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Groelândia deseja a independência da Dinamarca

A Groelândia foi ocupada pela Dinamarca em 1721, na qualidade de colônia, e permaneceu isolada até a Segunda Guerra Mundial (II GM), quando a ligação com os daneses* foi interrompida pela invasão dos nazistas, na década de 1940. Neste período a maior ilha do mundo aproximou-se de seus vizinhos canadenses e estadunidenses, com os quais iniciou trocas comerciais.

Após a II GM, os dinamarqueses reassumiram o controle da região, a qual foi feita parte do Reino da Dinamarca, em 1953, e posteriormente recebeu autonomia administrativa, em 1979. Em 2009, Godthåb**, a capital da ilha passou a desfrutar de uma ampliação autônoma frente ao governo central, tendo o direito de gerir os próprios tribunais, a polícia local e a guarda costeira.

Distrito de Nuussuaq, em Nuuk, capital da Groelândia

Na atualidade, a grande questão é a independência, que obtém o apoio de 6 dos 7 partidos políticos locais, entretanto, a região é dependente das 3,6 bilhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente, 585 milhões de dólares, ou 2,03 bilhões de reais, conforme a cotação de 1o de maio de 2018) que recebem de subsídios anuais de Copenhague***, e possui um produto interno bruto (PIB) de apenas US$ 2,2 bilhões, pelos dados de 2015, aproximadamente 7,65 bilhões de reais, conforme a cotação de 1o de maio de 2018.

Alguns políticos pensam numa possível declaração de independência em 2021, para coincidir com o 300º aniversário da ocupação, mas ressente-se que a decisão poderá vir a empobrecer a Groelândia. O jornal The Local trouxe a opinião de Heidi Isaksen sobre o tema, uma cidadã que é secretária e moradora da capital, e se acredita ser representativo de parte significativa da população: “Eu quero independência um dia, mas precisamos ser realistas e dar um passo de cada vez. Nunca poderemos ter independência enquanto tivermos tantos problemas sociais”.

A parlamentar Aaja Larsen, do Partido Inuit Ataqatigiit (IA), a esquerda-verde groelandesa, afirmou na mesma mídia citada que primeiro é necessário estabelecer as bases financeiras e depois pensar na independência, conforme salientou no jornal: “Investimentos estrangeiros serão cruciais quando você falar sobre o desenvolvimento da sociedade gronelandesa”.

Os analistas observam o caso com atenção e entendem que o possível cenário da independência da Groelândia deve ser visto com prudência, especialmente pela baixa infraestrutura da ilha e pela carência de mão de obra qualificada. Na hipótese de separação, compreende-se que o país pode vir a distanciar-se da Europa, haja vista a sua saída da antiga Comunidade Econômica Europeia (CEE), em 1985, e vir a se aproximar mais dos Estados Unidos e do Canadá, em razão tanto da proximidade geográfica, como das oportunidades de crescimento econômico.

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Notas:

* Outra forma de referir-se aos dinamarqueses.

** Godthåb é o nome dinamarquês para a capital da Groelândia, enquanto que Nuuk é o nome da cidade no idioma nativo.

*** Capital do Reino da Dinamarca.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Groelândia com bandeira de fundo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e7/Greenland_stub.svg/439px-Greenland_stub.svg.png

Imagem 2 Distrito de Nuussuaq, em Nuuk, capital da Groelândia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5a/Nuuk_city_below_Sermitsiaq.JPG/640px-Nuuk_city_below_Sermitsiaq.JPG

About author

Mestre em Sociologia Política (2018) e Bacharel em Relações Internacionais (2014) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ vinculado a Universidade Cândido Mendes. Atualmente incorpora o quadro do CEIRI Newspaper, onde atua na qualidade de colaborador voluntário na produção de notas analíticas e conjunturais na área de política internacional europeia com ênfase nos Estados Nórdico-Bálticos e Rússia.
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