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Índices de desenvolvimento humano da América Latina e Caribe em 2018

O Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD) lançou, em 14 de setembro de 2018, o estudo Indicadores e Índices de Desenvolvimento Humano: Atualização Estatística 2018. O objetivo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), criado por Mahbub ul Haq, com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, é ser uma medida que sirva como contraponto ao Produto Interno Bruto (PIB).

Baseado essencialmente em saúde, educação e renda, o IDH é um indicador que vai de zero a um – quanto mais próximo de um, melhor o desenvolvimento humano. Para isso, utiliza-se da seguinte metodologia para seu cálculo:

– Uma vida longa e saudável (saúde) é medida pela expectativa de vida;

– O acesso ao conhecimento (educação), que é medido por: i) média de anos de educação de adultos (pessoas a partir de 25 anos); e ii) a expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar*; e, por fim, 

– O padrão de vida (renda), que é medido pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, expressada em Poder de Paridade de Compra (PPP) constante, em dólar, tendo 2005 como ano de referência.

Educação

O relatório atual apresenta dados de 189 países, classificados como: (59) pertencentes ao grupo de desenvolvimento humano muito alto; (53) com alto desenvolvimento humano; (39) com médio; e (38) com baixo índice. Noruega, Suíça, Austrália, Irlanda e Alemanha lideram o ranking; enquanto Níger, República Centro-Africana, Sudão do Sul, Chade e Burundi apresentam os piores indicadores.

A partir do documento, depreendem-se cinco conclusões principais sobre a evolução do desenvolvimento humano a nível global: 1) as pessoas são mais longevas, possuem maior nível de educação e acesso a bens e serviços, no entanto estes atributos não se traduzem em melhor qualidade do desenvolvimento humano; 2) o progresso não é linear e as crises podem danificar os ganhos em desenvolvimento; 3) quando o IDH se ajusta aos níveis de desigualdade, o valor mundial se reduz em 20% (0,72 para 0,58); 4) as mulheres apresentam IDH inferior aos homens em todas as regiões do planeta; e 5) a degradação do meio-ambiente coloca em risco todo o desenvolvimento humano promovido nas últimas décadas.

Segundo os dados apresentados pelo relatório, a América Latina e o Caribe* possuem (em média) alto nível de desenvolvimento humano, aproximadamente de 0,758, sendo a expectativa de vida da região estimada em 75 anos. No entanto, quando o índice é ajustado à desigualdade, ele é reduzido em 21,8%.

A disparidade do IDH entre mulheres e homens é de 2%, abaixo da média mundial, que é de 6%. Por outro lado, a participação da mulher no mercado de trabalho é consideravelmente menor que o volume de homens. A título de ilustração, apenas 29% dos cargos parlamentares são ocupados por mulheres.

A taxa de natalidade entre adolescentes é a segunda mais alta em comparação a outras regiões do globo. No Brasil, por exemplo, apesar de as mulheres terem melhor desempenho em educação e mais longevidade que os homens, a sua renda é 42,7% menor.

Os países da América Latina e Caribe que se destacam com os melhores índices de desenvolvimento são: Chile (44º lugar – 0,843); Argentina (47º lugar – 0,825); Bahamas (54º lugar- 0,807), Uruguai (55º lugar – 0,804) e Barbados (58º lugar – 0,800). O Brasil, por sua vez, aparece na 79ª posição com IDH estimado em 0,759.

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Nota:

* O PNUD considera a Região da América Latina e Caribe composta por 33 países: Antígua e Barbuda, Argentina, Bahamas, Barbados, Belize, Estado Plurinacional da Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Dominica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Granada, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Suriname, Trinidade e Tobago, Uruguai e Venezuela.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Favela na periferia de Salvador, Bahia” (FonteFoto: Banco Mundial/Scott Wallace):

https://nacoesunidas.org/brasil-mantem-tendencia-de-avanco-no-desenvolvimento-humano-mas-desigualdades-persistem/

Imagem 2 Educação” (Fonte):

https://www.pexels.com/photo/close-up-of-woman-working-256468/

About author

Pós-graduanda em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, 2018-2019). Graduada em Relações Internacionais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS, 2015), pela I Turma de Relações Internacionais – Turma Nelson Mandela. Ao longo da graduação, implementou o Centro Acadêmico de Relações Internacionais (CARI) da UNISINOS. Possui interesse na área de Segurança Internacional, Organizações Internacionais e Direito Internacional, especificamente, no Direito Internacional dos Refugiados e Migrações. Tem como experiência profissional assessoria técnica para o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, na Secretaria do Planejamento, Governança e Gestão (SPGG, RS). Como articulista do CEIRI trabalha temas correlatos à América Latina.
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