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[:pt]Governo Indiano aposta em Plantas Solares para solucionar gargalo energético[:]

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Muitos são os desafios do subcontinente indiano quando o assunto é energia. A Índia é o terceiro maior emissor de carbono do mundo, com sua matriz energética concentrada em energias fósseis. Além disso, as emissões do país apresentam forte tendência ao aumentar, visto que o consumo per capita de energia é dos mais baixos do mundo, a população continua crescendo a ritmo acelerado e milhões de indianos sairão da situação de pobreza nas próximas décadas. Uma terceira complicação é sua dependência externa: o país possui um déficit energético significativo e as importações advêm de países não-vizinhos, o que acarreta em vulnerabilidade.

Com o objetivo de começar a diminuir esse gargalo e evitar um colapso energético, o Governo indiano vem atuando nos últimos anos em promover a utilização de energias renováveis. A Solar, nesse sentido, tem se mostrado a preferida dos estadistas. Entre os pontos positivos dessa fonte energética para a Índia estão seu menor custo em comparação com outras energias renováveis; a facilidade de instalação e espraiamento de plantas e painéis solares pelo subcontinente; e a rapidez do processo de instalação e produção de energia. O último relatório do Governo indiano estima que, a partir dos projetos propostos pelo governo, 57% da capacidade elétrica indiana virá de energias não-fósseis até 2027.

As iniciativas governamentais, que iniciaram na administração do primeiro-ministro Manmohan Singh e foram expandidas na gestão do atual primeiro-ministro Narendra Modi, principalmente a partir de sua parceria com o Ministro da Energia Nova e Renovável, Piyush Goyal, estão centralizadas principalmente em incentivos ao capital, tanto nacional quando estrangeiro. Entre os incentivos declarados pelo governos estão subsídios, isenções fiscais e preferências na hora de venda de energia para estatais indianas. A Tata Power, maior companhia de energia da Índia, fez planos para aumentar sua pegada ambiental limpa para 40% até 2025. A aliança com companhias estrangeiras, por sua vez, almeja a transferência de tecnologia e o desenvolvimento manufatureiro indiano, visto que atualmente a Índia importa parte da cadeia de produção dos painéis solares da China. Um exemplo significativo é o acordo com a Agência de Energia Russa, que promete cooperação para o desenvolvimento de projetos solares fotovoltaicos na Índia. A preferência por incentivos ao capital, porém, não significa que o Estado indiano não está ele mesmo investindo: os últimos anúncios do Governo projetam investimentos de 210 bilhões de rúpias (3,280 bilhões de dólares americanos ou 10,160 bilhões de reais – cotação de 16 de maio de 2017) para a indústria de energia solar.

Os resultados já estão aparecendo. Os preços de venda à atacado de painéis solares na Índia estão decrescendo a níveis maiores que as estimativas governamentais, levando a subcotação dos preços da energia gerada por combustíveis fósseis. Se o aumento da utilização de energia solar continuar em expansão nos próximos anos, a estimativa é que a Índia ultrapasse as metas estabelecidas em 2015 nos acordos da COP 21 de Paris. Uma capacidade adicional de 17.930 MW de energia advinda de fontes renováveis entre 2012-2015 já foi instalada no país, o que demonstra que a iniciativa indiana já está mostrando frutos. Com planos ambiciosos de chegar à geração de 175 GW de energia renovável até 2022, a Índia está no caminho de se tornar uma das grandes referências mundiais em energias renováveis.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Seguidor Solar em Planta de 4MW Tamil Nadu, India” (Fonte Vinaykumar8687):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:4MW_single_axis_horizontal_tracker_in_Vellakoil,_Tamil_Nadu,_India.jpg#

Imagem 2Atual Ministro de Energia Nova e Renovável” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Piyush_Goyal_January_2015.jpg

Imagem 3Matriz Energética Indiana” (Elaboração própria baseada na Fonte):

https://www.iea.org/publications/freepublications/publication/IndiaEnergyOutlook_WEO2015.pdf

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About author

Mestranda em Economia Política Internacional pela UFRJ e Bacharel em Relações Internacionais pela UFRGS. Ex-pesquisadora do Núcleo Brasileiro de Estratégia e Relações Internacionais e do Centro Brasileiro de Estudos Africanos. Atualmente é estagiária do the South-South Exchange Programme for the Research on the History of Development (SEPHIS). Se interessa por assuntos relacionados aos países em desenvolvimento e recentemente tem focado no sistema financeiro internacional.
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