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Haiti realizou eleições válidas, apesar da violência

Em 9 de agosto, o Haiti realizou Eleições Legislativas pela primeira vez em quatro anos. O Parlamento haitiano não realizava sessões desde janeiro, depois que pleitos eleitorais programados para 2011 e 2014 foram cancelados, fazendo com que o presidente Michel Martelly, do partido Resposta Camponesa (RP), governasse por Decreto[1].

As eleições foram realizadas com vistas a determinar todos os membros da Câmara de Deputados e dois-terços do Senado, após a dissolução do Parlamento em 13 de janeiro. Mais de 1.800 candidatos de 128 partidos registrados concorreram a 139 postos, somadas as duas casas. Este foi o primeiro de três processos eleitorais que serão realizados ainda em 2015.

Alguns problemas foram detectados pelos observadores internacionais que estiveram presentes no dia da votação, a exemplo de Jake Johnston, Pesquisador Associado do Centro para a Pesquisa Econômica e Política (CEPR). Dentre eles podem ser destacados: dificuldade dos votantes de encontrar seus nomes nas listas de votação; chegada tardia aos centros de votação de material próprio para depósito e checagem de votos; demora na abertura dos centros de votação e voto duplo[2].

Além destes, a violência também despontou no processo eleitoral haitiano, apesar da presença da Polícia e de Mantenedores da Paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo dados da Polícia Nacional do Haiti, além da confirmação de duas mortes, 130 pessoas foram retidas e 23 armas de fogo apreendidas[3].

Não obstante a aprovação de grande parte dos observadores de que as eleições foram legítimas, algumas organizações, como a Missão de Observação da União Europeia no Haiti, declararam que “o que acontece na prática em países como o Haiti é que a comunidade internacional atua como facilitadora da corrupção, fraude ou qualquer abuso [por parte do governo haitiano][4].

Já a Missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) declarou que os problemas vistos não invalidam a votação. Ressalta-se que a OEA enviou 28 observadores que monitoraram 171 locais de votação, onde mais de 1.500 eleitores depositaram seus votos, em um universo de 10 milhões de votantes[5].

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Imagem Palácio Nacional” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Ha%C3%AFti_-_Ayiti#/media/File:Haitian_national_palace_earthquake.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-latin-america-33839885

[2] Ver:

http://therealnews.com/t2/index.php?option=com_content&task=view&id=31&Itemid=74&jumival=14436

[3] Ver:

http://www.channelnewsasia.com/news/world/two-dead-in-haiti/2041800.html

[4]Ver:

http://www.canadahaitiaction.ca/content/haiti-elections-fraud-observation-international-observers

[5]Ver:

http://abcnews.go.com/International/wireStory/fistfights-sporadic-reports-fraud-haiti-elections-32982959

About author

Doutoranda em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. Mestre em Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Bacharel e Licenciada em Ciências Sociais, com ênfase em Ciência Política. É assistente de pesquisa do Observatório Político Sul-Americano (OPSA-IESP/UERJ) e Desenvolve atividade de pesquisa no Grupo de Estudos Interdisciplinar de Fronteiras (GEIFRON), da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
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