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[:pt]Governos e o mercado internacional de softwares de espionagem e monitoramento[:]

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No dia 10 de agosto, Ahmed Mansoor, um ativista dos direitos humanos nos Emirados Árabes Unidos, recebeu uma mensagem tentadora, contendo um link com a descrição “novos segredos sobre tortura nas prisões estatais dos Emirados Árabes Unidos”. Mansoor, que já havia sido alvo de vigilância governamental, optou por não clicar no link e foi buscar ajuda no grupo de ativistas de direitos digitais, Citizen Lab, da Munk School of Global Affairs, na Universidade de Toronto. 

Em um relatório liberado no dia 25 de agosto pelo Citizen Lab em conjunto com Lookout, uma empresa de cibersegurança, constatou-se que o método aplicado na tentativa de hackear o celular de Mansoor, “era um dos casos mais sofisticados de ciberespionagem jamais visto”. A empresa responsável pela tentativa de hackear o celular é uma vendedora de softwares de vigilância israelense conhecida como NSO Group, e seu malware, conhecido como “Pegasus”, permite a interceptação e roubo de todos os dados do dispositivo, desde mensagens, documentos, ligações etc. O Citizen Lab usou o Pegasus, que teria contaminado o celular de Mansoor, para contaminar um celular teste e, de fato, testar as capacidades do malware enviado ao aparelho dele.

Além da NSO Group, existem outras empresas que trabalham ofertando tais oportunidades. Um exemplo é a Hacking Team, que já vendeu seus serviços para o Governo da Etiópia, para o monitoramento de jornalistas, permitiu o Sudão mascarar relatos de abusos aos direitos humanos e possui uma forte presença na América Latina. Outra empresa de vasta atividade no campo da ciberespionagem é conhecida como FinFisher e possui mais de 30 clientes no mundo, dentre eles países como África do Sul, Egito, Indonésia, Espanha, Itália, Turquia, Arábia Saudita e Venezuela.

O caso de Mansoor representa uma janela para a indústria crescente e sem regulações das empresas de vigilância digital. Empresas como NSO Group, Hacking Team e FinFisher são atores em uma crescente indústria que oferece serviços de vigilância à governos, geralmente de regimes autoritários, e que comprovadamente abusam contra ativistas e dissidentes, ou opositores. No entanto, a atuação dessas empresas sobre a natureza sem fronteiras do ciberespaço permite que dissidentes, jornalistas e cidadãos continuem a ser espionados, mesmo sob asilo político em outros países, o que é claro, levanta fortes desafios às Relações Internacionais.

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ImagemAhmed Mansoor” (Fonte):

https://citizenlab.org/wp-content/uploads/2016/08/image00.jpg

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About author

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.
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