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Guerra no Iêmen: mais bombardeio em Hodeida

No dia 2 de agosto de 2018, bombardeios aéreos atingiram a cidade portuária de Hodeida/al-Hudaydah, situada na planície de Tiama, atingindo um mercado de peixe e as proximidades de um hospital. A cidade localiza-se, atualmente, no setor sob domínio das tropas rebeldes xiitas Houthi, apoiadas pelo Irã. Estima-se que vinte pessoas tenham morrido em consequência do ataque, muitas delas eram pescadores, e haja ao menos sessenta feridos.

O ataque foi atribuído a forças lideradas pela Arábia Saudita, porém, o coronel Turki al-Maki, porta-voz representante das forças da “Coalizão Árabe que apoia a Legitimidade no Iêmen”, negou tal informação e afirmou que milícias Houthi seriam as responsáveis pelas casualidades civis.

Um vilarejo iemenita destruído

Semanas atrás, a Coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou um ataque duradouro, a fim de expulsar os rebeldes Houthi da cidade, causando danos a civis e ao porto da cidade.

Este é essencial para a entrada de comida e ajuda humanitária e, assim como Hodeida, encontra-se sob domínio Houthi desde o final de 2014, por isso ambos têm sido alvo de ataques aéreos da Coalizão pró-governo iemenita.

O Iêmen vive uma grande crise humanitária que atinge 75% de sua população. A interrupção da entrada de suprimentos via porto de Hodeida, provindos através do Mar Vermelho, podem prejudicar milhões de iemenitas que contam apenas com eles para sua subsistência.

No dia 3 de agosto de 2018, um protesto foi realizado na capital Saná contra os estupros que têm sido praticados contra as mulheres e contra os ataques sauditas, porém, apenas meios de comunicação ligados ao Irã e à Rússia veicularam imagens e informações sobre tal protesto.

Hodeida é um dos epicentros de uma grave crise de cólera que aflige o país desde 2017 e, com a destruição da instalação de saneamento e de fornecimento de água atingidos pelos bombardeios aos arredores de Zabid, pode resultar no alastramento de uma epidemia descontrolada, que já avizinha a cidade.

O conflito no Iêmen iniciou-se em setembro de 2014 e não apresenta indícios de um cessar-fogo ou acordo de paz. Trata-se de uma guerra civil que tomou contornos regionais, com apoio de grandes nações. A população civil tem sido largamente atingida, restando poucos lugares onde a guerra não os tenha alcançado, tais como a ilha de Socotra, um ecossistema único no mundo protegido pela UNESCO.

Atualmente, é considerado o pior país para ser uma criança no mundo. Em 5 de julho de 2018, o governo dos Estados Unidos autorizou 1.250 iemenitas a ficar em território norte-americano por mais 18 meses como “Temporary Protected Status (TPS)”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira do Iêmen” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/I%C3%A9men#/media/File:Flag_of_Yemen.svg

Imagem 2Um vilarejo iemenita destruído” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Iemenita_(2015%E2%80%93presente)#/media/File:Villagers_scour_rubble_for_belongings_scattered_during_the_bombing_of_Hajar_Aukaish_-_Yemen_-_in_April_2015.jpg

About author

Bianca Del Monaco, advogada, mestranda em Direito dos Negócios pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), LL.M em International Crime and Justice na Universidade de Turim (UNITO) e United Nations Interregional Crime and Justice Research Institute (UNICRI), especialista em Relações Internacionais e Política pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), pós-graduação em Direito e Economia do Comércio Internacional da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), pós-graduação em Contratos Internacionais Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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