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Governo norte-americano realiza operações cibernéticas contra a Rússia

Seguindo as diretrizes da sua nova estratégia de segurança cibernética e da recém-atualizada abordagem de “defender para frente” (defending forward), preparada pelo Pentágono, o governo norte-americano anunciou, no dia 20 de outubro, a autorização para que suas forças estratégicas realizem operações cibernéticas ofensivas contra os adversários do país, tendo em vista, principalmente, a integridade das eleições legislativas que ocorrerão no dia 6 de novembro.

Equipe de defesa cibernética dos Estados Unidos

Em uma iniciativa que está sendo considerada como a primeira operação cibernética tornada pública pela própria administração estadunidense, funcionários do governo norte-americano afirmam que a Agência de Segurança Nacional e o Comando Cibernético daquele país têm identificado e acompanhado ações tanto de grupos de hackers atuantes na Rússia como de agentes de inteligência do governo russo, objetivando coibir campanhas de desinformação contra os Estados Unidos.

De acordo com esses funcionários, o Comando Cibernético dos Estados Unidos tem, inclusive, enviado mensagens diretamente para tais agentes, por meio de pop-ups e de e-mails, avisando-os explicitamente que as suas ações estão sendo monitoradas e desencorajando-os, por conseguinte, de praticarem qualquer ato que possa disseminar informações falsas que contribuam para desestabilizar as eleições norte-americanas.

Encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, em julho de 2018

A relevância dessa aparente nova forma de atuação do governo norte-americano consiste em uma possível quebra do paradigma tradicional no comportamento dos Estados no âmbito do ciberespaço, uma vez que, conforme os professores Evan Perkoski e Michael Poznansky, “as operações neste domínio raramente são acompanhadas de um reconhecimento intencional e claro do perpetrador”, sendo, portanto, a anonimidade uma das principais características comumente atribuídas à atuação dos atores nesse ambiente.

No que tange aos benefícios da estratégia adotada pelo governo norte-americano, os professores asseveram que “simplesmente ameaçar a Rússia com alertas vagos de retaliação provavelmente teria pouco efeito. Mas, ao demonstrar sua capacidade geral – e sua disposição – de identificar agentes individuais da Rússia, os Estados Unidos podem ser capazes de impedir que esses agentes atuem futuramente”.

Os resultados da iniciativa, no entanto, têm sido objeto de críticas por parte de especialistas, uma vez que não está claro se esses avisos terão o resultado pretendido. Michael Carpenter, por exemplo, ex-funcionário do Departamento de Defesa norte-americano, afirma se considerar “cético que meros avisos aos agentes russos servirão como um impedimento efetivo (…). É mais provável que eles (os russos) tentem outras formas de ataque”.

O receio  de interferência russa nas eleições legislativas estadunidenses aumentaram com as recentes acusações realizadas por promotores federais norte-americanos no que tange a uma possível rede de conspiradores, presumivelmente próximos ao presidente Vladimir Putin,  que estariam realizando uma “guerra de informação” contra os Estados Unidos. Ainda que, comparativamente às eleições presidenciais de 2016, especialistas apontem que há uma menor probabilidade de ocorrer uma interferência no pleito para o Congresso, funcionários do governo norte-americano têm declarado que o Pentágono e a comunidade de inteligência dos EUA tem um ataque cibernético preparado, caso haja ingerência russa nas eleições de 6 de novembro.     

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Emblema do Comando Cibernético dos Estados Unidos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Seal_of_the_United_States_Cyber_Command.svg

Imagem 2 Equipe de defesa cibernética dos Estados Unidos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Cyberwarfare_in_the_United_States#/media/File:Monitoring_a_simulated_test_at_Central_Control_Facility_at_Eglin_Air_Force_Base_(080416-F-5297K-101).jpg

Imagem 3 Encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, em julho de 2018” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Russia%E2%80%93United_States_relations#/media/File:Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_in_Helsinki,_16_July_2018_(3).jpg

About author

Mestre em Relações Internacionais (UEPB), especialista em Direito Internacional e Comércio Exterior (UnP) e bacharel em Relações Internacionais (UnP). É professor universitário e coordenador acadêmico, interessa-se por temas como: Cooperação Internacional em Ciência, Teconolgia e Inovação; Diplomacia Científica; Technopolitics e Peace Innovation.
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