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Gigante da Internet Chinesa aporta U$ 90 milhões na Startup Financeira NuBank

No dia 9 de outubro de 2018, a empresa de tecnologia Tencent realizou aporte de US$90 milhões na startup financeira brasileira NuBank. O montante se refere à primeira parcela de um total de US$180 milhões que serão investidos pela companhia chinesa. A operação ocorre em um contexto de incremento do influxo de capitais da República Popular da China para diversos setores da economia brasileira, bem como de redefinições na orientação da política externa do Brasil após as eleições presidenciais.

Sede da Tencent, em Shenzhen, China

A Tencent é uma gigante da tecnologia chinesa do porte de empresas como Facebook, Apple e Google. Em janeiro de 2018, seu valor de mercado aproximado era US$490 bilhões (aproximadamente 1,81 trilhão de reais, pela cotação e 1o de novembro de 2018). O maior ativo da empresa é o aplicativo WeChat, o qual é uma plataforma que integra os serviços de troca de mensagens, rede social, e transações monetárias. Neste ano (2018), o aplicativo ultrapassou a marca de mais de 1 bilhão de usuários. O aporte financeiro no NuBank é o primeiro realizado pela Tencent em uma empresa brasileira. O CEO da companhia chinesa, Martin Lao, afirmou estar “animado em participar das oportunidades de crescimento no Brasil e na América Latina”.

Analistas apontam que o investimento realizado pela gigante asiática amplia a capacidade competitiva do NuBank em relação às instituições bancárias que dominam atualmente o setor no Brasil. A fintech, fundada em 2012, possui 5 milhões de clientes, bem como acumula U$ 420 milhões de aportes de financeiros grupos de investimentos internacionais (aproximadamente 1,55 bilhão de reais, pela cotação e 1o de novembro de 2018). Nesse contexto, David Velez, CEO do NuBank, declarou estar ansioso para aprender com a experiência da Tencent na China.

Marca do NuBank

Entende-se que a entrada da Tencent no mercado financeiro e tecnológico brasileiro sugere que o influxo de capitais chineses para o país deverá não apenas se intensificar, como também se diversificar para setores até então dominados por empresas europeias e estadunidenses. Além disso, a agenda de privatizações já anunciada pela equipe econômica do Presidente eleito reforça a plausibilidade dessa tendência. 

No entanto, ressalta-se que a entrada de capitais chineses no Brasil também impõe pressões para a política externa do país. Isso por conta do alto grau de polarização entre Estados Unidos e a China no sistema internacional, principalmente no que tange ao recrudescimento de atritos na esfera comercial. Portanto, pode-se concluir que evitar que as tensões entre as duas grandes potências econômicas prejudiquem os interesses econômicos nacionais se tornará um desafio relevante para a diplomacia brasileira.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Yuan, moeda chinesa” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Chine_Yuan.jpg

Imagem 2Sede da Tencent, em Shenzhen, China” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Tencent_HQ.JPG

Imagem 3Marca do NuBank” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nubank#/media/File:Logo_nubank.png

About author

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.
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