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COOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICAS

A integração dos refugiados no mercado de trabalho alemão

Em face do avanço das instabilidades no Oriente Médio e Norte da África, o fluxo de imigrantes provenientes dessas regiões em direção à Europa tem aumentado de maneira significativa. Em 2015, mais de um milhão destes imigrantes se dirigiu à Alemanha. Esse número foi reduzido em 2016, em razão dos esforços da Primeira-Ministra alemã, Angela Merkel, em amenizar os fatores provocadores da imigração em massa nas regiões de origem. Além disso, o Parlamento alemão aprovou, em março de 2017, leis de concessão de asilo mais rígidas e que facilitam o processo de deportação. De todo modo, o país ainda possui um dos maiores percentuais de refugiados entre os países da Europa e tem envidado esforços para garantir que estes sejam integrados na sociedade alemã.

Dentre os empenhos de integração, o país tem investido na participação dos migrantes no mercado de trabalho. Os refugiados relatam dificuldades em encontrar oportunidades de emprego, mas que, todavia, há chances razoáveis de se obtê-lo. De acordo com uma pesquisa realizada em 2016 pelo Instituto Alemão de Pesquisa sobre o Trabalho, 40 por cento dos refugiados entrevistados foram capazes de ingressar no mercado de trabalho por meio da ajuda de parentes ou amigos, 32 por cento através da Agência Federal Alemã de Emprego, 17 por cento por meio de oportunidades divulgadas on-line e 17 por cento através de outros métodos.

Angela Merkel proferindo discurso. Fonte: Wikipedia

Os principais obstáculos relatados são o domínio da língua, a falta de qualificação para um mercado que é altamente sofisticado e o excesso de burocracia. Para que um refugiado possa ocupar um ofício é necessário que obtenha um formulário de descrição da vaga emitido pelo Ministério do Trabalho que deve ser preenchido e assinado pelo empregador e, em seguida, reencaminhado ao Ministério para aprovação. Todo esse processo dura em média de quatro a oito semanas, provocando impactos negativos para os refugiados que necessitam do emprego.

A Alemanha possui grandes incentivos para investir na integração deste grupo na sociedade. Enquanto o país tem enfrentado um déficit demográfico, redução das taxas de nascimento e aumento do número de idosos, os refugiados apresentam-se como uma importante força de trabalho. De acordo com as estimativas, 70 por cento dos refugiados em território alemão possuem menos de 30 anos de idade. Além disso, de acordo com um estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica, investimentos do governo em 2017, no valor de 3,3 bilhões de euros em cursos de alemão para imigrantes e programas de qualificação, resultarão em uma economia de 11 bilhões de euros, até 2030.

Ademais, a integração bem-sucedida dos refugiados no mercado de trabalho alemão é um dos elementos que contribuirão para uma possível reeleição da chanceler Angela Merkel no pleito que se aproxima. Merkel tem proferido discursos receptivos em relação aos migrantes e chamado atenção da comunidade internacional para uma resolução integrada desta questão.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Cidadãos alemãs dão às boas vindas aos refugiados” (Fonte):

https://media2.s-nbcnews.com/j/newscms/2015_36/1208296/150906-germany-migrants-hg-1149_c84baa1a147301b74ce5ddd8010c9694.nbcnews-ux-2880-1000.jpg

Imagem 2Angela Merkel proferindo discurso” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:IMO_at_German_National_Maritime_Conference_(33760358581).jpg

About author

Bacharel em Relações Internacionais pelo IESB Centro Universitário de Brasília, tendo cursado parte da graduação na Universidad Autónoma de Guadalajara, México. Interessa-se excepcionalmente por Economia Política Internacional, Cooperação Internacional e Oriente Médio. Atua profissionalmente na Assessoria Internacional do Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE.
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