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ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Itália e França travam uma crise diplomática histórica

Itália e França estão protagonizando uma crise, até o momento, diplomática. Após o vice-Primeiro-Ministro, Luigi Di Maio, ter se encontrado com líderes do movimento conhecido como Coletes Amarelos, em Paris, no dia 5 de fevereiro (2019), o Presidente da França, Emmanuel Macron, ordenou o retorno do embaixador Cristian Masset a Paris, na última quinta-feira, 7 de fevereiro (2019). Os Coletes Amarelos são manifestantes franceses assim conhecidos por usarem coletes dessa cor durante os protestos. Este movimento começou no final de 2018, em função do elevado preço do combustível veicular na França e se estendeu para outras demandas a partir de então.

Esta é a primeira vez que isso ocorre desde o final da Segunda Guerra Mundial, terminada em 1945. O encontro do governante italiano com os franceses foi apenas o estopim de uma recente tensão entre esses países europeus iniciada em junho de 2018, quando a coalizão formada por partidos de direita na Itália ascendeu ao poder. No início, as questões migratórias foram os principais pontos de divergência entre os governos, como quando o governo italiano recusou o recebimento de migrantes encontrados no mediterrâneo.

Protesto dos Coletes Amarelos em novembro de 2018

Recentemente, houve uma troca de acusações entre os representantes governamentais a respeito da pobreza na África e a atuação francesa no processo de colonização e manutenção desse status colonial nos dias de hoje. Matteo Salvini, o outro vice-Primeiro-Ministro da Itália, também teria alegado que a França fomentou a instabilidade na Líbia a fim de beneficiar a empresa de petróleo francesa Total, competidora da italiana ENI; e ainda declarou ter desejado a derrota de Macron nas próximas eleições europeias em maio (2019).

Na contraofensiva, o Presidente da França minimizou as declarações dos políticos italianos e disse que lidaria somente com o Primeiro-Ministro do país, Giuseppe Conte, que, por sua vez, atestou as reais intenções eleitorais dos seus compatriotas que estariam adotando esta estratégia de enfrentamento com Macron. Ainda assim, Conte alertou que a França deveria tratar melhor sobre três questões consideradas importantes por ele: a política de retornar migrantes para a Itália – cuja prática é antiga –; a checagem de fronteiras; e o asilo concedido a políticos de esquerda que permanecem na França.

Emmanuel Macron, Presidente da França, no Fórum Econômico Mundial de 2018

Em uma resposta aos Coletes Amarelos, o Parlamento francês aprovou, em sua Câmara baixa, uma lei que estabelece novas regras para os protestos no país. A partir do momento em que seja colocada em prática, a legislação determinará que autoridades administrativas, e não necessariamente judiciais, possam proibir determinados indivíduos de seu direito de protestar se estes forem considerados uma ameaça à ordem pública. Evidentemente que esta decisão veio acompanhada de críticas, sendo que um dos deputados a comparou ao Regime de Vichy, que passou a vigorar após a invasão alemã na Segunda Guerra Mundial e foi um período de muitas restrições ao povo francês.

O momento em que esta crise se estabelece é crucial para a integração europeia. Ao mesmo tempo ocorre o Brexit, processo de saída do Reino Unido da União Europeia; assim como o aceno do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, a uma diminuição aos esforços da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Ademais, a crise na Venezuela demonstra como os países europeus não estão alinhados ao discurso norte-americano enquanto Bloco, e nem entre eles mesmos, ao não conseguirem fechar questão acerca da autoproclamação de Juan Guaidó à Presidência do país sul-americano. Nesse sentido, não por acaso, França e Itália estão em lados opostos: enquanto os franceses reconhecem o pleito de Guaidó, os italianos impediram que um pronunciamento conjunto dos países europeus fosse realizado.

Ainda assim, é importante colocar em contexto a situação. A crise que se estabelece é de ordem governamental e não estatal, o que significa dizer que as relações entre os países não estão necessariamente estremecidas, mas sim a de seus representantes. Tal situação pode significar problemas futuros, até mesmo de ordem estatal, mas isto deve ser acompanhado ao longo dos mandatos dos governantes e as eleições para o Parlamento Europeu, em maio (2019), serão um interessante “termômetro” para sentir a resposta política dos europeus no atual cenário.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeiras de Itália e França” (Fonte): https://pixabay.com/pt/fran%C3%A7a-amizade-pavilh%C3%A3o-3938928/

Imagem 2Protesto dos Coletes Amarelos em novembro de 2018” (Fonte): https://es.m.wikipedia.org/wiki/Archivo:ManifGiletsJaunesVesoul_17nov2018_(cropped).jpg

Imagem 3Emmanuel Macron, Presidente da França, no Fórum Econômico Mundial de 2018” (Fonte): https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Special_Address_by_Emmanuel_Macron,President_of_France(39008127495).jpg

About author

Bacharel em Defesa e Gestão Estratégica Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval (PPGEM/EGN). É pesquisador do Núcleo de Avaliação da Conjuntura, participando da produção do Boletim Geocorrente, ambos da mesma instituição. Suas principais áreas de interesse envolvem as políticas de Defesa do Reino Unido, com enfoque na Marinha; Brexit e movimentos separatistas europeus; questões marítimas globais; e Geopolítica.
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