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AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Gestão de Lenín Moreno no Equador completa dois anos com menor aprovação do período

Lenín Moreno Garcez Boltaire completará em maio de 2019 dois anos como Presidente Constitucional da República do Equador. O aniversário de gestão traz para o mandatário o desafio de reverter o mais baixo índice de aprovação obtido pelo seu governo desde a posse.

Formado em Administração Pública, Lenín empreendeu na área de turismo até iniciar-se na vida pública como gestor governamental, em 1996. Militante político desde os tempos de faculdade, foi eleito em 2006 e reeleito em 2009, nas duas vezes como Vice-Presidente da República, na chapa de Rafael Correa. Declinou de convite para nova reeleição junto com Correa, que se elegeu pela terceira vez, e foi nomeado Delegado sobre Deficiência e Acessibilidade da ONU, onde atuou de 2013 a 2016.

Em 2017 foi eleito Presidente da República, e visto como um símbolo da resistência da esquerda, um dos poucos remanescentes do “Socialismo do Século XXI”, num contexto de ascensão do neoliberalismo no continente. No seu discurso de posse comprometeu-se a combater as desigualdades, erradicar a pobreza extrema e governar para todos, indicando que daria continuidade ao trabalho iniciado dez anos antes por seu antecessor, na chamada Revolução Cidadã.

Considerado um sucessor natural de Rafael Correa, logo tornou-se seu desafeto, inclusive na disputa pelo partido Aliança País, fundado por Correa, mas que terminou em seu poder. No seu primeiro ano de governo exonerou diversos políticos correistas e conduziu uma consulta popular, cujo resultado, dentre outras coisas, impediu que o ex-Presidente pudesse ser candidato novamente. Segundo o jornal brasileiro Estado de Minas, essas medidas foram o suficiente para “sepultar a herança de seu antecessor e ex-aliado, Rafael Correa”.

Em sua gestão buscou desfazer a tensão entre o Governo e os setores da mídia e empresariado, promoveu a reaproximação do seu país com os Estados Unidos, com países da Europa e com instituições financeiras multilaterais. O Equador continuou mantendo laços fortes com nações vizinhas, a exemplo do Peru e da Colômbia, e participando das atividades promovidas por blocos regionais, tais como as rodadas de negócios da Aladi (Expoaladi 2017 e 2018) e da Comunidade Andina de Nações(VI e VII Encuentro Empresarial Andino em 2017 e 2018).

Não obstante, o Governo Moreno afastou-se da Venezuela, com críticas severas ao regime de Nicolás Maduro, e anunciou, em julho de 2018, que iria demandar a devolução do edifício-sede da Unasul em Quito, entidade da qual veio a se retirar em março de 2019. Ainda em julho de 2018 solicitou a  associação à Aliança do Pacífico que, embora seja um bloco regional latino-americano, fora rejeitado por Rafael Correa, que via com suspeição a entidade.

Presidente Moreno se reúne com prefeitos municipais

No período de um ano a aprovação da gestão Moreno caiu de mais de 80% (9 de agosto de 2017) para menos de 45%, em 12 de agosto de 2018. Enquanto atribuía as dificuldades ao legado negativo deixado por Correa diminuía a credibilidade do povo na sua pessoa e o correismo se mobilizava para ressurgir como força oposicionista ao morenismo. Nas eleições regionais de março de 2019, embora não tenha ocupado postos-chaves nas três cidades principais do país, o correismo obteve vitórias que aumentam seu poder de ação.

Dentre os avanços obtidos por Lenín Moreno estão o aumento do Investimento Estrangeiro Direto (IED) em mais de 126% de 2017 para 2018 e o crescimento do PIB em 1,4%, ou seja, 0,3 ponto acima dos 1,1% estimados pelo próprio Governo e pelo FMI. O que revelam as pesquisas recentes, todavia, é que a aprovação da gestão segue em queda livre, já estando abaixo dos 30%, conforme pesquisas de duas empresas distintas.

Enquanto o FMI projeta uma contração de 0,5%  no PIB do Equador para 2019,  e surgem denúncias de envolvimento de Moreno com empresas em paraísos fiscais, ele se reuniu em 4 de abril de 2019 com os prefeitos municipais recém-eleitospara empreender uma jornada de ampliação dos programas sociais, sobretudo os que atendem os setores mais vulneráveis. A sociedade equatoriana espera que ele cumpra a promessa contida no encerramento de seu discurso de posse em 24 de maio de 2017, de não ter apenas a mão estendida, mas os braços abertos para abraçar a todos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Moreno em entrevista coletiva” (Fonte): https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/56549520_2431321956880321_505342179850321920_n.jpg?_nc_cat=110&_nc_ht=scontent.fssa17-1.fna&oh=263ac3fa42193f00a5fae695fd64c591&oe=5D3C4AD2

Imagem 2 Presidente Moreno se reúne com prefeitos municipais” (Fonte): https://www.presidencia.gob.ec/wp-content/uploads/2019/04/Reuni%C3%B3n-con-alcaldes-Electos-04042019.jpg

About author

Mestre e especialista em relações internacionais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em Política e Estratégia pelo programa da ESG (UNEB, ADESG/BA), bacharel em Administração pela Universidade Católica do Salvador (UCSal). Consultor e palestrante de Comércio Exterior.
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