 na China, 21 na Índia e 2 na África do Sul.

** Brasil – 15.385 GW.h (2,86% do total de geração nacional); Rússia – 169.049 GW.h (18,57%); Índia – 33.232 GW.h (3,53%); China – 130.580 GW.h (2,39%) e África do Sul – 14.749 GW.h (6,20%)

*** 1 no Brasil; 24 na China; 6 na Índia e 9 na Rússia

**** No mesmo período, o PIB do Brasil se multiplicou por um fator 4,3!

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Imagem (Fonte):

http://4.bp.blogspot.com/-M-PmqVguODo/VCytUz2KwlI/AAAAAAACIUk/75Qp4NKsQ60/s1600/brics.jpg

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Fonte consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

About author

É Diretor Presidente e Diretor Técnico da Eletrobrás Termonuclear S.A. - Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA. Membro do Board of Management da World Nuclear Association. Foi Professor Titular da Faculdade de Administração da FAAP, Professor Visitante da Escola Politécnica da USP, Diretor Técnico-Comercial da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa SA – AMAZUL, Assistente da Presidência da Eletronuclear e Coordenador do Programa de Propulsão Nuclear do Centro Tecnológico da Marinha. Especialista em Segurança Nuclear e Proteção Radiológica, é Doutor em Engenharia Naval e Oceânica pela USP, Mestre em Engenharia Nuclear pela Universidade de Paris XI e autor de vários livros e artigos sobre engenharia naval e nuclear, gestão e planejamento, política nuclear e não-proliferação.
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